sábado, 22 de outubro de 2016

Futebol paulista


As fotografias nos faz retornar ao passado.

FUTEBOL PAULISTA  



1942 - Seleção Paulista.
Em pé: Del Debbio (técnico). Jango. Oberdan. Agostinho., Dino. Begliomini e Dino.
Agachados: Cláudio. Servilho. Milani. Lima e Pardal.


1969 - Corinthians.
Em pé: Ditão. Luis Carlos. Dirceu Alves. Pedro rodrigues. Lidu e Lula.
Agachados: Paulo Borges. Tales. Bené. Rivelino e Eduardo. 


1954 - Seleção Paulista.
Em pé: Djalma Santos. Alfredo. Roberto Balengero. Mauro. Gilmar e Bauer.
Agachados: Maurinho. Ipojucan. Alvaro. Vasconcelos. Tite e Mário Américo.


1959 - Santos.
Em pé: Getulio. Alvaro. Ramiro. Mourão. Zito e Laercio.
Agachados: Dorval. Jair da Rosa Pinto.Coutinho. Pelé e Pepe.


1964 - Ponte Preta
Em pé: Valmir. Antoninho. Anibal. Sebastião Lapoda. Urubatão e Ascendino.
Agachados: Joãzinho. Ulises. Almeida. Dasilva e Zé Francisco. 


1955 - Palmeiras.
Em pé: Laercio. Manoelito. Mario Travalini. Ruarinho. Géresio e Waldemar Fiume.
Agachados: Renatinho., Liminha. Humberto. Jair e Rodrigues.


1951 - Combinado São Paulo e Bangu em brilhante temporada pela Europa.
Em pé: Alfredo. Mirim. Mendonça. Poy. Mauro e Bauer.
Agacahadsos: Alcino. Bibe. Durval. Teixeirinha e Nivio.


Ataque da seleção paulista.
Julinho. Pelé. Servilho. Chinezinho e Pepe.


1981 - Corinthians.
Em pé: Rondinelli. Gomes. Zé Maria. Rafael. Caçapava e Wladimir.
Agachados: Biro Biro. Socrates. Mario. Zenon e Paulo Cesar.


Anos 60 - Portuguesa.
Em pé: Vilela. Felix. Odorico. Ditão. Nelson e Juths.
Jair da Costa. Ocimar. Silvio. Servilho e Melão.


1977 - Botafogo de Ribeirão Preto.
Em pé: Mario. Paulão. Louro. Leone. Tonhão e Macalé,
Agachados: João Carlos. Socrates. Arlindo. Zito e Vagner.


1941 - Seleção Paulista.
Em pé: Caeira. Zezé Procópio. Og Moreira. Oberdan. Beglionini e Noronha.
Agachados: Luizinho. Servilho. Leonidas. Lima e Rodrigues.


1948 - São Paulo.
Em pé: Rui. Piolim. Mauro. Bauer. King e Noronha.
Agachados: China. Ponce de Leon . Leonidas da Silva. Remo e Teixeirinha.


1942 - Ataque da seleção paulista.
Luizinho. Servilho. Leonidas da Silva. Lima e Pardal.


1959 - Palmeiras campeão super campeão paulista.
Em pé:Djalma Santos. Valdir. Waldemar Carabina. Aldemar. Zequinha e Geraldo Scotto.
Agachados: Julinho. Nardo. Américo. Chinezinho e Romero.


1974 - Corrinthians.
Em pé: Zé Maria. Tião. Laercio. Armando. Brito Wladimir.
Agachados: Vaguinho. Lance. Zé Roberto. Rivelino e Pita.


Ataque do Corinthians
Cláudio. Rafael. Baltazar. Paulo e Jansen


1954 - Santos.
Em pé: Cássio. Zito.Manga. Formiga. Hélvio e Feijó.
Agachados: Carlinhos. Valter. Alvaro. Vasconcelos e Tite.


1950 - Seleção Paulista vice campeã brasileira.
Em pé: Rui. Turcão. Oberdan. Mauro. Bauer e Noronha.
Agachados: Cláudio. Baltazar. Nininho. Pinga e Friaça.


1952 - Portuguesa Desportos dos bons tempos.
Em pé: Djalma Santos. Brandãozinho. Nena. Muca. Ceci e Noronha.
Agachados: Julinho. Renato. Nininho. Pinga e Simão.


1965 - São Paulo.
Em pé: Nenê. Roberto Dias. Tenente. Belini. Celso e Suli.
Agachados: Paraná. Prado. Bené. Fefeu e Valdir.


1977 - Corinthians.
Em pé: Zé Maria. Tobias. Ruço. Moisés. Ademir e Cláudio Mineiro.
Agachados: Vaguinho. Basílio. Palhinha. Geraldo e Edu


1946 - Palmeiras campeão paulista.
Em pé: Og Moreira. Caeira. Waldemar Fiume. Oberdan. Dacunto e Osvaldo.
Agachados: Lula. Lima. Mantovoni. Villa doninga e Rolim.


1963 - Ataque do Santos.
Dorval. Mengálvio. Coutinho. Pelé e Pepe.


1956 - Ataque do Corinthians.
Cláudio .Luizinho. Zague. Pulo e Zezé.


1957 - Ataque do São Paulo.
Maurinho. Amauri. Gino. Zizinho e Canhoteiro.


1952 - Ataque da Portuguesa.
Julinho. Renato. Nininho. Pinga e Simão.


1952 - Ataque da seleção paulista.
Julinho. Antoninho. Baltazar. Pinga e Rodrigues. 


1957 - Ataque do Palmeiras
Julinho. Romeiro. Amércio. Chinezinho e Géo.


1956 - Santos
Em pé: Hélvio.Ramiro. Urubatão. Manga. Zito e Ivan.
Agachados: Alfredinho. Jair da Rosa Pinto. Alvaro. Vasconcelos e Tite. 


                                                             1941 - Seleção Paulista
                         Em pé: Caeira. Procópio. Og Moreira. Oberdan. Begliomini e Norinha.
                         Agachados: Luizinho. Servilho. Leonidas da Silva. Remo e Rodrigues.

                                           

                                                                   1941 - Corinthians
                     Em pé: General. Domingos da Guia. Bino. Brandão. Begliomini e Dino.
              Agachados: Augusto. Servilho. Leonidas da Silva. Milano. Nadinho e Hercules.

                     

                                                                  1944 - Palmeiras
                              Em pé: Og Moreira. Caeira. Oberdan. Osvaldo. Dacunto e Gengo.
                                Agachados: Lima. Gonzales. Caxambu. Villadoninga e Jorginho.


                                                                  1945 - São Paulo.
                                       Em pé: Piolim. Zazur. Reganeschi. Rui. Bauer e Gijo.
                                   Agachados: Luiznho. Sastre. Leonidas. Remo e Teixeirinha.
                             

1948 - Portuguesa de Desportos.
Em pé: Lorico. Djalma Santos. Manduco. Aldo. Nino e Brandãozinho.
Agachados: Renato. Pinga II. Nininho. Pinga I e Simão.


Aos 50 - Ponte Preta.
Em pé: Nenem. Derem. Riberto. Lindóia. Pitico e Carlinhos.
Agachaos: Neca. Baltazar. Nininho. Bibe e Friaça


Santos - 1948.
Em pé: Nenen. Alfredo. Telesca. Leonidio. Dinho e Artigas.
Agachados: Alemãozinho. Antoninho. Paulo. Odair e Pinhegas.


sábado, 25 de janeiro de 2014

Os craques


OS CRAQUES

Fotografia é algo fantástico!
                                                  Ela aprisiona o tempo... e com isso,
                                                         o momento se torna eterno.


                                                    
                                                                           OZÓRIO

Não se podaria dizer que era um excepcional goleiro. Tinha qualidades. Era jovem, corajoso, simples e tinha muita fé no seu futebol. Jogava no Capelense e despontava como uma promessa. Um goleiro de muito futuro pela frente. Humilde, calado e desconfiado com as coisas que o rodeavam, Ozório era um rapaz que procurava se aprimorar na difícil posição de goleiro. Seus familiares dependiam do dinheiro que ganhava defendendo as bolas arremessadas contra sua meta. Um dia, a seleção alagoana foi a Capela disputar um amistoso contra o Capelense, clube que surgia no cenário esportivo do interior como uma poderosa equipe.

A tragédia nunca tem hora marcada. Quanta conseqüência, porém, ela deixa. Quanta dor. Quanta mágoa. Uma bola lançada em profundidade na área do Capelense, Ozório saiu e corajosamente se jogou aos pés do atacante Barra no exato momento em que o atleta da seleção chutava a bola. No choque, o arqueiro ficou estendido no chão, seriamente machucado. Levado as pressas para a cidade, Ozório veio a falecer. Capela, inteira, chorou uma tragédia que matou um futuro craque. Na simpática Capela, engalanada e enfeitada para um dia  de festa,  desceu um manto escuro que ofuscou toda beleza do céu, toda ternura que, normalmente se espalhava pelas ruas da cidade. Ozório vivia debaixo da tranqüilidade e hospitalidade de um povo sincero e leal. Entretanto, quis o destino que ele encontrasse, além de grandes alegrias e muitas emoções, a tragédia e o fim de sua vida.


Quando a luz da vida se apaga no começo de uma caminhada, a própria história se encarrega de chorar uma saudade mais triste e uma dor sem remédio.


                                                                         BRITO

    Na Copa do Mundo de 1970 foi eleito pela insuspeita Organização Mundial de Saúde o jogador melhor preparado do mundo. Concorreu com o inglês Bobby Moore, o alemão Franz Beckenbauer e  o italiano Gigi Riva. Pesava 79 kg e tinha um batimento cardíaco de espetaculares 44 pulsações por minuto. Um fenômeno. Mais do que isso: um guerreiro que não admitia perder nem ser humilhado. Por essa razão, se vingaria de Iustrich por ficar no banco do Flamengo ao voltar da Copa de 1970. Um tri campeão mundial não poderia ser barrado por um Washington obscuro e medíocre. Perdeu a cabeça ao acertar um  soco em José Aldo Pereira que marcara um  pênalti contra o Botafogo.  Brito foi sempre, um beque destemido e de um formidável vigor.



                                                             O eterno Cocorote

Aos 36 anos de idade, Cocorote ainda tem inscrição pelo Ferroviário para disputar o campeonato alagoano. Apesar de veterano, ele acha que ainda tem muito que oferecer ao clube ferroviário. Dizem que quanto mais velho o goleiro se destaca mais. A experiência vivida em baixo dos três paus de uma baliza dá ao arqueiro tudo aquilo que ele gostaria de ter quando jovem. Jogando num time modesto, Cocorote está um pouco esquecido pela imprensa que somente observa as grandes defesas dos goleiros das principais equipes da cidade. Mesmo assim, ele vai seguindo na vida e fazendo suas defesas até quando Deus quiser.

Cocorote tem tido uma vida de um verdadeiro cigano. Nasceu em Sergipe, mas começou a jogar futebol nos juvenis do América de Recife. Ainda como amador foi jogar no Siqueira Campos da II Divisão de Aracajú. Seu primeiro contrato de profissional foi com o Confiança e logo se tornou bi campeão sergipano. Depois, passou pelo Ipiranga de Salvador, voltou ao Confiança e jogou ainda pelo Contiguiba, Olímpico (Sergipe). CRB, ASA (Alagoas), Alecrim (Natal) e Ferroviário (Maceió).  Foram muitos clubes, muitas emoções e também algumas decepções. A maior delas foi a sua saída do CRB. Ele estava bem, mas as fofocas infernizaram sua vida no clube. Ele lutou contra tudo e contra todos. Tentaram lhe desmoralizar, mas tudo saiu bem, e ficou apenas a grande mágoa.

Um goleiro nunca sabe o que encontrar pela frente. Porisso, muitas vezes, as glórias, as alegrias nem sempre são compensadoras. A amargura e o desconsolo, muitas vezes, fazem o arqueiro se tornar um vilão. Num clássico CSA e CRB realizado no mutange, Cocorote vinha sendo a maior figura do jogo. Tomou um frango e se tornou um jogador detestado pela torcida. Um chute de Giraldo e Cocorote não podia falhar. Ninguém estava por perto. Só ele a bola. Agachou-se para agarra-la, e em vez de garras implacáveis, a bola encontrou mãos de seda, frágeis, nervosas. A bola escorregou por entre as pernas e tomou, lentamente, o caminho das redes. Foi realmente um frango daquele tamanho. Mesmo assim, Cocorote não se abateu, não se envergonhou. O frango faz parte da vida de todos os goleiros, e ele não poderia ser uma exceção.

Cocorote também viveu grandes momentos. Entre eles aquele que formou na seleção alagoana e enfrentou o Santos no jogo de inauguração do Estádio do Trapichão. Cocorote foi funcionário da Rede Ferroviária e  levava a vida para oferecer a sua família o conforto que ela merece. Não ia aos estádios para assistir jogos de futebol. Quando faleceu deixou muitos amigos e uma imensa saudade para seus familiares.





OTÁVIO – O ARTILHEIRO DO BOTAFOGO

Otávio nasceu no Pará no dia 19 de julho de 1923. O pai foi jogador do Paissandu e se mudou com a família para o Rio de Janeiro em 1931. Morando em Copacabana, Otávio foi estudar no Colégio Santa Rosa. Estudava e jogava futebol. Com atividade como escoteiro no bairro das Laranjeiras, ingressou no juvenil do Fluminense. Não ficou muito tempo no tricolor. Aceitou o convite de Togo Renan Soares e foi para o Botafogo. No ano de 1944 recebia dois contos de réis por mês para defender o clube da Estrela Solitária. Foi vice-campeão carioca de 1945. 1946 e 1947 e campeão em 1948. Campeão e artilheiro do campeonato.
Em 1949 foi convocado pela primeira vez para a seleção brasileira que disputou do campeonato Sul Americano realizado no Rio de Janeiro. Foi titular e perdeu a posição para Ademir do ultimo jogo contra os paraguaios.
Em 1952 deixou o Botafogo e assinou contrato com o Santos. Na época, já formado em arquitetura e com saudades do Rio de Janeiro não cumpriu seu contrato como Santos até o fim. Foi para o Fluminense com o técnico Zezé Moreira. Aos 29 anos deixou o clube das Laranjeiras e assinou com a Portuguesa carioca onde encerrou sua carreira para cuidar da sua profissão de arquiteto. Antes, porém, foi até a cidade de Santos para devolver parte do dinheiro que tinha recebido pelo contrato assinado que não cumpriu até o fim. Modesto Roma, presidente do Santos, preferiu não aceitar e agradecer pela honestidade.

Otávio faleceu no dia 19 de outubro de 2009.




                                                                      CESAR

Defender uma bola que vem alta, rebater de soco ou fazer uma ponte, são coisas que um bom goleiro deve conhecer para não errar. E todo grande goleiro precisa ser tranqüilo, elástico, voador, quando necessário. Cessar tinha tudo isso e mais alguma coisa. Quando defendia o Clube de Regatas Brasil, chegou a ser considerado a maior expressão do nosso futebol. Um craque do gol. Um espetáculo a parte, que enchia a vista dos torcedores, fazendo-os vibrar com suas defesas maravilhosas. E Cessar merecia esse destaque. O amor pela profissão, o entusiasmo com que se empenhava nos treinamentos, a lealdade com seus companheiros, dirigentes e torcedores, fazia de Cessar um craque nota dez.

Começando nos juvenis do CSA e passando depois para a mesma categoria no CRB, ele conseguiu galgar todos os degraus da fama. Para Cesar jogar futebol era fácil. Tudo aquilo que é feito com carinho e amor é fácil de fazer. No CRB, foi campeão seis vezes: 1972. 1973 e 1976. 1977. 1978. 1979, um tetra campeonato. Viveu o céu e o inferno no Corinthians Paulista. Ainda jogou no ASA de Arapiraca e no Flamengo do Piaui. No clube de Teresina, foi bi campeão e duas vezes o melhor goleiro do ano.

A posição de goleiro é ingrata. Em certos momentos, é a grande esperança do seu time. Quando chamado é chamado frangueiro, fica marcado pela própria torcida. Cesar já sentiu isso na pele. Foi jogando pelo Corinthians. Entretanto, a injustiça, serviu para realçar uma grande virtude: sua personalidade. Lutando calado em meia a tempestade, sem lamentar ou lançar acusações, ele soube reverter a situação. Não demorou muito e voltou a ser o grande goleiro que era.

Hoje, Cessar mora na Barra de São Miguel e trabalha com o turismo. Se não tem uma vida totalmente tranqüila, pelo menos, está de bem com a família. Agora, vamos dar a Cessar o que é de Cessar. O Museu dos Esportes Edvaldo Alves Santa Rosa, o Dida, através do projeto Cantinho da Saudade, homenageou o grande goleiro alagoano.

     
 

                                              
                                                             DJALMA SANTOS

Djalma Santos é o atleta que mais participou de jogos internacionais pelo Brasil. Disputou três mundiais. Foi campeão em 1958 e 1962 e participou do desastre da Copa de 1966. Foi convidado pela FIFA para jogar no seu selecionado, em 1963, contra a Inglaterra. Também disputou quatro campeonatos sul-americanos, participou de vários outros torneios continentais e foi campeão  no pan-americano realizado em Santiago do Chile no ano de 1952. Era sua primeira convocação para a seleção e seu primeiro título.

O caráter de Djalma Santos é tão forte quanto era a sua técnica como jogador de futebol. A torcida gostava de ver Djalma jogando porque ele dava o seu sangue em campo pelos times que defendia. Em jogo contra os uruguaios  pelo sul-americano Extra de 1956, Djalma Santos jogou seu rosto contra o pé do uruguaio Borges para impedir o gol adversário. O jogo foi 0 a 0, o Uruguai terminou campeão e o Brasil apenas lutava para sair do quarto lugar. Para Djalma Santos, contudo, o que importava era a defesa de sua Seleção. Ele teve um corte profundo no rosto pelo impacto da chuteira uruguaia. A Portuguesa de Desportos, que o lançou, o Palmeiras e o Atlético Paranaense muito têm que agradecer a Djalma Santos pelo exemplo que deixou nesses clubes.

Djalma Santos, que nasceu em fevereiro de 1929 na cidade de São Paulo. Fez seu primeiro jogo pela Seleção em 10 de abril de 1952, em Santiago do Chile, partida na qual o Brasil empatou com o Peru em 0 a 0, pelo campeonato pan-americano realizado no Chile. No time brasileiro havia dois Santos e como Santos eram chamados em seus clubes. Para diferenciá-los, a imprensa passou a chamar um de Djalma Santos e o outro de Nílton Santos.

A despedida de Djalma Santos da Seleção se deu em 9 de junho de 1968. O grande craque entrou em campo somente para receber a justa homenagem. A partida foi contra o Uruguai, no Pacaembú, o Brasil venceu por 2 a 0 e Djalma foi substituído no transcorrer do prélio por Carlos Alberto Torres, que viria a ser seu digno sucessor.




                                           Almir Pernambuquinho

Almir foi um dos jogadores mais polêmicos do futebol brasileiro. Anjo para uns. Demônio para outros. Não gostava nem de perder treino. Começou nos juvenis do Sport Recife e foi para o Vasco da Gama em 1957. Era um garoto que não bebia nem fumava. No final de sua carreira, Almir gostava de perguntar – Porque fui marginal ?  Marginal era eu, um garoto educado em colégio religioso ou os caras que me davam “bolinha” ? A imprensa não queria saber e, em todos os episódios que Almir se envolveu foi chamado de marginal. E foram muitos esses episódios. Almir quebrou a perna do zagueiro do América Hélio. Brigou na final do mundial de clubes no jogo Santos e Milan. Na final do campeonato carioca entre Flamengo e Bangú. No campeonato sul-americano de seleções quando jogavam brasileiros e uruguaios. Ele nunca escondeu que tomava “bolinha”.

Foi contratado pelo Corinthians como o Pelé branco. Sua passagem pelo futebol paulista foi muito ruim. Boicotado pelos jogadores corinthianos, casou com pouco tempo de namoro, e teve sua vida familiar comprometida pela sua vida de boêmio. Mas, sua mulher segurou a barra e continuou ao lado de Almir por muitos anos. Por outro lado amadureceu, começou a sentir o submundo do futebol. Do Corinthians foi para o Boca Junior jogar ao lado dos brasileiros Orlando Peçanha. Dino Sani. Edson. Maurinho e Paulo Valentim. Sua ultima partida pelo clube argentino foi contra Chacaritas e Almir terminou brigado em campo e foi expulso. Na Itália, jogou na Fiorentina por seis meses. Como estava contundido e sua recuperação foi difícil por causa do frio, foi emprestado ao Gênova, onde a cidade era mais quente e poderia se recuperar mais rápido. Mesmo recuperado, não se deu muito bem no futebol italiano.

Voltou ao Brasil jogando pelo Santos. Com vinte e sete anos de idade chegava ao Flamengo como um veterano. Estava saturado de conhecimento do futebol, dentro e fora do campo. Sabia distinguir o cartola, que faz do futebol uma forma de promoção pessoal, e o dirigente que trabalhava por amor ao clube. Depois de uma briga com o treinador Flávio Costa, foi para o América onde encerrou sua carreira. Para variar, em seu ultimo jogo no clube de Campos Sales, acabou brigando com todo mundo, num jogo contra o Olaria no campo da rua Bariri. Tudo começou entre Sabará e Almir. Foi uma guerra. Todo mundo brigou. Os pais sempre queriam que ele voltasse ao Recife. Almir preferia permanecer em Copacabana que, pelas suas belezas naturais, atraia o pernambuquinho.

Quando abandonou o futebol Almir ficou sem fazer nada. Só sabia jogar futebol. A ociosidade era o grande problema para ele. Passava o tempo longe dos campo, tomando cerveja com os amigos em Copacabana onde morava. Por trás do amor que tinha pelo Rio de Janeiro e  Copacabana, escondia um drama que só os amigos mais íntimos podiam notar. Uma nostalgia, uma solidão que o atacava no meio da noite e que fazia ter o seu apartamento cheio de amigos, dormindo pelos cantos. Quando as férias escolares se aproximavam, Almir era um novo homem. Almirzito, seu filho, passava alguns meses com o pai. Se quando jogava, Almir fazia farras e passava noites sem dormir. Depois que parou, ninguém via o pernambuquinho na rua depois da meia noite. E foi as 14 horas e 30 minutos do dia 6 de fevereiro de 1973, no Bar Rio Jerez, em Copacabana, que uma bala atirada pelo português Artur Garcia Soares atingiu Almir na cabeça, com hemorragia das meninges e destruição parcial do tecido nervoso cerebral. Uma morte brutal, consumada com requintes de perversidade. O assassino não lhe deu oportunidade de defesa e o matou por motivo fútil. Uma discussão de bar que não teria maiores conseqüências  se o português não estivesse armado. Artur Garcia Jerez ainda matou com dois tiros um amigo de Almir, o comerciante Alberto Ribeiro, e feriu o agente de investimento Elói de Lima, quando este tentava evitar sua fuga. Sepultado no Cemitério São João Batista, Almir recebeu as homenagens de  amigos e familiares. Dona Dedé, mãe de Almir, perguntava junto ao corpo do filho: “Meus Deus, para que tanta glória ? Para que tanta glória em tão pouco tempo e um tempo tão longo de separação ? Preferia meu filho na obscuridade. Talvez assim ele ainda estivesse ao meu lado. A glória me roubou meu Almir”.

Fonte: livro – Eu e o Futebol.

  


                                                                 CARLOS CASTLHO

Ele foi o maior goleiro da história do Fluminense. Vestiu a camisa do tricolor das Laranjeiras por quase vinte anos.  Jogou pelo Fluminense 696 vezes e não sofreu gols em 255 delas. Conquistou os campeonatos carioca de 1951. 1959 e 1964.  Pela seleção brasileira foi campeão sul-americano em 1949 como reserva de Barbosa. Participou de quatro Copas dos Mundo: 1950.1954. 1958 e 1962. Foi bi campeão em 58 e 62. Seu amor pelo era tão grande que amputou um dedo da mão para voltar a jogar. Carlos Castilho nasceu no dia 27 de novembro de 1927 e faleceu no dia 2 de fevereiro de 1987.




ORIZON

Orizon Braga surgiu no futebol como uma das grandes revelações do nosso futebol. Ele nasceu no dia 30 de novembro de 1932. Começou no juvenil do América atuando como ponta direita e foi campeão em 1947 com quinze anos. Depois foi para o Ferroviário onde foi bi campeão nos anos de 1943 e 1954. Suas grandes atuações fizeram com que ele fosse contratado pelo CSA. No clube azulino continuou a colecionar faixas de campeão. Foi tetra campeão em 1955. 1956. 1957 e 1958. Na sua transferência para o Capelense mais um título de campeão: 1959. Depois encerrou sua carreira com um currículo invejável.

Alto, magro e dono de um vistoso futebol, Orizon era o dono da área do seu clube. No CSA formou com Neu uma dupla de zagueiros mais famosos e duradouros da história do clube. Era um grande cobrador de penalidades máximas e um jogador indispensável a seleção alagoana. Durante todo o ano de 1958 foi titular absoluto na seleção. Os torcedores da velha guarda não esquecem de Orizon Braga. 

Orizon faleceu no dia 07 de outubro de 2007.



                            
                                                                   LEIVINHA


João Leiva Campos Filho nasceu em Novo Horizonte no dia 11 de setembro de 1949. Depois de praticar basquete e futebol de salão, iniciou sua carreira no juvenil do C. A Linense em meados de 1965. O rosto de menino com um futebol de adulto sempre causou admiração e um certo espanto. João Leiva Campos Filho nasceu em Novo Horizonte no dia 11 de setembro de 1949. Depois de praticar basquete e futebol de salão, iniciou sua carreira no juvenil do João Leiva Campos Filho nasceu em Novo Horizonte no dia 11 de setembro de 1949. Depois de praticar basquete e futebol de salão, iniciou sua carreira no juvenil do C. A Linense em meados de 1965. O rosto de menino com um futebol de adulto sempre causou admiração e um certo espanto.
Não demorou para receber oportunidades na equipe principal do Linense. Aos 15 anos já era profissional e suas boas atuações despertaram o interesse da Portuguesa de Desportos, que em 1966, levou o craque para um período de testes.
Leivinha chegou ao Canindé em 16 de setembro de 1966, com apenas 17 anos. Treinando entre os titulares, marcou dois gols e quatro dias depois foi contratado em definitivo junto ao Linense por Cr$ 30 milhões, recebendo luvas de Cr$ 5 milhões.
Com uma semana de clube, Leivinha fez sua estréia em 12 de outubro de 1966, na vitória de 2×0 sobre o São Paulo pelo Campeonato Paulista. Ao lado de “Ivair o Príncipe”, formou uma dupla de ataque temida e respeitada.
Em 1968, Leivinha teve sua primeira oportunidade na Seleção Brasileira em uma partida contra o Coritiba. Ao lado de craques como Tostão, Zé Carlos e Dirceu Lopes, participou da construção daquela vitória pelo placar de 2×1, quando entrou em campo na segunda etapa.
 Leivinha virou sonho de consumo de várias equipes do futebol brasileiro. Primeiro foi São Paulo, do presidente Henri Aidar, que ofereceu 1 milhão de cruzeiros para ter o atacante no Morumbi.
(Tardes do Morumbi).


                                                                         ARÉDIO

 O CRB tinha um jogador chamado Arédio que formou com Laxinha uma dupla de área extraordinária. Oitenta por cento dos gols assinalados pelo clube da pajuçara naquela época, tinha a marca desses dois artilheiros. Arédio atuava pela meia direita e tinha um senso de oportunismo fora do comum. Ele tinha o malabarismo e a improvisação dos grandes atacantes.

Arédio começou jogando no Comércio em 1942. Foi uma grande fase para o atacante que disputava a segunda divisão do futebol alagoano. O Comércio foi campeão e promovido para a primeira divisão. Jogando na divisão principal, Arédio começou a ser observado pelos grandes clubes da cidade. Zequito Porto, treinador do CRB, tentou levá-lo para o clube da pajuçara. Muitos convites foram recusados. Arédio não era ambicioso. Gostava do Comercio e lá pretendia ficar por muitos anos. O CRB, através do seu presidente, Mauro Paiva, tentou uma jogada suja para levá-lo para pajuçara. Sabendo que Arédio era sócio do CRB, o presidente advertiu que os estatutos não permitia que ele enfrentasse o clube atuando pelo Comércio. Se assim fizesse, poderia até ser eliminado do quadro de sócios. Mesmo assim, ele continuou no clube suburbano. Somente em 1946 é que acabou aceitando o convite do CRB.


E foi no CRB que Arédio viveu os melhores momentos de sua vida. Foi bi campeão alagoanos nos anos de 1950/51 e defendeu a seleção alagoana em várias oportunidades. Como  artilheiro, Arédio nunca ficou na pior. Nada mais melancólico do que um goleador sem fazer gols. Ele sempre foi muito regular em matéria de assinalar tentos. Nem muito, nem tão pouco. Apenas o suficiente para que o CRB vencesse suas partidas e a torcida vibrasse com o balançar das redes. Discretamente acompanha a evolução do futebol. Entretanto, prefere o do seu tempo. Tempo do amadorismo puro, do pouco dinheiro e muito futebol.


EMERSON LEÃO

Leão nasceu no dia 11 de julho de 1949, em Ribeirão Preto (SP), e começou a carreira no São José (SP) e em seguida jogou no Comercial (SP). Em 1969, ele teve o passe comprado pelo Palmeiras, clube no qual se tornou ídolo em pouco tempo e  logo ganhou uma oportunidade na seleção brasileira.

Assim que chegou ao novo clube, Leão mostrou ter personalidade forte, como lembra o ex-volante Dudu. "Ele já queria ganhar salário igual ao meu, ao do Ademir da Guia e aos dos jogadores mais antigos. O Leão sempre teve personalidade. E sempre foi um grande profissional", conta Dudu.

No Verdão, Leão formou uma das maiores defesas da história do clube ao lado de Eurico, Luís Pereira, Alfredo e Zeca. Além disso, o goleiro colecionou títulos enquanto esteve no Palestra Itália, entre eles os paulistas de 1972, 1974 e 1976, os brasileiros de 1972 e 1973 e o Robertão de 1969.

Em 1970, com apenas 20 anos, ele foi terceiro goleiro da seleção brasileira que conquistou a Copa do Mundo do México em 70. Em 1974 e 1978, ele foi o titular do Brasil nos mundiais da Alemanha e Argentina.
No segundo semestre de 1978, o Vasco da Gama contratou Leão, que permaneceu em São Januário por dois anos e foi defender o Grêmio, equipe na qual conquistou o Brasileiro de 1981.

Em 1983, a diretoria do Corinthians, atendendo pedido dos jogadores que formavam a "Democracia Corintiana", contratou o goleiro. "Eu apoiei a contratação do Leão na época, pois o chava um grande goleiro. Mas nunca gostei dele como pessoa", diz Sócrates, o principal jogador do Timão no começo dos anos 80.

No Parque São Jorge, apesar de não ter bom relacionamento com Sócrates, Casagrande, Wladimir e companhia, Leão foi peça fundamental na conquista do Paulista de 1983.

Em 1984, ele retornou ao Palmeiras, onde permaneceu até 1986, ano que disputou a Copa do Mundo de México (era reserva de Carlos). Em 1987, Leão foi para o Sport Recife e no mesmo ano acumulou as funções de goleiro e treinador.




                                     EPAMINONDAS – O GOLEIRO DOS PUNHOS DE AÇO

Magro, alto e ágil, seu Nondas era um goleiro excepcional. Cada uma de suas defesas era um ato de consciência e sabedoria. Era sóbrio e incapaz de um movimento gratuito ou estritamente plástico. Procurava não enfeitar as jogadas e só lhe interessava impedir o gol adversário. Quem teve a felicidade de vê-lo jogando, sabe que Epaminondas realizava verdadeiros milagres.

Socar uma bola no ar, não é tão fácil quanto parece. Exige uma coordenação de movimentos muito grande, principalmente, se o goleiro usar apenas os punhos. Epaminondas foi um mestre na arte de socar uma bola. Por isso, quando jogava no futebol pernambucano, foi chamado de “O GOLEIRO DOS PUNHOS DE AÇO.” E não foi por acaso que ele defendeu a Seleção Alagoana por muitos anos.

Nos dias de hoje, dificilmente vemos um arqueiro como Epaminondas. Foi goleiro durante duas décadas. Aos quarenta anos de idade, ainda jogava futebol, e sem os treinamentos especiais que os goleiros de hoje fazem. Seu Nondas viveu uma época em que havia mais qualidade e menos dinheiro. Um período que não tinha rádio e televisão, bem diferente dos dias de hoje, onde jornal, rádio e TV oferecem cobertura total ao futebol e aos seus jogadores.

O futebol lhe rendeu muitos amigos, um emprego e nada mais. Aposentado da Prefeitura, Epaminondas, com oitenta e oito anos de idade, vive longe dos estádios de futebol.



        BIGUA E O TRI CARIOCA DE 1944


Quando estava vivo, o craque Biguá do Flamengo relembrou a conquista do tri campeonato de 1944. Aqui está o relato do antigo jogador do Mengo.

Foi a maior emoção que tive como jogador do Flamengo. Nosso time ficou desfalcado durante toda a campanha do tri de seu maior jogador, o Domingos da Guia. Aliás, Domingos foi o maior jogador de futebol da sua época. Ele jogou conosco em 1942 e 1943, mas no ano seguinte foi para o Corinthians. O time sentiu muito a sua falta. Afinal era a nossa peça mais importante. Em seu lugar entrou Quirino, que procurou dar tudo de si para que ninguém sentisse a falta do grande Domingos da Guia. Mas não era a mesma coisa. Nosso técnico, Flavio Costa, costuma chamar o Quirino e dizer que ele podia jogar igual ao Domingos, bastava querer. O rapaz ficava empolgado e às vezes, até surpreendia, tal a sua vontade de vencer. Naquele ano, além de Domingos, o time ficou desfalcado de Perácio, que foi para a guerra. No seu lugar entrou Tião. Mas, da mesma forma que o Quirino não substituía bem o Domingos, o Tião não era igual ao Perácio.

      A partida decisiva pelo tri campeonato foi contra o Vasco, na Gávea. Ganhamos de 1x0, no peito e na raça. Quando ninguém mais acreditava no titulo, eis que os jogadores se superaram e arrancaram o tri campeonato histórico para as cores rubros negros. Foi uma conquista memorável. O time do Vasco era superior ao nosso e estava completo. Mas nós tínhamos a vantagem de jogar em casa, onde dificilmente perdíamos. Pra falar a verdade esse era o nosso único ponto positivo e nós não podíamos deixar escapar um titulo tão importante, dentro do nosso terreno. Entramos em campo certos de que enfrentaríamos uma batalha dura, mas sabíamos também que cada um de nós daria o máximo para chegar a vitória. A vitória de 1x0, gol de Valido, foi contestado pelos vascaínos. Para o Flamengo o que interessava é que conquistamos o tri campeonato carioca em 1944 e aquele dia se tornou um dia de glória para os jogadores da Gávea. Foi um titulo muito importante e um dia muito especial na minha carreira – concluiu Biguá.



   

CANHOTO PERDEU O MAIOR GOL DE SUA VIDA
Escrito por Lauthenay Perdigão para a Gazeta de Alagoas em 1964

A transferência do atacante Canhoto para o futebol pernambucano, ou mais precisamente para o Náutico foi acompanhado com detalhes por toda torcida alagoano, especialmente a do CRB.
Depois de marchas e contra marchas, as bases entre os dois clubes foram acertadas. Dois milhões e meio de cruzeiros, um jogo de graça em Maceió, e mais um jogador para o CRB, além de oitocentos mil cruzeiros de luvas para o jogador, que teria cincoenta mil cruzeiros mensais. Na terça feira lá se foi Biano e Canhoto para Recife. O diretor para receber o dinheiro. O jogador para estrear no domingo. No dia seguinte, para surpresa de todos. Regressaram Biano e Canhoto. Que teria havido? Muito simples. O Náutico pagava um milhão e meio à vista e o restante em duas prestações. Quanto as luvas do jogador seriam parceladas, incluídas no ordenado. Entretanto, Biano não concordou com a proposta do Náutico, e regressou com seu atleta. Tudo desfeito entre Náutico e CRB. Quem gostou de tudo foi a torcida do cube da pajuçara.

Para nós, o Regatas perdeu uma oportunidade que dificilmente terá novamente. Em todo lugar, a maioria das transferências desse tipo é feito parceladamente, principalmente, quando se trata de uma importância mais ou menos elevada. Afinal, o CRB receberia um milhão e meio na mão e o restante em notas promissórias com vencimento certo. Teria também a arrecadação de um jogo do Náutico em Maceió, que poderia lhe render mais um milhão de cruzeiros. O jogador, receberia seu ordenado e parte das luvas. Seria um bom ordenado. O maior jogador de futebol do mundo, Pelé, recebe as luvas incluídas no salário. Seria um negócio da china para Canhoto, que tecnicamente não é um craque. É um jogador lutador, artilheiro e que tem como principal característica saber aproveitar as oportunidades que surgem na área do adversário. Se as negociações tivessem sido concretizadas, ganharia o jogador e o CRB. Agora perguntamos, e o Náutico? Ganharia também? Isso ninguém sabe. Só tempo diria. Canhoto é o tipo dom jogador que para render o máximo e se tornar artilheiro precisa de um jogador que saiba lhe entregar a bola como ele saber aproveitar. No CRB tem Tonho Lima. No Náutico encontraria um companheiro ideal. O treinador Gonzales queria lançá-lo imediatamente no time titular. Não se pode negar os méritos do jogador Canhoto como grande artilheiro. Entretanto, o ambiente seria outro. O ambiente profissional é bem diferente do nosso. Canhoto poderia vencer no futebol pernambucano. Ser uma estrela no time do Náutico, e até, brilhar no futebol brasileiro. Mas isso é uma incógnita. O artilheiro do CRB não vem sendo muito feliz em suas últimas apresentações. Seria o peso da responsabilidade pensando na sua possível transferência para o Náutico?





Um dos melhores zagueiros da história do Palmeiras e do futebol brasileiro, Luís Edmundo Pereira, o baiano Luís Pereira, começou a trabalhar, em 2002, com as categorias inferiores do Atlético de Madrid, da Espanha, clube no qual jogou na segunda metade dos anos 70.

Nascido no dia 21 de junho de 1949 na cidade de Juazeiro (BA) e pai de dois filhos (de seu primeiro casamento), Luís Pereira começou sua carreira no São Bento (SP), onde era conhecido como Luís Chevrolet, e em 1968 foi contratado para defender o Palmeiras.

No alviverde, ao lado de Leão, Eurico, Alfredo e Zeca, formou uma das defesas mais lembradas e elogiadas do Brasil em todos os tempos. Atuou em 568 partidas pelo Palmeiras (283vitórias, 193 empates, 92 derrotas) e marcou 35 gols. Ainda pelo Palmeiras, conquistou os títulos do Brasileirão de 1972 e 1973, do Roberto Gomes Pedrosa de 1969 e do Paulistão de 1972 e 1974. Além de ser um beque extremamente técnico e que dava grande segurança no sistema defensivo, Luís Pereira também tinha capacidade para chegar no ataque e marcar gols.

Disputou a Copa do Mundo da Alemanha, em 1974, quando recebeu um dos raros cartões vermelhos por jogada violenta em Neeskens no jogo contra a Holanda.


Além de brilhar no Palmeiras e jogar no São Bento (SP) e Atlético de Madrid, Luís Pereira também atuou pelo Flamengo, Santo André (SP), Portuguesa, Corinthians, Central de Cotia, São Caetano e outras equipes modestas do interior paulista.




                                                                                BIÉ


Em 1973 o Clube de Regatas Brasil tinha um atacante que ficou no coração da torcida alvirubra. Tinha um apelido estranho, mas um faro de gol como dos grandes artilheiros – Bié. Passou pouco tempo pelo CRB. Entretanto, marcou muitos gols. E gols decisivos. Era desengonçado, tinha cabelo black power e uma arrancada em direção ao gol que deixava as defesas adversárias em polvorosa. No campeonato brasileiro de 1973, contra o Nacional de Manaus, no Trapichão, Bié fez três gols que deram a vitória ao CRB por 3x1. Um desses gols pode ser considerado um dos mais bonitos marcados no Trapichão. Bié saiu com a bola no meio campo e foi driblando todos aqueles que encontrava pela frente. Foi realmente um gol de placa.






ADEMIR MARQUES DE MENEZES –
O craque do meu coração.

 ADEMIR nasceu em Recife no dia 08 de novembro de 1922. Foi um dos maiores goleadores do futebol brasileiro. Jogador inteligente observava e explorava as deficiências dos adversários. Tinha o faro raro dos artilheiros. Uma bola lançada em profundidade dificilmente Ademir deixava de marcar seus gols. O pique extraordinário e as arrancadas fulminantes eram as marcas registradas do “queixada”. Era presença obrigatória na seleção carioca e brasileira. Foi artilheiro da Copa do Mundo de 1950 com nove gols em seis jogos. Conquistou cinco títulos de campeão carioca jogando pelo Vasco.  Pelo Fluminense foi csmpeão em 1946. Teve uma turbulenta transferência para as Laranjeiras em 1946 quando o treinador tricolor, Gentil Cardoso, disse ao presidente do Fluminense: “Me dê Ademir e eu lhes darei o campeonato”. A decisão do campeonato carioca de 1946 foi entre Fluminense e Botafogo em São Januário. O Fluminense venceu o Botafogo por 1x0, gol de ADEMIR. Em 1949  Ademir voltou para o Vasco da Gama. O grande craque pernambucano que começou jogando no Sport Recife, foi artilheiro do campeonato carioca de 1949 com trinta gols e 1950 com vinte e três gols. Na seleção brasileira, jogou quarenta e uma partidas e marcou trinta e cinco gols. Foi campeão sul-americano em 1949.

Seu estilo de jogo era o que havia de melhor em sua época. Sua versatilidade em atuar em qualquer posição do ataque e sua habilidade nas arrancadas para o gol adversário obrigava as defesas criarem maneiras para contê-lo. Ademir fazia jogadas que maravilhava a torcida brasileira. Uma bola lançada em direção à área adversária encontrava o centro avante numa arrancada como um raio. O desfecho da jogada, era quase sempre com a bola no fundo das redes.


O pernambucano Ademir Marques de Menezes, conquistou muitos títulos e se transformou em um dos maiores artilheiros do futebol brasileiro. Foi bi campeão pernambucano pelo juvenil do Sport Recife nos anos de 1939 e 1938. Foi tri campeão pelos profissionais do clube rubro negro em 1939. 1940 e 1941. Com a camisa do Vasco da Gama, foi campeão carioca nos anos de 1945. 1948. 1949. 1950 e 1952. Também foi super campeão pelo Fluminense em 1946. Pela seleção carioca foi campeão brasileiro nos anos de 1943. 1944. 1946 e 1950. Vestindo a camisa da seleção brasileira foi campeão sul-americano de 1949. Campeão pan-americano de 1952 e vice-campeão mundial em 1950. 



                  JORGE VASCONCELOS – 

                       O técnico torcedor


Bastava o CRB entrar em crise e logo chamavam Jorge Vasconcelos.
Ele pagava para trabalhar. Não importa. Seu amor pelo clube era antigo e a recíproca era verdadeira.  Chegaram a pensar em colocar sua estátua em frente à sede social do CRB.

Talvez o CRB tenha sido o clube brasileiro onde seu técnico não recebe salário e ainda paga para exercer o cargo. É que Jorge Vasconcelos com mais de 40 anos de serviços prestados ao clube da pajuçara, acabou pertencendo ao grupo dos 60 conselheiros, chamados homens de ouro, pela quase obrigatoriedade  de contribuir mensalmente com o dinheiro  necessário  para a sobrevivência do clube. Isso depois de passar pelos mais diversos cargos: enfermeiro, massagista, supervisor, diretor de futebol e, enfim, técnico.

Sua abnegação era tão grande que até lançaram a idéia de construir uma estátua, tamanho gigante e coloca-la bem na frente da sede social do CRB por tudo que Jorge Vasconcelos fez pelo clube. Chegou a ser preparador físico a convite do então técnico Zequito Porto, outro que virou conselheiro. Foi ai que começou o seu namoro com o CRB e que somente terminou com a sua morte.

Como jogador começou nos juvenis do Alexandria. Jogava de zagueiro e nunca passou de bonzinho. Superava sua deficiência técnica com muita raça e determinação. Ainda defendeu o Esporte Clube Alagoas. Como técnico, era considerado “pé quente” e alcançou muitos títulos no comando do plantel alvi rubro. O primeiro foi  em 1964. O técnico era Pinguela que teve de se ausentar para cuidar da doença de sua mãe no Rio de Janeiro. Jorge assumiu e ganhou o titulo de campeão alagoano. Quando Pinguela voltou, ele saiu para exercer outro cargo, sem se desligar do clube. Em 1969, depois de um primeiro medíocre, Jorge Vasconcelos virou a solução. E não deu outra. O CRB reagiu e foi campeão. Mesmo assim, continuou como “quebra galho”. Danilo Alvim foi contratado para substitui-lo. Jorge ficou como supervisor. Em 1970, com ele, o CRB foi bi campeão.

Em 1973, ninguém acreditava que o CRB pudesse conquistar o campeonato. A cada jogo o titulo ficava mais distante. Chamaram o Jorge Vasconcelos, ele ajeitou o time e ganhou mais um titulo de campeão alagoano.  Depois, somente voltou ao comando técnico do CRB atendendo um pedido do presidente Mendes de Barros. Para variar, pegou o time abatido, desmoralizado, sob o comando de Paulo Poleto que tinha perdido o primeiro turno. Jorge assumiu, deu alma nova ao time, moral aos jogadores e ganharam seis jogos contra o CSA o titulo de campeão. Sua filosofia era sempre colocar seu time no ataque. Jamais o CRB jogou  na defesa com Jorge Vasconcelos.

Ao contrário do que muitos pensam, Jorge Vasconcelos era um sujeito de pouca conversa e sorrisos raros. Muitas vezes era até considerado como antipático, uma imagem que se perde diante do amor  que dedicava ao CRB, da honestidade do seu trabalho e da maneira como tratar seus jogadores.





                     DOMINGOS DA GUIA


França, 1938, Estádio de Marselha, semifinais da Copa do Mundo. A seleção brasileira perdia de 1x0 para a Itália, mas pressionava o adversário em busca do empate. Aos 17 minutos do primeiro tempo, quando todos no estádio já previam o gol do Brasil, veio o golpe fatal. Piola, um atacante alto e troncudo da esquadra azurra, inconformado com a impiedosa marcação do clássico e talentoso Domingos da Guia, provocou um dos lances mais discutidos da história do futebol. Um pênalti que custaria a perda da terceira Copa do Mundo e marcaria para sempre a carreira de Domingos da Guia que reclama da marcação do arbitro –
-          Aquela derrota de 2x1 para os italianos está atravessada na minha garganta até hoje. Não houve pênalti algum. È que o Brasil não podia ganhar da Itália de Mussolini. O arbitro, um húngaro, cumpriu apenas a sua missão, ou seja, a de dar a vitória aos italianos.

Continua afirmando que aquela derrota de 2x1 para os italianos está atravessada na sua garganta até hoje (1986 quando ele deu essa entrevista). Segundo Domingos da Guia não houve pênalti algum. É que o Brasil não podia ganhar da Itália do Mussolini. O árbitro apenas cumpriu sua missão, a de dar a vitória aos italianos. O lance foi claríssimo. Domingos e Machado não permitiram que Piola tentasse qualquer jogada na área brasileira. Era uma marcação leal, mas severa. Numa dessas jogadas individuais, Piola cruzou tão mal que a bola saiu pela linha de fundo. Com o estádio inteiro vaiando aquele lance bisonho, Domingos passou perto de Piola e deu um leve sorriso. Foi o bastante para que o italiano desse um pontapé em Domingos dentro da área. Depois do pontapé Domingos saiu correndo atrás do Piola para revidar. O juiz assistiu tudo de perto e correu em direção do brasileiro que pensava que estava expulso. Não era isso, o arbitro marcou pênalti contra o Brasil. Pela narração de Domingos o juiz não poderia dar o pênalti porque o jogo estava parado.

Reconhecido até hoje com um dos maiores zagueiros do futebol brasileiro em todos os tempos, Domingos da Guia sempre era o principal jogador dos times que defendeu. Foi assim até 1946, quando Flávio Costa o dispensou da seleção brasileira. Ele consegui a incrível façanha de ganhar um tri campeonato por três clubes em paises diferentes: 1933 (Nacional de Montevidéu). 1934 (Vasco do Brasil) e 1935 (Boca Junior da Argentina).




MEMORIAS DO GOLEIRO JURANDIR

Jurandir foi tri campeão pelo Flamengo nos anos quarenta e defendeu as seleções do Rio e do Brasil. Quando jogou no clube da Gávea tentaram suborná-lo. Ele mesmo conta o que aconteceu.

“Dois aliciadores conhecidos no Rio de Janeiro me procuraram e fizeram à proposta: 15 mil cruzeiros para abrir o jogo domingo quando o Flamengo enfrentaria o Botafogo. Rubens Soares e Sabiá disseram que tinha mais jogadores do clube na gaveta. Eu disse: só fecharei o negocio se eles me revelarem os outros nomes. Rubens retrucou: Isso não. A alma do negocio é o segredo. Se separei deles e logo encontrei Fernando Giudicelli. Contei-lhe o sucedido. Ele arregalou os olhos e disse: Você não pegou ? Es um burro. Aceite os 15 cruzeiros, guarde-os para ti e faça a maior partida da sua vida. No dia seguinte fechei o negocio sem muita convicção do que estava fazendo. Passei as noites de sexta feira para sábado e sábado para domingo com pesadelos rondando a minha cabeça. E se me desse um azar e eu jogasse mal. Engolisse um frango... a idéia me apavorava. Acordei várias vezes à noite com a sensação de que o publico estava me linchando e gritando Vendido! Vendido!.”


“Eu tinha a consciência limpa, mas os pesadelos não me deixavam. Temia um fracasso, coisa natural na vida de todos nós. A diretoria do Flamengo já estava sabendo de tudo. Os jogadores também. Se enterrasse o time como seria no vestiário na frente de Vevé meu grande amigo e Flavio Costa o técnico que me deu a oportunidade de jogar no Flamengo ? Chegou o domingo e no almoço sentei-me perto do Vevé e Jaime os quais sabendo da tentativa do suborno contra minha pessoa, mostraram-se um pouco reservados, falando menos do que de costume. À tarde fomos para o campo. Chegou à hora do jogo e com ela a tranqüilidade. Era uma tranqüilidade nascida do desejo de contrariar as intenções daqueles que queriam a todo custo, comprar algo que não podia vender por não me pertencer. Para encurtar a história. Vencemos a partida por 4x0. Defendi muito bem minha meta. Quando terminou o jogo com a surpreendente vitória do Flamengo foi mais surpreendente para Sabiá e Rubens Soares"





                                                              CARLOS CASTLHO


Ele foi o maior goleiro da história do Fluminense. Vestiu a camisa do tricolor das Laranjeiras por quase vinte anos.  Jogou pelo Fluminense 696 vezes e não sofreu gols em 255 delas. Conquistou os campeonatos carioca de 1951. 1959 e 1964.  Pela seleção brasileira foi campeão sul-americano em 1949 como reserva de Barbosa. Participou de quatro Copas dos Mundo: 1950. 1954. 1958 e 1962. Foi bi campeão em 58 e 62. Seu  amor pelo Fluminense era tão grande que amputou um dedo da mão para voltar a jogar. Carlos Castilho nasceu no dia 27 de novembro de 1927 e faleceu no dia 2 de fevereiro de 1987.




                                              
    
                                                           ROBERTO MENEZES


Quem ficasse observando Roberto Menezes jogando futebol, certamente ficaria impressionado com a precisão de seus passes, a bola limpinha que entregava a um companheiro melhor colocado, a eficiência dos dribles curtos e sua colocação dentro do campo. Sempre foi regateano. Começou nos juvenis, onde conquistou títulos e sentiu suas primeiras emoções. Quando Zé Júlio se transferiu para o futebol pernambucano, Roberto Menezes o substituiu e fez a torcida esquecer o craque que se foi. E começou com o pé direito. Logo no primeiro ano foi campeão em 1970.

Graças a suas atuações, ele começou a ser observado pelos grandes clubes do Brasil. Muitos tentaram, mas o CRB não queria perdê-lo. O próprio Roberto não pretendia deixar Alagoas por causa de seus estudos na Faculdade de Engenharia. Mas, por uma boa compensação financeira, ele terminou cedendo as investidas do Vitória de Salvador. No rubro negro da Bahia não se deu muito bem. Dentro do campo, mostrava todo seu grande futebol. O extra campo era o problema. Sendo um dos maiores salários do clube, criava ciúmes de alguns companheiros. Quando o contrato terminou, Roberto voltou e queria jogar no CRB. Entretanto, os dirigentes não tentaram uma formula para trazê-lo de volta. O CSA se interessou. Acertou um empréstimo com o Vitória, o Roberto Menezes passou um ano no clube do mutange onde foi campeão alagoano em 1975.


Atencioso, amigos de seus amigos, interessado pelas boas coisas da vida, bom de dialogo, Roberto Menezes abandonou o futebol depois que acabou seu compromisso com o CSA. Foi cuidar de sua vida particular como engenheiro. Roberto foi campeão pelo CRB nos anos de 1970, 1972 e 1973. Pelo ídolo que foi, pelo futebol que jogava, pelo homem que representava para a sociedade, ele foi homenageado no Cantinho da Saudade, e será, sempre, uma figura de destaque na história do futebol alagoano.




                                                ADEMIR MARQUES DE MENEZES –
O craque do meu coração.

 ADEMIR nasceu em Recife no dia 08 de novembro de 1922. Foi um dos maiores goleadores do futebol brasileiro. Jogador inteligente observava e explorava as deficiências dos adversários. Tinha o faro raro dos artilheiros. Uma bola lançada em profundidade dificilmente Ademir deixava de marcar seus gols. O pique extraordinário e as arrancadas fulminantes eram as marcas registradas do “queixada”. Era presença obrigatória na seleção carioca e brasileira. Foi artilheiro da Copa do Mundo de 1950 com nove gols em seis jogos. Conquistou cinco títulos de campeão carioca jogando pelo Vasco.  Pelo Fluminense foi csmpeão em 1946. Teve uma turbulenta transferência para as Laranjeiras em 1946 quando o treinador tricolor, Gentil Cardoso, disse ao presidente do Fluminense: “Me dê Ademir e eu lhes darei o campeonato”. A decisão do campeonato carioca de 1946 foi entre Fluminense e Botafogo em São Januário. O Fluminense venceu o Botafogo por 1x0, gol de ADEMIR. Em 1949  Ademir voltou para o Vasco da Gama. O grande craque pernambucano que começou jogando no Sport Recife, foi artilheiro do campeonato carioca de 1949 com trinta gols e 1950 com vinte e três gols. Na seleção brasileira, jogou quarenta e uma partidas e marcou trinta e cinco gols. Foi campeão sul-americano em 1949.

Seu estilo de jogo era o que havia de melhor em sua época. Sua versatilidade em atuar em qualquer posição do ataque e sua habilidade nas arrancadas para o gol adversário obrigava as defesas criarem maneiras para contê-lo. Ademir fazia jogadas que maravilhava a torcida brasileira. Uma bola lançada em direção à área adversária encontrava o centro avante numa arrancada como um raio. O desfecho da jogada, era quase sempre com a bola no fundo das redes.

O pernambucano Ademir Marques de Menezes, conquistou muitos títulos e se transformou em um dos maiores artilheiros do futebol brasileiro. Foi bi campeão pernambucano pelo juvenil do Sport Recife nos anos de 1939 e 1938. Foi tri campeão pelos profissionais do clube rubro negro em 1939. 1940 e 1941. Com a camisa do Vasco da Gama, foi campeão carioca nos anos de 1945. 1948. 1949. 1950 e 1952. Também foi super campeão pelo Fluminense em 1946. Pela seleção carioca foi campeão brasileiro nos anos de 1943. 1944. 1946 e 1950. Vestindo a camisa da seleção brasileira foi campeão sul-americano de 1949. Campeão pan-americano de 1952 e vice-campeão mundial em 1950.                    



                                LELÉ ACREDITA QUE GOL DE VALIDO FOI IRREGULAR


Lelé não se lembra somente das emoções que teve no futebol.  Lelé fazia parte do trio do Madureira – Lelé. Izaias e Jair – que foi contratado pelo Vasco em 1942. Tinha um canhão nos pés e foi várias vezes convocado para a seleção brasileira e conquistou muitos títulos pelo Vasco da Gama. Em seu depoimento a revista placar, Lelé comentou sobre a decisão do titulo carioca de 1944.

“Eu tenho a amarga lembrança da final do campeonato carioca de 1944 quando perdemos o titulo para o Flamengo. Era uma decisão o Vasco tinha um time melhor e o Flamengo jogava desfalcado de alguns titulares. O Vasco não poderia perder aquele jogo, pois o Flamengo seria tri campeão. No final, uma vitória do rubro negro por 1x0, fruto de um gol ilegal marcado por Valido, ponta direita do Flamengo. Tínhamos tudo para ganhar e acabamos derrotas por um gol irregular”.

“Eu só me lembro do momento em que cruzaram a bola para a área. O Valido viu que não conseguiriam cabecear e apoiou os dois braços nos ombros de Argemiro. Conseguiu a cabeçada e o gol saiu. O Argemiro, nesse lance, até caiu sentado, pois Valido jogou toda a força nos ombros do nosso lateral. Discutimos bastante, mas naquele tempo já existiam os juizes que davam uma colherzinha-de-chá para certos clubes. O Vasco ainda tentou de todas as formas possíveis  invalidar o gol  e também a partida. O lance do gol do Flamengo foi filmado e os dirigentes do Vasco utilizaram o filme como prova na Federação Carioca de Futebol. Mas de nada adiantou, pois a Federação não anulou nada e o Flamengo acabou tri campeão carioca. Daquele jogo, sempre terei as piores recordações – concluiu Lelé.



                    A fase ruim de Pinheiro


Recém saído dos juvenis João Carlos Batista Pinheiro substitui um veterano zagueiro uruguaio, tornando-se titular da zaga tricolor. Fez sucesso sem restrições. É possível que a popularidade aumentando a cada dia o tenha estragado um pouco, no inicio. Mas, até ser um caso perdido, como se deixou crer, na campanha que se move contra ele, é torcer a verdade, é virar a verdade pelo avesso.

Às más línguas pegaram Pinheiro de sola. E pintaram Pinheiro como um verdadeiro alcoólatra. Unha e carne com a bebida. Pelo que se dizia ia de mal a pior, ameaçando sucumbir, de uma hora para outra, arrasado pelo “delírium trêmus”. E liquidaram irresponsavelmente, pelo disse-me-disse, um jovem craque que é de bom coração e cuja cabeça é boa apenas um tanto ou quanto criança.

Eis, porém que Pinheiro acorda para a vida, chocado com o mundo que o maltrata tanto, a ponto de prestar falso testemunho, de acusa-lo, na má-fé, pelo simples prazer de acusa-lo. Não bebera quando foi projetado do carro, mas tal constou até que o exame médico o absolveu. Não era amigo unha e carne da bebida, mas tal constou até que o Fluminense, padrão de disciplina, acreditou que Pinheiro era um ótimo rapaz e convenceu que podia confiar nele, sem reversas. E Pinheiro, justiça seja feita, parou na hora certa. E hoje, eleito pelo técnico Silvio Pirilo, o guia da equipe tricolor. O capitão que deve servir de exemplo e de modelo para a geração atual e futura. Evidentemente, tal prova de confiança sensibilizou o craque. E a propósito, Pinheiro fez a seguinte consideração –

“Talvez eu não levasse o futebol a sério. Entretanto, exageram os meus defeitos e, sobretudo, os meus vícios. Se eu tivesse me atolado no vício como dizem, nada medula espinhal salvaria. Meus nervos já estariam em frangalhos. Quem treme, treme e não bate pênaltis. Ou bate e não acerta uma. Mas eu tive pernas e tive nervos, quando cobrei, alternadamente, nada menos de doze pênaltis no Torneio Inicio. Se eu tivesse me atolado em vício como dizem, o que restaria de mim, senão ruína sobre ruína ?  E eu estaria hoje, aos vinte e poucos anos de idade, desacreditado para o futebol e para a vida. Mas, graças a Deus, não me falta caráter, não me falta brio.Tenho lutado muito para fazer uma carreira brilhante. Muitas vezes, fui útil ao Fluminense e ao futebol brasileiro. E de todos os prêmios que recebi, nenhum me deixou tão sensibilizado como esse dado por Silvio Pirilo, designando a mim, o capitão do time do Fluminense. Fiz como qualquer rapaz da minha idade, as minhas extravagâncias. Pode ser que tenha exagerado, as vezes. De qualquer modo fui bastante criticado para não insistir. Risquei a boêmia do meu caderno. Meu destino está ligado ao futebol, para o bem ou para o mal. Não abusarei da sorte que Deus me deu. Cada titulo, significa para mim um quinhão a mais de glória e dinheiro. Sou profissional, sei a carreira é curta e não posso pensar só em mim, há meus irmãos e minha mãe, a quem devo muito.”

Manchete Esportiva de 1957





DIRSON

Dirson foi um verdadeiro andarilho. Atuou em um sem numero de clubes de outros Estados e outros tantos do nosso futebol. O vigoroso atleta iniciou a correr atrás da bola no time do Pai Manu. Depois veio o rosário de clubes, e ele se transformou no campeão de transferência. Jogou no Oceano, clube da divisão suburbana, América e Barroso, da primeira divisão, Maranhão Atlético Clube de São Luiz, voltou para o Barroso, passou pelo CSA, foi para o Galícia e São Cristovão de Salvador, Fluminense de Feita de Santana, Esporte Clube do Recife e, finalmente Ferroviário de Maceió, onde encerrou suas andanças pelo futebol. Dirson afirma que, na naquela época, o futebol era seu ganha-pão e, por isso, mudava muito de clube. Terminado o contrato, ia para aquele que lhe pagava mais. Seu primeiro contrato de profissional foi com o Maranhão de São Luiz. O último foi com o Ferroviário que lhe arranjou um emprego na Rede Ferroviária do Nordeste, onde se aposentou. Nunca ganhou muito dinheiro. Afirma que, antigamente o jogador jogava muito e ganhava pouco. Seu maior prêmio foram as amizades que conquistou. Possui títulos de bi campeão alagoano pelo Ferroviário nos anos de 1953 e 1954. Também bi campeão pelo Maranhão de São Luiz e campeão baiano pelo Galícia de Salvador.
Sempre foi um jogador versátil. Atuou em várias posições de um time. Jogou de zagueiro, médio e atacante. Só não jogou de goleiro. Essa versatilidade que possuía lhe dava sempre um lugar no time em que jogava. Era um jogador útil para qualquer treinador. Entre os anos de 1940 e 1950, foi para Dirson, o melhor período no futebol. Naquela época, Alagoas possuía grandes e famosos craques que eram cobiçados por clubes de outros Estados. O próprio Dirson formou no Maranhão com quatro alagoanos. Antigamente, o nosso futebol exportava, e hoje, está cheio de importações. Por tudo isso, pode se chegar a conclusão de que o nosso futebol de alguns anos atrás era muito melhor.

No começo do ano de 1954, Dirson viveu o maior drama de sua vida. Alias, o antigo zagueiro não gosta de falar sobre as coisas ruins que aconteceram na sua carreira de jogador de futebol. Entretanto, não conseguiu silenciar, quando tocamos no assunto que lhe feriu profundamente. Na partida contra a Paraíba pelo campeonato brasileiro, ele foi acusado de ter amolecido o jogo. Antes do encontro, Dirson não escondeu de ninguém o seu descontentamento pela escalação de Almir em substituição a Epaminondas no gol da seleção alagoana. Justificava que estava acostumado com o veterano goleiro, e o novato tinha sido convocado as pressas, e seria a primeira vez que atuaria com ele. Na tarde do jogo, Dirson esteve realmente muito mal. Uma tarde negra. Foi apontado como culpado de dois dos três gols paraibanos. A Paraíba chegou a vencer por 3x1. E isso irritava os torcedores e dirigentes que procuravam ligar as declarações do craque com sua atuação naqueles momentos do primeiro tempo. Graças a espetacular atuação do Dida, Alagoas virou o marcador para 4x3, e venceu de maneira espetacular. A vitória nos últimos minutos, a euforia de todos, fizeram com que, por um momento, a má atuação de Dirson fosse esquecida. Entretanto, depois logo vieram os comentários, e Dirson comeu o pão que o diabo amassou. Se Alagoas tivesse perdido seria muito pior.


A grande emoção de Dirson aconteceu logo depois de viver seu maior drama, narrado linhas acima. Após aquele jogo contra os paraibanos, o zagueiro ficou meio atormentado. Alguns não iriam mais acreditar nele, e diziam que nunca mais teria vez na seleção alagoana. Entretanto, Dr. Eraldo Calado acreditava em Dirson. E três meses depois dos lamentáveis acontecimentos no mutange, a Federação Alagoana de Desportos formou uma seleção para jogar em Aracaju. Na lista dos convocados estava o nome do Dirson. Ele ficou feliz, criou alma nova, e a oportunidade de voltar a vestir a camisa da seleção alagoana. Ia mostrar que ele era um bom jogador e tinha a oportunidade de desmentir tudo de ruim que falaram sobre seu futebol. O treinador Edesio Leitão escalou Dirson e ele se saiu muito bem, conquistando novamente a confiança os dirigentes e torcedores. 


                                      Manoel Anselmo da Silva - Maneco (America)

Manoel Anselmo da Silva jogou durante treze anos no America Futebol Clube do Rio de Janeiro. Maneco era conhecido como Saci do Irajá, apelido que carregou durante toda carreira como jogador de futebol. Era uma homenagem da imprensa carioca as diabruras e os dribles desconcertantes que ele exibia em campo vestindo sempre a camisa rubra do seu America.

Jogou somente no America. Começou aos quinze anos e parou aos vinte e oito. Defendeu também, a seleção carioca e a seleção brasileira em 1947. Ganhou fama e dinheiro formando na célebre linha do America chamada de “tico tico no fubá” integrada por China. Maneco. Cesar. Lima e Jorginho. Embora fosse de baixa estatura, poucos adversários conseguiam marcá-lo com eficiência. Suas fintas espetaculares e seus dribles rápidos levavam a defesa adversária ao desespero.

Quando ainda jogava futebol, Maneco comprou uma casa na rua da Prosperidade, numero 95, no Rio de Janeiro. Compra feita a prestação. Era um presente de Maneco para seus pais.  Com o passar dos anos o dinheiro foi acabando e as prestações foram ficando atrasadas. Quando começou a pensar no futuro, Maneco já devia um dinheirão. Apareceu, então, uma ação de reintegração de posse, impetrada pelo proprietário do imóvel., que corria na décima sétima Vara Cível. Atrás dela veio a ordem de despejo. Desesperado, Maneco arranjou veneno, misturou com uma cachaça forte, trancou-se no banheiro e se suicidou. Quando a irmã e os dois oficiais de justiça arrombaram a porta do banheiro, o Saci do Irajá estava morto. Ele não suportou a vergonha de perder a casa. A angústia do débito terminara.
                                                





VELUDO
 Para muitos, ele foi o maior goleiro do futebol brasileiro de todos os tempos. Um goleiro que, mesmo reserva no Fluminense, era o titular da Seleção Brasileira.

Muitas vezes, a glória e a fama chegam rápido e de repente. E muitas vezes, também, vão aos poucos cedendo lugar ao esquecimento, até o ostracismo. No futebol isso é muito frequente. As multidões consagram, mas também, rapidamente esquecem seus ídolos. Poucos, bem poucos mesmo, viram a glória desaparecer tão depressa quanto chegou, sem que eles entendessem o porquê. Entre estes, talvez, o que mais sofreu foi o goleiro Veludo.

Ele conheceu dias difíceis. Preto, pobre, muito cedo pegou no trabalho pesado. Seu corpo forte, suas mãos grandes foram o passaporte que abriu o caminho para o cais do porto. Carregava e descarregava navios. Ali, nas peladas com seus amigos portuários, o profissionalismo foi buscá-lo através do ex-árbitro Armando Marques. Foi ele quem primeiro enxergou as qualidades de um grande goleiro. Do Harmonia, pequeno clube de várzea, para o Fluminense. No clube tricolor encontrou duas grandes dificuldades: a tradição dos grandes goleiros que o clube fazia questão de manter e a figura de Castilho, goleiro titular e considerado o melhor do Brasil. Nada disso amedrontou o novato Veludo. Na primeira chance, entrou no time e mostrou que seu futebol não era tão pobre quanto ele. Quando não jogava, a torcida gritava seu nome. Era a primeira vez que em um clube brasileiro, seus goleiros, titular e reserva estavam na Seleção. O Fluminense podia continuar orgulho com sua tradição de grandes goleiros.

Nas eliminatórias para o Mundial de 1954, Veludo jogou todas as partidas com Castilho no banco. Sua estrela brilhou tanto que foi contratado pelo Nacional de Montevidéu, onde se consagrou como o maior goleiro da história do clube uruguaio em todos os tempos. Mesmo consagrado e ídolo, Veludo continuava o mesmo dos tempos da estiva. Gastava tudo que ganhava e ainda frequentava os bares do cais do porto, onde bebia e pagava cachaça para os antigos colegas. Seu corpo começou a baquear, as acusações de irresponsável e boêmio começaram a surgir no seu caminho. Numa tarde de sol, em dezembro de 1955, Veludo começou a trilhar a longa e penosa caminhada da volta. O Flamengo venceu o Fluminense por 6x1, e os foram considerados defensáveis. O goleiro desceu as escadas para os vestiários chorando as lágrimas com gosto amargo. A acusação de venal estava em todas as bocas e nunca mais a torcida tricolor gritaria seu nome.


A descida começou. Canto do Rio, Santos, Atlético Mineiro, Madureira e pequenos clubes do interior de São Paulo e Minas. Essa marcha era parada obrigatória em todos os bares de todas as cidades, de todas vielas, onde ninguém mais se lembrava da existência de um homem chamado Veludo, e que um dia foi considerado o melhor goleiro do Brasil. Veio a doença, o fígado destruído, o pâncreas atacado, e mais do que nunca, a necessidade  de parar de brincar com as bolas bonitas, de couro cheiroso, atrás das quais ele voara até a fama. Foi internado num hospital por conta da FUGAP, que por ironia do destino era seu amigo Castilho. O tempo passou, e o negro robusto, de um metro e oitenta, peito largo,  e ombros fortes, estava reduzido a um velho de 48 quilos e muitos cabelos brancos. Um dia a morte veio buscá-lo. Encontrou um preto esquelético, de rosto seco e olhos tristes, de mãos magras e calosas, de dedos trêmulos e medrosos. Não havia mais o Veludo, de riso fácil e mãos ágeis. Havia apenas o Caetano da Silva, um homem que vivia do passado.





                                  MARCUS ITABAIANA

 Chama-lo de craque seria um exagero. Muitas vezes, mata a bola na canela, não acerta um chute na corrida. Mas, ruim, não é. Na base do esforço, ou mesmo da força, Marcos Itabaiana, decidiu muitos jogos para o ASA de Arapiraca. Era um artilheiro eficiente. Apesar de tudo era um jogador que não tinha medo de nada. Os zagueiros não gostavam de atacantes que faziam gols e se transformam em ídolos. Marcus Itabaiana também não gostava de zagueiros que usavam violência para parar suas arrancadas para o gol. Por isso, ele se transformava em um verdadeiro tank. Um jogador raçudo que fazia qualquer negocio para assinalar um gol.

Marcus Itabaiana veio do interior da Paraiba para o ASA de Arapiraca. Se adaptou muito bem a vida do interior alagoano e seu bom comportamento ajudava seu relacionamento com dirigentes e torcedores. Marcus era daqueles que vivia sua vida sem se incomodar com a dos outros. Para a torcida do ASA, os gols de Marcus Itabaiana são jóias raras. Ela festejava, gritava, aplaudia. Para o atacante era o maior momento do jogo. Em 1979, viveu grandes momentos no futebol alagoano. O ASA esteve muito perto de ser campeão. Entretanto, nas ultimas rodadas, o CRB reagiu, ganhou o titulo e o Marcus Itabaiana ficou com o vice campeonato.

Bastava uma bola em profundidade. Era pânico total na defesa adversária. Marcus partia em velocidade, passava entre os zagueiros, e numa fração de segundos, estava diante do goleiro. Na maioria dos lances, fazia gol. Em outros lances chutava em cima do goleiro ou dava um chutão para fora. Ele tinha lampejos de craques e jogadas de pernas de pau. Mas, de uma maneira geral, todos os artilheiros são assim. Vilões ou heróis.





                                                                           ZICO

Zico é um dos heróis da história do Flamengo. É seu maior artilheiro. Um craque como poucos que vestiram a camisa rubro negra. Jogando pelo clube da Gávea, conquistou todos os títulos que um jogador poderia conquistar: campeão carioca. campeão brasileiro. Campeão da Taça Libertadora das América. Campeão do Mundo. Zico era veloz quando necessário. Batia falta como ninguém. Driblava em espaço mínimo. Cabeceava muito bem e fazia lançamentos maravilhosos. Era capitão do time e seu principal artilheiro.

Chegou ao Flamengo em 1967 com o corpo franzino, mas muito talento. Mesmo assim, foi necessário um tratamento rigoroso para crescer e criar músculos acompanhado pelo treinador Fleitas Solich. Mesmo fazendo o tratamento, Zico foi bi campeão juvenis nos anos de 1972/73. Em 1972 foi convocado para a seleção brasileira olímpica. Era sua primeira experiência com a camisa da seleção. Estreou na seleção principal em 1974 contra os uruguaios em Montevidéu e assinalou seu primeiro gol na cobrança de uma falta. Disputou três Copas do Mundo: 1974 – 1982 e 1986. Fez parte de uma geração de craques que nunca conseguiu um titulo de campeão mundial pela seleção brasileira.

Jogando pelo Flamengo foi muitas vezes artilheiro dos campeonatos carioca. Em 1979 bateu o recorde com 34 gols. Foi também artilheiro do campeonato nacional de 1980 com 21 gols. Em 1983 foi para Udinesse da Itália onde atuou com muito destaque no campeonato italiano. Voltou ao Flamengo e depois que abandonou o futebol foi jogar no Japão onde continua sendo o maior ídolo da torcida japoneses em todos os tempos. Zico fez escola no Japão e ajudou no crescimento do futebol japonês. Como atleta e como homem, dentro e fora das quatro linhas do gramado, sempre foi um exemplo para todos.

Hoje, é supervisor da seleção brasileira que vai disputar a Copa do Mundo na França. A história de sua vida se confunde com a história do futebol brasileiro.








PEDRO LIMA - PEDRINHO

Pedrinho foi um dos grandes destaques do futebol alagoano. Um craque padrão de disciplina dentro do esporte. Um jogador símbolo de dedicação e amor pela camisa do CSA. Um atleta que serviu de exemplo para companheiros e adversários. Além disso, jogava um futebol clássico, de passes matemáticos e dribles desconcertantes.

Começou jogando em 1933 no Centro Sportivo Alagoano. Em 1936 foi para o Nordeste onde passou dois anos. Depois retornou ao mutange onde permanecer até 1949 quando encerrou sua carreira. É um dos mais laureados jogadores do nosso futebol. Em uma época onde apenas se disputava os campeonatos regionais, Pedrinho ganhou sete títulos de campeão: 1939. 1935. 1936. 1941. 1942. 1944 e 1949. Todos esses títulos com a camisa do CSA. O campeonato de 1935 foi conquistado sem tomar nenhum gol. Pedrinho participou da temporada que o CSA realizou em Fortaleza jogando três partidas ganhando duas e empatando uma. Os cearenses fizeram de tudo para que os alagoanos não saíssem  invictos.

Por sua disciplina, por seu cavalheirismo, Pedrinho foi contemplado, em 1948, com uma medalha de ouro. Ele foi agraciado por ter sido o mais eficiente e disciplinado jogador da temporada. Por sua conduta dentro e fora do campo, ele era respeitado e admirado por todos. Era capitão e líder do CSA. Sendo azulino de coração, muitos ficaram surpresos quando ele se transferiu para o Nordeste. Ele estava contundido e poucos no CSA acreditavam em sua recuperação. Pedrinho aceitou ir para o Nordeste em troca de um emprego na Companhia Força e Luz, hoje Ceal, onde passou a ganhar duzentos mil réis.


Pedrinho também defendeu a seleção alagoana durante alguns anos. Nos campeonatos brasileiros de seleções, as viagens eram de navio, trem ou ônibus. Viagens longas, duras e desgastantes. Como não havia um bom condicionamento físico era difícil conseguir bons resultados quando se enfrentava seleções que jogavam em casa e descansada. Hoje, Pedrinho é um pedaço de saudade dentro da história do futebol alagoano. Viveu seus últimos dias como pastor na cidade de Brasília.





                                                  O FIM DE HELENO DE FREITAS

Advogado, boêmio, catimbeiro, boa vida, arrogante e um homem nervoso. Depois de onze anos jogando no Botafogo, Boca Júnior, Vasco da Gama e América, deixou seu nome na história como um dos maiores centro avante do futebol brasileiro. Criava problemas dentro do gramado e se transformava em um cavalheiro fora das quatro linhas. O Botafogo aceitava Heleno como ele era por causa do seu grande futebol. Brigou no Boca Júnior. Se desentendeu com Flávio Costa no Vasco. Assinou com o América, jogou 35 minutos, foi expulso na estréia contra o  São Cristovão e abandonou o futebol. Heleno era um homem doente e não sabia. A foto é do Heleno de Freitas nos bons tempos de craque de futebol.


Heleno nunca quis ir a um médico para fazer um exame rigoroso e um tratamento sério da doença que o atormentava. Depois que abandonou o futebol, por insistência de parentes e amigos, foi examinado e se constatou sífilis na cabeça. Como estado da doença estava muito adiantado, Heleno teve que ser internado em um sanatório na cidade mineira de Barbacena. No dia 8 de dezembro de 1959, a imprensa noticiava a morte de Heleno de Feitas. Morria um dos mais elegantes jogadores do futebol sul americano. O enterro aconteceu na sua cidade natal, São João do Napomuceno, em Minas Gerai. Morreu longe da torcida, dos dirigentes e dos companheiros. Entretanto a cidade chorou a morte do seu ídolo.



                                                   
                                                                O GOLEIRO ÍNDIO
 Índio pode ser considerado um dos grandes goleiros da história do CRB. Givaldo Ferreira de Oliveira nasceu em Maceió no dia 6 de outubro de 1967. Começou nas divisões de base do clube da pajuçara.  Como normalmente acontece os treinadores não acreditam muito nos jovens que sentem dificuldades para jogar no time principal. Para mostrar seu valor Índio teve que sair do CRB. Foi emprestado ao Ferroviário em 1988 onde disputou seu primeiro campeonato de profissionais. Pelo bom campeonato disputado pelo clube da Rede Ferroviária e as grandes atuações do Índio durante a competição o CRB o chamou de volta. No clube da pajuçara ficou até 1993 e foi bi campeão nos anos de 1992/1993.
Jogador de futebol precisa de estrela e sorte. Índio não teve nada disso. Sua estrela nunca brilhou. Apesar de suas grandes atuações não era valorizado. Ele bem que tentou. Mesmo defendendo muitos clubes do futebol brasileiro como Fortaleza, Botafogo da Paraíba, Corinthians Alagoano, Comercial de Viçosa. Murici encerrando sua passagem pelo futebol defendendo o Bom Jesus de Matriz do Camaragibe em 2006.
Mora na cidade de Murici e trabalha em um projeto esportivo com crianças. É muito respeitado por todos pelo profissional correto que dentro e fora dos gramados.
  

Vamos iniciar as Olimpíadas 2016. E nada melhor do que mostrar os craques brasileiros que conquistaram medalhas de ouro.                         

                                              ADEMAR FERREIRA DA SILVA


Ademar Ferreira da Silva  ganhou duas medalhas de ouro olímpicas. Foi um dos maiores atletas do esporte brasileiro. Nasceu no dia 29 de setembro de 1922 em São Paulo. Era filho único de um ferroviário e de uma cozinheira. Sempre foi um menino de pernas finas e compridas e que ocupava seu tempo livre ajudando seus pais que o mantinha longe das ruas e das confusões.  Quando estava para completar  19 anos de idade, através de um amigo, conheceu uma pista de atletismo pela primeira vez. Entusiasmou-se com uma estranha modalidade esportiva: o salto triplo.

Quando Ademar entrou na pista para disputar o salto triplo nas Olimpíadas de Helsinque, na Finlândia em 1952, não esperava bater o recorde mundial que na época era de 16 metros. Também não esperava repetir o feito por quatro vezes na mesma tarde. Saltou 16,05m, 16,09m, 16,12m e 16,22m. Pela primeira vez, um atleta deu uma volta olímpica na pista, para ser aplaudido de perto pelo publico. Nos Jogos seguintes, em Melbourne, na Austrália em 1956, ganhou novamente a medalha de ouro, saltando 16,35m e estabelecendo um novo recorde olímpico.

Ademar Ferreira da Silva competiu pela primeira vez em 1947, no Troféu Brasil,  saltando 13,05m. É penta campeão sul-americano e tri campeão pan-americano. Venceu o primeiro campeonato luso-brasileiro, em Lisboa em 1960. Foi dez vezes campeão brasileiro e tem mais de 40 títulos e troféus internacionais.

É  Escultor formado pela Escola Técnica Federal de São Paulo em 1948. Também se formou em Educação Física na Escola do Exército, Direito na Universidade do Brasil e Relações Públicas na Faculdade de Comunicação Social Casper Líbero. Foi adido Cultural na Embaixada Brasileira em Lagos, na Nigéria, entre 1964 e 1967. Em 1956, foi ator na peça Orfeu da Conceição, de Vinicius de Moraes e no filme franco-italiano Orfeu do Carnaval em 1962, que venceu o Oscar de melhor filme estrangeiro.


Até o ano 2000, Ademar trabalhava para o Estado de São Paulo e fazia parte da Organização do Gran Prix de Atletismo. Ele morreu no dia 12 de janeiro de 2001.







                                             CLAUDIO REGIS (atleta e arbitro de futebol)


Ele viveu no Clube de Regatas Brasil seus grandes momentos no futebol. Começou nos juvenis, passou pelos aspirantes e terminou como ponta direita titular no primeira tetra campeonatos conquistado pelo clube da pajuçara. E foi Cláudio Regis quem assinalou o gol que garantiu o titulo de tetra campeão nos anos de 1937/38/39/40. É o único atleta de futebol do CRB a ocupar o cargo de presidente do clube. A grande arma de Regis era sua chute forte. Na época, era o terror dos goleiros adversários. Jogou no época do amadorismo onde o jogador comprava sua chuteira e pagava para ser sócio do clube.
Depois que deixou o futebol, ingressou, por acaso, no departamento de árbitros da Federação Alagoana de Desportos. Sério, competente e duro em suas decisões, Regis foi considerado um dos maiores árbitros da história do futebol do Nordeste. Apitou muitas decisões do futebol do Ceará e da Bahia e várias partidas de campeonatos brasileiros e seleções. Apesar de ter jogado pelo Clube de Regatas Brasil, clube do seu coração, Cláudio Regis era sempre o preferido para apitar os clássicos entre CRB e CSA. Sua honestidade, sua imparcialidade e sua competência lhe garantia o direito de comandar os principais jogos do nosso futebol. Regis se aposentou como Delegado do Instituto  de Açúcar e Álcool e faleceu no dia 23 de novembro de 1996. Em fita de vídeo, ele deixou um depoimento para posteridade. Depoimento que se encontra no Museu do Esportes Edvaldo Alves de Santa Rosa. Todas suas emoções e decepções foram gravadas em depoimento para os arquivos do museu dos esportes.




JOSÉ POY

Quando tinha 19 anos, o goleiro argentino, Poy jogou uma partida contra o São Paulo no Pacaembu. Foi em dezembro de 1945 e o jovem goleiro do Rosario Central atuou muito bem naquele empate de 2 x 2. Além da agilidade, da atenção e da seriedade, o que impressionou os dirigentes tricolores foi a total ausência de vedetismo naquele garotão.

Em 1948, em fim, o São Paulo contratou Poy ficou mais de um ano só treinando - o que demonstrava ser uma tradição jogadores demorarem a ser adaptar ao tricolor. Diariamente, ele dava duro nos treinos sabendo que um dia sua chance chegaria. De fato, em 1950 ele se adotou da camisa 1 e por treze anos consecutivos foi titular absoluto.

Disciplinado e humilde, obstinado pela boa forma física. José Poy atuou em 565 partidas pelo São Paulo. Ao deixar de jogar, tornou-se técnico da equipe infanto-juvenil - foi bicampeão da categoria em 1963 e 1964. Nos anos 70, dirigiu o time profissional e ganhou o título paulista de 1975.

  

  


SERVILHO E DIDA, CHAVES DA DECISÃO DO TRI

O Flamengo havia perdido o segundo jogo da melhor de três para decidir o campeonato carioca de 1955. O América goleou por 5x1. Para a terceira partida o treinador do Flamengo resolveu mudar o time. O técnico rubro negro, Fleitas Solich, resolveu mudar o time. Ele mesmo comenta.
“Joguei uma cartada perigosa quando lancei Servilho e Dida, tirando Jadir e Paulinho. Entretanto, para o jogo que pretendia fazer, precisava dessas alterações. Não porque os que entraram fossem melhores do que saíram. Mas, simplesmente, porque se adaptavam melhor à tática visada. Por isso arisquei. Servilho teve uma missão: anular Leonidas. Anulou. Dida entrou para puxar a linha com sua ligeireza , para arrematar, para tontear a defesa adversária com seu jogo leve, esfusiante. Cumpria a tarefa. Tanto que foi o artilheiro da partida”.
O Flamengo venceu por 4x1 com quatro gols do Dida e se sagrou tri campeão Carioca






Nascido em Santa Luzia (MG), no feriado de 7 de setembro de 1927, Nívio Gabrich surgiu para o futebol como meia esquerda Em 1958, insatisfeito com sua condição no banco de reservas, voltou para Belo Horizonte e foi defender o Cruzeiro, onde conquistou o estadual de 1959 e pouco depois encerrou sua carreira nos gramados.
Nívio faleceu na capital mineira, aos 53 anos de idade, no dia 16 de julho de 1981. *Alguns registros apontam seu falecimento em 19 ou 20 de julho do mesmo ano. Em Bangu, seu nome continua lembrado como o terceiro maior artilheiro da história do clube, com 140 gols marcados.
 em times amadores da região. Depois, deixou sua cidade natal e foi para Belo Horizonte jogar pelos quadros do Espéria.
Descoberto pelo Atlético Mineiro no início de 1944, só chegou ao clube no final do segundo semestre, fazendo sua partida de estréia em 19 de novembro de 1944, quando o Galo venceu o União de Itabirito pela contagem de 3×1.
Jogando pelo Atlético, Nívio foi aproveitado como ponteiro esquerdo e conquistou quatro títulos mineiros nos anos de 1946, 47, 49 e 50, além do título simbólico de “Campeão do Gelo” em 1950.
Para o astuto e sempre atento Dr. Silveirinha, que já tinha tirado Zizinho do Flamengo em 1950, na famosa manobra que empurrou o jogador Mariano ao presidente do Rubro Negro, Sr. Dario de Mello Pinto, trazer o grande ponteiro esquerdo mineiro não seria tarefa muito difícil.
Dessa forma, por 400.000 cruzeiros, Nívio chegou ao time de “Moça Bonita” em fevereiro de 1951, mostrando rapidamente que o investimento seria recompensado durante conquista do Torneio Início do Torneio Rio-São Paulo de 1951.
Depois de boa campanha no Torneio Rio-São Paulo, o Bangu embarcou confiante para o “Velho Mundo” e formou com o São Paulo F.C um famoso combinado comandado por Leônidas da Silva, que em 13 jogos obteve 9 vitórias, 2 empates e 2 derrotas.

Veloz, driblador e principalmente, dono de um chute fortíssimo, Nívio foi peça chave no bom desempenho no Torneio Municipal promovido pela Federação Metropolitana de Futebol e nas partidas amistosas realizadas no mês de julho, no Uruguai.
Em 1958, insatisfeito com sua condição no banco de reservas, voltou para Belo Horizonte e foi defender o Cruzeiro, onde conquistou o estadual de 1959 e pouco depois encerrou sua carreira nos gramados.
Nívio faleceu na capital mineira, aos 53 anos de idade, no dia 16 de julho de 1981. *Alguns registros apontam seu falecimento em 19 ou 20 de julho do mesmo ano. Em Bangu, seu nome continua lembrado como o terceiro maior artilheiro da história do clube, com 140 gols arcados. (do site Tardes de Pacaembu).



                                                                     BARRA

Um dia do ano de 1958, a tragédia transformou o Estádio Manoel Moreira em um palco de lamentações. Vitima de um destino cruel e surpreendente, o jovem Barra teve sua carreira cortada antes do estrelato. Era, na época, um dos mais promissores jogadores do futebol alagoano, despontando como grande artilheiro. Raçudo, rápido e brigador, de seus pés partiam verdadeiras bombas.

Mas, uma tarde fatídica, terrível, o envolveu nunca trama sinistro, roubando-lhe um amigo e transformando sua vida, até então tranqüila, num inferno real. Era o fim de uma carreira brilhante. Primeiro, tragado pelos dedos frios da morte. Segundo, pela desgraça involuntária de uma dor sem precedentes.

Em princípios de 1958,  uma seleção alagoana foi a Capela para uma partida amistosa, num dia festivo para o povo daquela cidade alegre e acolhedora. Quando o Capelense já vencia de 4x1, Botinha lançou uma bola em profundidade entre Orizon e Piolho. Barra se infiltrou entre os dois zagueiros e ganhou na corrida. O goleiro Ozório saiu de sua meta e chegou junto com o atacante da seleção na hora do chute. Houve um choque e os dois cairam. Barra se levantou. Ozório que havia caído por cima da bola, continuava no chão. Era o inicio do drama. Sentindo que havia algo errado, o juiz Waldomiro Brêda chamou o médico. O goleiro foi retirado do campo e levado para a casa de sua noiva.

O jogo prosseguiu com Zacarias no gol do Capelense. Dez minutos depois veio a trágica noticia. Ozório estava morto. Barra, surpreendido, começou a chorar. Eram lágrimas sinceras. Ozório tinha sido seu companheiro no juvenil do Tiradentes. Sempre foram bons amigos. Mas, o destino tinha sido injusto com Barra. Involuntariamente, o levou a ser o carrasco de um amigo.

A noticia triste fez com que o jogo fosse encerrado. A torcida do Capelense não se conformava com a morte de Ozório e queria pegar o Barra como se ele fosse culpado pelo acontecido. O atacante começou a viver momentos dramáticos. Para sair de campo, foi necessária a intervenção do presidente da Federação, Major Kleber Rodrigues e do técnico da seleção sargento Madalena.


A viagem de volta para Maceió foi longa e penosa para todos, particularmente, para Barra. A estrada parecia não ter fim. Durante vários dias, o atacante não dormiu e não comeu. Perdeu todo entusiasmo pelo futebol e pela vida. Nunca mais voltou a jogar. Nunca mais foi o mesmo rapaz alegre e brincalhão. Começou a beber. Seu corpo começou a definhar e, um dia,  a morte também veio buscá-lo mais cedo do que se esperava. Barra foi vitima de uma dessas tragédias que nunca tem dia nem hora certa para chegar.



                                                     Coutinho


campeão Paulista (1960, 61, 62, 64, 65 e 67), da Taça Brasil (1961, 62, 63, 64 e 65), do Rio-São Paulo (1959, 63, 64 e 66), Robertão (1968), Libertadores da América (1962 e 63) e Mundial Interclubes (62 e 63), vencendo na final o Benfica, em 1962, e o Milan em 1963. As finais da Libertadores foram: contra o Peñarol em 1962 e contra o Boca Juniors em 1963.

Pelo Santos:

Disputou 457 jogos e marcou 370 gols. É o maior artilheiro do clube depois de Pelé.

Pela Seleção Brasileira:

Disputou 15 jogos, sendo 11 vitórias, 1 emapte e 3 derrotas. Marcou 6 gol





PAURILIO

 Começou jogando no Esporte Clube Maceió que disputava a segunda divisão. Em um dos jogos realizados na Pecuária, Bráulio e Rui Craveiro, jogadores do CSA, o convidaram para treinar no clube azulino. Torcedor do CSA, não pensou duas vezes. Treinou muito e, somente quando o titular Fontan abandonou o futebol é que ganhou o direito de jogar no time principal. Paurilio tinha que treinar logo cedinho porque trabalhava a partir das oito horas. Reconhecia seus defeitos e procurava consertá-los durante os treinos.

Formou com Prazeres e Rui Craveiro uma das intermediárias mais famosas do clube do mutange. Foi bi campeão alagoano nos anos de 1940/41. No final de carreira ainda defendeu por algum tempo, o Barroso. O Santa Cruz de Recife tentou contratá-lo, mas Paurilio preferiu ficar em Maceió, no CSA, e junto a seus amigos e familiares.  Certa vez, brigou com Tininho, craque, técnico e dirigente do CSA e deixou o clube do mutange por algumas semanas. Não aceitou o convite para jogar no CRB. A pedido do próprio Tininho, ele voltou a vestir a camisa azulina.

Foi convocado para a seleção alagoano e participou de dois campeonatos brasileiros de seleções. A primeira vez foi em 1940 e  a segunda em 1944. Participou da maior goleada da história do futebol alagoano. O CSA venceu o Esporte Clube Maceió por 22x0. Gostava de dizer que no futebol do seu tempo, o jogador dava tudo e não ganhava nada. Hoje, os jogadores não dão quase nada e ganham quase tudo. Paurilio não ganhou nada com o futebol. Até seu emprego, na Prefeitura, foi conquistado através de um concurso.


Abandonou o futebol aos 27 anos de idade. E deixou por causa da bebida. Quando começou não bebia. Corria o campo todo e, se fosse necessário, jogava outra partida de futebol. Possuía um preparo físico invejável. Depois que foi para a seleção alagoana começou a beber para comemorar as vitórias ou esquecer as derrotas. Passou a fazer farras com os amigos (?) até mesmo depois dos treinos. Com isso, seu físico foi ficando debilitado e seu futebol sumindo. Então resolveu parar. Depois de muitos anos, já reabilitado e de volta a sociedade, Paurilio, em depoimento para o Museu dos Esportes, reconheceu seus erros e lamentou as oportunidades perdidas por causa da bebida. Paurilio já faleceu, mas continua fazendo parte dos arquivos do Museu dos Esportes.





Valdo, o Valdo Machado da Silva, nascido em 9 de setembro de 1934, em Niterói-RJ, hoje mora na linda cidade de Valência, na Espanha.

Começou a carreira no Madureira, mas destacou-se mesmo no Fluminense, onde jogou de 1954 a 1961 e conseguiu os títulos do campeonato carioca (1959) e do Rio-São Paulo (1957/1960).

Ele é o maior artilheiro da história do Fluminense com 314 gols.

Em 1961, após o sucesso no tricolor carioca, Valdo foi negociado com o Valência, da Espanha. E teve sucesso no clube europeu. Conquistou o bi-campeonato da Copa da Uefa (1962/63) e a Copa do Rei da Espanha de 1967. Foi também o artilheiro do time espanhol nos campeonatos nacionais de 1964 e 1967.

Encerrou sua carreira no também espanhol Hércules.

Pela Seleção Brasileira Valdo fez apenas cinco jogos (cinco vitórias) e anotou dois gols. Com a amarelinha, conquistou a Taça do Atlântico de 1960.



                                      UM TRIO DE OURO DO FUTEBOL ALAGOANO
Esses eram craques de verdade. Paulon Naylon que era o dono do meio campo do CRB. Faz tempo que o CRB não tem um jogador igual ao Paulo. Canhoto apesar de não um craque sabia fazer gols como ninguém. Sempre foi artilheiro por onde passou. Tonho Lima jogava no CSA. Além de armar com Eric todas as jogadas do clube azulino era um maestro em municiar os artilheiros, Canhoto quando estava no CRB e Arcanjo e Duda quando jogou pelo CSA. Já não se faz mais craques como esses três. Os três já faleceram mas deixaram muitas saudades.




MENGALVIO

Mengálvio ficou famoso jogando pelo Santos entre 1960 e 1968. Mengálvio Figueiró continua morando na cidade de Santos onde está aposentado. Era titular do ataque que tinha Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Nasceu no dia 17 de dezembro de 1939, na cidade de Laguna, Santa Catarina. Começou sua carreira no Aimoré de São Leopoldo no Rio Grande do Sul. Foi contratado pelo Santos em 1960 e conquistou vários títulos. Dois na Libertadores. Dois Mundiais Inter Clubes. Seis Paulista. Cinco Taça Brasil. Três Torneio Rio São Paulo e um mundial com a seleção brasileira. Mengálvio estaria rico se jogasse nos dias de hoje, mas hoje vive sem luxos no litoral santista.



JACOZINHO

Foi campeão pelo CSA várias vezes e sentiu sua grande emoção no maracanã. O cronista Márcio Canuto, amigo de Jacozinho, forçou a barra junto com a Rede Globo e o ponteiro azulino terminou fazendo parte da festa  de Zico e seus amigos. No banco, se encantou com grandeza do maracanã e seus companheiros que eram os melhores jogadores do mundo. Entrou em campo no segundo tempo, recebeu um passe de Maradona, fez um gol de placa e saiu ovacionado pela torcida. Uma noite que Jacozinho jamais esquecerá. Ainda jogou pelo Santa Cruz de Recife para depois retornar ao CSA onde foi recebido como um rei. Hoje, Jacozinho vive em Maceió e colabora com o departamento de futebol do CSA.


JOSÉ POY

Quando tinha 19 anos, o goleiro argentino Poy jogou uma partida contra o São Paulo no Pacaembu. Foi em dezembro de 1945 e o jovem goleiro do Rosario Central atuou muito bem naquele empate de 2 x 2. Além da agilidade, da atenção e da seriedade, o que impressionou os dirigentes tricolores foi a total ausência de vedetismo naquele garotão.

Em 1948, em fim, o São Paulo conseguio contratá-lo. Poy ficou mais de um ano só treinando - o que demonstrava ser uma tradição jogadores demorarem a ser adaptar ao tricolor. Diariamente, ele dava duro nos treinos sabendo que um dia sua chance chegaria. De fato, em 1950 ele se adonou da camisa 1 e por treze anos consecutivos foi titular absoluto.

Disciplinado e humilde, obstinado pela boa forma física. José Poy atuou em 565 partidas pelo São Paulo. Ao deixar de jogar, tornou-se técnico da equipe infanto-juvenil - foi bicampeão da categoria em 1963 e 1964. Nos anos 70, dirigiu o time profissional e ganhou o título paulista de 1975.


Três tetra campeões pelo CRB em 1979.
Jorge da Sorte. Alberto e Silva.
Três jogadores que no inicio dos anos 80 reforçaram o time do Capelense para realizar uma excelente campanha.


Três craques dos anos cincoenta.
Cacau. Bandeira e Paulo Mendes.
Em 1952 os três jogaram pela seleção alagoana que disputou o campeonato brasileiro de seleções.
Cacau jogou apenas pelo CRB. Paulo Mendes somente vestiu a camisa do CSA.
Bandeira foi a grande revelação de 1947 quando Alexandria foi campeão alagoano. Depois jogou pelo CRB, Esporte Clube Bahia e
CSA conquistando títulos em todos esses clube.   Ainda jogou pelo Esporte Clube Alagoas.


                                                   CHARLES MILLER

Seu nome é CHARLES MILLER. Um paulista nascido no dia 24 de novembro de 1874, na casa de seus avós maternos, Henry Fox  e Harriet Mathilde Rudge Fox, que moravam na rua Monsenhor Andrade,na Capital paulista. Seis pais foram John Miller e Carlota Alexandrina Fox Miller. Antes de introduzir o futebol no Brasil foi um campeão consumado entre os amadores da Inglaterra. Além de futebolista, Charles Miller foi cricket famoso, consagrado tenista e temível rugby player. Em 1895, organizou o primeiro time de rugby, em São Paulo. Em 1902, como capitão, dirigiu o time paulista de crickt que representou o Brasil em certame sul-americano, decidido na Argentina. Destacou em numerosas outros esportes, tendo sido sem conta as medalhas, menções honrosas, taças e troféus ganhos quando desportista. Jogou futebol no São Paulo Athletic Clube até 1910. Em 1914 Charles Miller atuava como arbitro no futebol paulista.O pai do futebol brasileiro morreu no dia 30 de junho de 1953, aos setenta e nove anos de idade.
An introdução do futebol no Brasil aconteceu em 1895. Todos os cronistas do brasileiros, em suas obras, não deixam duvidas, a esse respeito. E quem trouxe o novo esporte para o Brasil, foi Charles Miller, o paulista filho de ingleses.Em 1884, após concluir seus estudos preliminares, seguiu para a Inglaterra, afim de completar sua educação. Estudava e jogava como centro avante no futebol inglês.
Em meados de 1895, na Varzea do Carmo, se realizou os primeiros treinamentos com equipes brasileiras.Charle Miller reuniu um grupo de ingleses na Companhia de Gas, London Bank e S.P.R. A primeira tentativa foi efetuada com a bola que serviu para a decisão de um jogo em Southampton, fôra presenteada por um companheiro, que mais tarde ocuparia a presidência da Liga de Futebol da Inglaterra.
Os primeiros jogos tiveram lugar na Chácara Dulley, no bairro do Bom Retiro. Outras partidas foram disputadas na Várzea do Carmo, em terrenos da municipalidade. Nessas partidas foram utilizadas as duas bolas trazidas por Charles Miller para o Brasil, ao regressar da Inglaterra.Os jogos eram assistidos por grande público, todos interessados no novo esporte que surgiu. Nessa época, o São Paulo Athletic começou a se dedicar ao futebol,e o próprio Charles Miller terminou sendo seu presidente.Seu entusiasmo juvenil, cordial amadorismo e seu espírito esportivo prevaleceu durante muitos anos.


O primeiro jogo foi disputado entre o The Team  do Gás, integrado por empregados daquela Companhia e o The S.P. Railway Team formado por funcionários dessa ferrovia. Isso aconteceu no dia 15 de abril de 1895. A primeira tarefa dos atletas ao chegarem ao campo foi enxotar do mesmo os animais da Cia. de Viação Paulista que pastavam.Logo depois foi iniciado o jogo que transcorreu interessante, sendo que alguns jogadores utilizavam calças por falta de uniforme adequado. Venceu a equipe do S.P. Railway, por 4x2. Charles Miller estava entre os vencedores. Quando terminou o jogo, havia o compromisso para se promover um segundo encontro.


(Estes dados foram retirados de um entrevista concedida por Charles Miller ao saudoso cronista Thomas Mazzoni da Gazeta Esportiva de São Paulo em 1950.)



  FLAVIO

Nos anos setenta chegou a Maceió, contratado pelo CRB, um jogador gaúcho chamado Flávio. Mesmo no tempo do amadorismo, poucos foram os atletas que vestiram a camisa do CRB com tanto entusiasmo, tanta dedicação, tanto carinho. Flávio bem poderia simbolizar a raça do jogador alvirubro. Seu amor pelo profissão, sua vontade de vencer contaminava os companheiros e os torcedores. Nos dias de hoje é difícil se encontrar um jogador como o gaúcho Flávio.

Cobrão? Seria um exagero para ele. Bonzinho? Bem acima disso. Na verdade, um jogador que sabia o que queria com a bola, que não tinha medo de jogar, que é capaz de superar suas deficiências.  Sempre demonstrou muita segurança e um satisfatório conhecimento da sua posição. Dono de ótimos reflexos, duro sem ser desleal, e um verdadeiro líder do time.

Flávio sempre se superou. Seu futebol cresceu com o time que terminou tetra campeão alagoano em 1979. Jogando no meio da área, ele se tornou o dono daquela faixa de terreno e não permitia que nenhum atacante fizesse graça naquele setor. Nas divididas, Flávio sempre levava a melhor. E a torcida do CRB aprendeu a gostar do gaúcho, transformando Flavo em um dos mais queridos jogadores da história do clube.

Muitas vezes, a glória e a fama chegam rápido e de repente. E muitas vezes, também, vão cedendo lugar ao esquecimento. No futebol, isso é muito freqüente. O torcedor consagra, mas também rapidamente esquece seus ídolos. Jogador ajuizado, Flávio sabia que futebol não é eterno. Pensando muito no futuro, ele foi alicerçando seu amanhã, fazendo economias com o dinheiro que recebia do futebol.


Por tudo isso,  Flávio pode fazer parte da lista dos dez melhores jogadores de outros Estados que jogaram em clubes alagoanos.



MARCOS DE MENDONÇA

Marcos Carneiro de Mendonça era um menino triste. Todos os amigos e irmãos corriam atrás da bola, menos ele. Proibição médica, pois Marcos tivera febre amarela, infeção pulmonar e pequenos transtornos cardíacos. Todo mundo o enchia de cuidados impedindo-o de fazer grandes esforços. Mas, ele queria mesmo era jogar futebol e o gol era o menos exigido. Nasceu assim, o maior goleiro dos primórdios do futebol brasileiro.

Com excelente sentido de colocação, ótima visão das jogadas e uma mistura precisa de arrojo e segurança, Marcos de Mendonça mudou a concepção de que jogar no gol era apenas o pior do time. Também iniciou a tradição de goleiro galã. Elegante, ele arrebatava corações femininos, principalmente quando entrava em campo com uma fitinha roxa na cintura. Marcos Mendonça começou no Haddock Lobo, passando depois para o América. Mas, foi no Fluminense que atingiu a consagração. Foi tri campeão carioca nos anos de 1917/1918/1919. Foi o primeiro goleiro da seleção brasileira em 1914 e bi campeão sul-americano em 1919/1922.



                 ADELAIDE – A GRANDE 

      ATLETA DO NOSSO VOLEIBOL


Poucas coisas no mundo foram descobertas de uma só vez. Os continentes, por exemplo. Não há um só deles que apareça na história com um único descobridor. Sempre há a frase: “Alguém esteve lá antes”.  No esporte também há uma história nova. O Iate descobriu o voleibol feminino alagoano. E, esse a gente bem sabe, já havia sido descoberto antes. Apenas eclipsou-se. Ou talvez, brilhou menos. Agora, entretanto, ganhou seu novo sol e marcou a revanche mais sensacional e esperada dos últimos três anos. Mas a descoberta do Iate não se limitou apenas no voleibol. Sua conquista foi além – descobriu uma nova estrela de primeira grandeza, um novo sol, mais brilhante, mais intenso, mais positivo.

Na dezena de anos que se disputa o voleibol feminino em Alagoas, nunca apareceu uma estrela tão estrelissima. Anteriormente já brilharam outros “sois”, outras estrelas, mais ativas. Entretanto, justiça seja feita. Nenhuma foi tão autêntica e perfeita. Se podemos chamar uma atleta de voleibol de Joana D’arc, naturalmente não podemos  deixar de classificar, teoricamente, que o Iate Clube Pajuçara teve a sua Joana D’arc no campeonato de 1958 recém terminado. E quem seria essa Joana D’arc senão a estrelissima Adelaide, heroina das heroinas, principal responsável pelo grande, pelo autêntico, pelo inesquecível feito das iatistas. Trata-se de uma campeã de verdade, que põe o esporte acima de tudo, até de suas vaidades, não poupando sacrifícios pelo bem estar de suas companheiras e de seu clube. Por isso é que o Iate a descobriu somente em 1958. Ou contrariamente, ela é que descobriu o Iate e o próprio voleibol da terra dos Marechais.

Dissemos no início desta pequena crônica que poucas coisas no mundo foram descobertas de uma só vez. Citamos os Continentes como exemplo e, acrescentamos até,  que sempre há uma frase “Alguém o descobriu antes”. Contudo, nenhuma estrela, até hoje descoberta, teve a ascensão e o brilho de Adelaide. Nenhuma, pelo menos no voleibol alagoano, conseguiu galgar os degraus da perfeição como ela.  Talvez muita gente pense que estamos exagerando. Mas, quanta ingenuidade haveria nesse pensamento ! Para provar as qualidades da garota, basta vê-la jogar e brilhar. Porque cada atuação de Adelaide, no campeonato de 1958, era mais um passo dado para a perfeição, para o brilhantíssimo. Fez até milagres.

Carregou o time nas costas em várias ocasiões. E em todas as oportunidades demoliu, destruiu, desmoralizou as defesas adversárias com seus arremessos  incrivelmente violentos. Dizem, até, que seu sucesso deve-se a hereditariedade esportiva. É uma família de desportistas. Seu pai, Dr. José Reis foi um dos grandes diretores do Iate e com um passado esportivo dos mais brilhantes. Os irmãos Chico e Almir são campeões de basquetebol, também pelo Iate. Adelaide é alta, como altos são todos os de sua família. Fisicamente, é magrinha e bem parecida com a famosa Leila, considerada a mais perfeita atleta do voleibol carioca em 1958 defendendo o Flamengo.  Como Leila, ele possui bom domínio da bola e um arremesso que causa inveja a certos cortadores de algumas equipes masculinas de Alagoas.

Citamos esse exemplo, não para classificar a estrelissima do Iate como uma cópia perfeita da outra, que ela não é, e nem será cópia de ninguém , pois sua personalidade é visível e indiscutível. Entretanto o fizemos porque queremos mostrar que, como a outra, Adelaide merece um lugar ao sol, uma chance maior no centro voleibolistico do Brasil. Temos visto poucas jogadoras que defendem a nossa seleção nacional tão boas e positivas quanto ela. E não estamos exagerando mais uma vez.  Por esse motivo, e por muitos outros, é que qualificamos Adelaide como a maior estrela do voleibol alagoano.  Não lhe estamos fazendo nenhum favor, mas apenas reconhecendo sua atual forma física e técnica.

 Há uma história nova no esporte da Terra dos Marechais. O Iate descobriu o voleibol feminino alagoano. E Adelaide descobriu o Iate. É a sua estrela de primeira grandeza, o novo sol, mais brilhante, mais intenso, mais positivo e autêntico.


Texto  de Luiz Alves na Gazeta de Alagoas de 1958





                    Craques da Raça - Brito


Dono de um físico que o tornou um atleta quase perfeito, foi um guerreiro e um herói que jogava com bom humor.

Um verdadeiro herói, um Hércules , como previra seu pai, o carpinteiro Lenídio Ruas, ao vê-lo nascer, com espantosos 5 kg a 9 de agosto de 1940. Não por acaso, batizou-o de Hercules Brito Ruas, um nome que, ao longo de duas décadas, seria respeitado e temido por atacantes de pelo menos três gerações.

Em sua carreira, através do Vasco, time pelo qual se apaixonou na infância ao descobrir a magia do futebol, do Internacional, do Flamengo, do Botafogo, do Cruzeiro, do Corinthians e do Atlético-Pr, sem contar com breves passagens pelo Canadá e pela Venezuela, construiria em torno de si um rico repertório de histórias folclóricas e uma sucessão de lendas

Segundo as histórias, Brito seria no fundo uma espécie de bobo da corte dos clubes em que jogou, habituado a divertir os corredores das concentrações. Telefonava do México para seu cachorro, rindo satisfeito a cada latido via satélite, e contava piadas engraçadas nos aviões, nos hotéis e nos vestiários. Distraído, perdeu a hora do próprio casamento. Alegre e boêmio, apreciador de uma cachacinha e apaixonado por escolas de samba, preferia gozar seus pequenos prazeres a levar a sério a sua profissão.

Segundo as lendas, atrás do boa-vida da Ilha do Governador e da Estação Primeira de Mangueira, escondia-se um zagueiro mau e impiedoso. Pois não fora ele o cruel agressor do árbitro José Aldo Pereira, num Botafogo e Vasco em 1971 ? Não atirara, num Cruzeiro e Flamengo de 1970, a camisa azul suada na cara de um antigo algoz, o mal-amado treinador Iustrich ?

Embora ás vezes até mesmo verdadeiras, essas lendas e histórias serviram para encobrir o aspecto fundamental do jogador Brito, antes de tudo, um  craque da raça, um homem com vergonha na cara que chorou feito criança abandonada embaixo do chuveiro do Morumbi quando o Corinthians perdeu o campeonato paulista de 1974, comovendo-se com a mesma intensidade de sentimentos que exibira na inesquecível conquista do mundial de 1970 no México.

Na Copa do Mundo de 1970 foi eleito pela insuspeita Organização Mundial de Saúde o jogador melhor preparado do mundo. Concorreu com o inglês Bobby Moore, o alemão Franz Beckenbauer e  o italiano Gigi Riva. Pesava 79 kg e tinha um batimento cardíaco de espetaculares 44 pulsações por minuto. Um fenômeno. Mais do que isso: um guerreiro que não admitia perder nem ser humilhado. Por essa razão, se vingaria de Yustrich por ficar no banco do Flamengo ao voltar da Copa de 1970. Um tri campeão mundial não poderia ser barrado por um Washington obscuro e medíocre. Perdeu a cabeça ao acertar um  soco em José Aldo Pereira que marcara um  pênalti contra o Botafogo.  Brito foi sempre, um beque destemido e de um formidável vigor. (Revista Placar)

                              

                                                                                   DIVALDO LINDOSO                                    

Divaldo viveu os bons tempOs do amadorismo no Clube de Regatas Brasil. Em 1948 já era titular do clube da pajucara. Versátil, jogava em algumas posições da defesa, o que facilitava sua escalação para o treinador. No bi campeonato de 1950/51, Divaldo formou em uma das maiores equipes da história do CRB. Bandeira. Cacau. Miguel Rosas, Divaldo. Walfrido Vieira. Cacará. Sansão. Dario. Laxinha. Arédio. Santa Rita. Claudinho e Milton Mongôlo eram alguns dos craques daquela equipe que deu muitas alegrias a sua torcida.


Para Divaldo era fácil jogar naquele time. Atuar ao lado de Miguel Rosas era uma tranquilidade. Mesmo nos momentos mais difíceis, lá estava Miguel Rosas para arrumar a casa, botar ordem na defesa do CRB. Divaldo era mais marcador. Duro, viril, sem ser violento, ele tomava conta do seu setor jogando serio e sem oferecer muitas oportunidades a seus adversários. Não gostava de perder. Treinava o mais que podia. Nos jogos sempre se empenhava com raça e dedicação. Vestindo a camisa do CRB, a única que defendeu em sua carreira como jogador de futebol, sempre demonstrou todo seu amor. Um regateano defendendo seu clube por mais de dez anos.

Divaldo também jogou a seleção alagoana. Em 1952, formou com Cacau. Nivaldo Yan Tay e Paulo Mendes, os quatro zagueiros convocados por Zequito Porto. Jogou em Aracaju e Recife. Por suas grandes atuações, foi convidado para treinar do São Paulo Futebol Clube. Seguiu para a capital paulista junto com Bandeira. Paulo Mendes e Dario. Como o time titular estava jogando na Europa, os alagoanos ficaram treinando com juvenis e reservas. Chegaram a agradar. Entretanto, as condições oferecidas não foram suficientes para que eles deixassem seus amigos e familiares.


Divaldo nasceu na cidade de Maragogí e chegou para o CRB em 1947, onde começou jogando nos aspirantes. Foi lançado na equipe principal pelo treinador Zequito Porto. No futebol teve grandes momentos. Ele não esquece o período que estava de férias na sua cidade e o CRB mandava um pequeno avião ir buscá-lo para jogar pelo clube no domingo. Com um pouco de vaidade, Divaldo se sentia um privilegiado. Outro fato foi quando teve que enfrentar o Olaria do Rio. Ele tinha feito uma caminhada de 24 quilometros com os companheiros de NPOR e estava acampado longe de Maceió. O treinador Zequito Porto foi buscá-lo e o colocou para jogar contra o clube carioca. O CRB venceu por 1x0 em jogo realizado na pajucara no ano de 1949. Hoje, Divaldo uma vida tranqüila junto com seus familiares. Foi um dos homenageados no projeto Cantinho da Saudade e escreveu seu nome no livro da galeria dos grandes nomes do futebol alagoano. 




                                                 ORLANDO – Pingo de Ouro


Reza a lenda que o apelido Orlando Pingo de Ouro surgiu após um jogo em que ele marcou quatro gols contra o Bonsucesso. Chovia muito, o que não impediu meia-esquerda de mostrar todo o seu talento. No dia seguinte, um jornalista teria escrito que Orlando “parecia um pingo d’água presente em todo o gramado,  brilhando como se fosse ouro”.

Verdade ou não, o fato é que Orlando de Azevedo Viana, nascido em Recife, em 4 de dezembro de 1923, foi um dos grandes jogadores do futebol brasileiro na primeira metade do século passado e um dos grandes da história do Fluminense. Ele começou a sua carreira no Náutico e defendeu o Fluminense  entre 1945 e 1954, fazendo 186 gols em 310 partidas, sendo o artilheiro do Campeonato Carioca de 1948 e da Copa Rio de 1952. Ainda pelo Fluminense, Orlando foi campeão do estadual de 1946 e do Torneio Municipal em 1948, quando fez, de bicicleta, o gol na final contra o Vasco da Gama.

Baixo e franzino, era rápido e muito inteligente,  sempre se colocando em condições de marcar muitos gols. Até hoje ele é um dos maiores artilheiros do Fluminense. Pela Seleção Brasileira, foi campeão sul-americano em 1949, quando disputou os seus 3 jogos pela seleção canarinho, fazendo 2 gols,um na vitória sobre a Colômbia, por 5 a 0, e outro na goleada por 7 a 1 contra o Peru.

Orlando morreu em 5 de agosto de 2004.
(Da Revista do Fluminense).


        DRAMAS DO FUTEBOL ALAGOANO  

                                   NETINHO


Netinho foi um craque no CSA. CRB. Auto Esporte e Esporte Clube Alagoas. A torcida se encantava com suas jogadas. Era um jogador elegante, clássico e dono de um vistoso futebol.

Não adianta  nossa preocupação em encontrar razões para explicar as coisas ruins que surgem em nossas vidas. Não nos cabe outra alternativa senão apontar os acontecimentos. Por razões extra-campo, Netinho começou a cair de produção. Seu estupendo futebol foi murchando, sumindo. A torcida já não via mais suas grandes apresentações. A imprensa não lhe dava a mesma atenção. E aquele que foi ídolo, que teve seus dias de glória, começou a ser esquecido por todos.

Netinho desapareceu. Começou a beber. Não parava em qualquer emprego. Dava pena ver Netinho, no Mercado Publico, pedindo dinheiro para beber. Era um quatro triste onde ele aparecia como uma figura deformada. Netinho estava perdido, tragado pelo lamaçal da bebida. Alguns amigos procuravam ajudá-lo. Em principio, ele tomava jeito. Parecia ter expulsado a bebida de sua vida. Parecia querer reencontrar a porta para uma saída que lhe colocasse novamente na sociedade sadia e equilibrada. Tudo isso, porém, durava pouco tempo. Logo ele voltava a ser superado pelo álcool.



Diz o poeta que  “o coração tem razões que a própria razão desconhece” E Netinho deve ter tido fortes razões para se deixar devorar pelo vicio da bebida. Jovem ainda, mas com o físico debilitado, Netinho encontrou a morte prematuramente. Nunca mais tivemos a chance de assistir aquele futebol inteligente, cheio de talento e habilidade.



                                                                   PREGUINHO


João Coelho Neto, o Preguinho, nasceu no Rio de Janeiro em 1905 e faleceu em 1979. Foi o autor do primeiro gol brasileiro em Copas do Mundo, em 1930, na derrota de 2 x 1 para a Iugoslávia. Apesar de nunca ter sido profissional, participou do tricampeonato conquistado pelo Fluminense (1936/37/38). Artilheiro carioca em 1928 e 32, marcou 184 gols com a camisa tricolor. Na Seleção, jogou sete partidas, marcando dez vezes. Filho do escritor Coelho Neto, é um dos gigantes da história do Fluminense, onde ganhou títulos também no basquete, vôlei, atletismo e natação.

                              
CÃO – ATACANTE DO CSA

No inicio da década de cinqüenta, existia um ponteiro direito no Centro Sportivo Alagoano chamado de José Antonio de Melo e apelidado de Cão era encorpado e com uma velocidade incrível, ele chegou a empolgar a torcida azulina. Seu chute era uma verdadeira bomba e não foram poucos os gols que ele marcou cobrando faltas de fora da área. Era um verdadeiro tanque. Jamais fugiu da luta e seu espirito de combatividade contaminava sua torcida que vibrava com suas arrancadas. Muitas vezes, os adversários confundiam sua fibra, sua vontade de vencer, com deslealdade. Apesar disso, Cão se machucou várias vezes, porque não gostava de perder, e lutava com todas as forças para vencer sempre. Para ele não havia bola perdida.

Depois de jogar no Clube de Regatas Brasil e no Comércio, Cão teve seus grandes momentos no Centro Sportivo Alagoano, onde foi campeão em 1952 formando ala com o endiabrado Dida, que mais tarde iria para o Flamengo do Rio de Janeiro. Em 1955 também foi campeão quando CSA iniciava a campanha do seu primeiro tetra campeonato. Defendeu a seleção alagoana em vários campeonatos brasileiros. Cão não esquece o jogo contra os sergipanos pelo brasileiro de 1952. O chamado jogo dos 163 minutos. No tempo regulamentar, os alagoanos venceram por 2x1. Para decidir o classificado foi necessário prorrogação. Aos treze minutos da terceira prorrogação, Cão foi a linha de fundo e cruzou para Laxinha assinalar o gol da vitória. Bons tempos aqueles. Cão  sempre lembrava com muita clareza, e dizia ter saudade do futebol de sua época. O amor a camisa estava acima de tudo.

Cão sentiu o gosta da fama. Era querido pela torcida. Seu tipo alegre e brincalhão, fazia dele um jogador de muita cotação entre seus companheiros e torcedores. Tinha uma saúde de ferro, e por isso, corria os noventa minutos e poderia correr muito mais.  Sua origem humilde, o obrigou a trabalhar e jogar futebol. Conciliava bem as duas coisas. Muitas vezes, saia do Cais do Porto, onde trabalhava como estivador direto para o estádio onde o CSA ia jogar.

Ele jogava como um verdadeiro ponteiro. Um olho na bola e o outro no adversário. Driblava, ia a linha de fundo e fazia cruzamentos para os companheiros. Ninguém ensina ninguém a jogar futebol e fazer gols. Mas, é possível corrigir falhas e criar condições para que o atleta possa melhorar seu rendimento. Na sua época não havia treinamentos técnicos e táticos. Assim sendo, os defeitos que tinham raramente eram consertados.

Antigamente, o bom jogador aparecia no gramado e a torcida via porque ele era bom. Não havia imprensa para promover o jogador como nos dias de hoje, onde a máquina publicitária promove um perna de pau como se ele fosse um craque. Por tudo que fez ao longo de dez anos jogando futebol,  Cão faz parte da história dos nossos arquivos implacáveis.




                                           RICARDO GOMES – O CAPITÃO

Com 19 anos, Ricardo estreava na Seleção. Pertencia a uma safra do Fluminense que lhe deu um tri-campeonato carioca (83/84/85) e o campeonato brasileiro de 1984.
O técnico Edu Coimbra não teve dúvidas em colocá-lo no time que enfrentou a Inglaterra no dia 10 de junho de 1984, no Maracanã. Os visitantes ganharam por 2 a 0. Só retornou à Seleção principal em 1987, pelas mãos de Carlos Alberto Silva.

No início de 1987 participara da equipe pré-olímpica, quando se encontrou com o outro Ricardo, o Rocha. O Ricardo Rocha continuou a ser chamado simplesmente Ricardo, mas o Ricardo Gomes foi denominado de Ricardo Raymundo. O Ricardo Gomes se chama Ricardo Gomes Raymundo. O Ricardo Raymundo não pegou. Por uns tempos um era o Ricardo I e o outro o Ricardo II. Às vezes o Ricardo Gomes era o Ricardo I, outras Ricardo II, o que causou uma balbúrdia nas estatísticas futebolísticas. Deu muito trabalho depurar quem era o I ou o II em cada jogo.
Em 1988, por ocasião do Torneio Bicentenário da Austrália, Ricardo Gomes assumiu o posto de zagueiro titular. O time estava a caminho das Olimpíadas de Seul, na qual Ricardo Gomes não jogou, agora contratado pelo Benfica. Nunca mais atuaria por clubes brasileiros.


O seu futebol técnico fez sucesso na Europa. Sempre bem colocado, calmo e excelente nas cabeçadas, foram as qualidades que lhe garantiram um lugar na Seleção. Lazaroni convocou-o em 1989. No seu retorno, o Brasil derrotou Portugal e Ricardo Gomes marcou um gol, na vitória de 4 a 0. Guindado ao posto de capitão, por sua inconteste liderança, seguiu com a Seleção para disputar o Torneio da Dinamarca. O time de Lazaroni fracassou redondamente nessa excursão. A seguir, aconteceria a Copa América. O técnico brasileiro, ressabiado com o que vira na Dinamarca, resolveu inovar, armando a equipe com três zagueiros: Ricardo Gomes, Mauro Galvão e Aldair. Depois de um início inseguro, o Brasil voltou a ganhar a Copa América, 40 anos após sua última conquista.


Na Copa do Mundo de 1990, os três zagueiros continuaram. Primeiro com Mauro Galvão, Mozer e Ricardo Gomes e depois com Ricardo Rocha no lugar de Mozer. Até o jogo contra a Argentina, a defesa tomara apenas um gol. A derrota para a Argentina, quando o Brasil perdeu uma grande quantidade de gols, aconteceu a poucos minutos do fim. O gol de Cannigia se deveu à genialidade de Maradona. No momento em que Maradona lançou Cannigia, Ricardo Gomes se viu sozinho, pois Mauro Galvão, que cuidava do lado direito da defesa, abandonara a sua posição para tentar combater o grande craque argentino. Em desespero, Ricardo Gomes ainda procurou forçar o impedimento de Cannigia, lá do outro lado, mas era tarde.

No ano seguinte, Ricardo Gomes foi contratado pelo Paris Saint-Germain. Na França, o zagueiro brasileiro conquistou a Copa da França e o campeonato francês. Quando abandonou o futebol, em 1996, foi ser manager do charmoso clube parisiense.


                             
                                                                    CORINO

Foi um dos mais destacados jogadores do futebol alagoano. Um grande artilheiro. Um jogador que ajudou o Capelense a conquistar dois títulos estaduais.  Formou com Geofonso uma dupla de área sensacional. Os dois se completavam. Tabelavam, driblavam, faziam gols. Corino só tinha medo de viajar de avião. Certa vez, convocado para a seleção alagoana, treinou, jogou em Maceió e, na hora de viajar para Aracajú e Fortaleza, preferiu ficar.

Na cidade de Capela era idolatrado por todos. E Corino vindo de família humilde e pobre, se sentia muito bem quando era conhecido como peça importante dentro de sua equipe. Os aplausos, os abraços serviam de incentivo para o craque capelense. Corino nunca desejou sair da cidade de Capela e se transferir para um grande clube da capital. Na sua cidade era respeitado e reconhecido por todos. Era um verdadeiro ídolo. Fazer gols  era com ele mesmo. Tinha uma qualidade rara de ser goleador. Não era perfeito, mas era simples e ágil. Bola sobrando na área do adversário tomava sempre o rumo das redes impulsionada pelo artilheiro do Capelense. Podia ser de cabeça, de pé,  ou de qualquer maneira. O que interessava mesmo era ver a bola na rede.

Corino chegava a ser tímido. Mas, era um excelente rapaz, um bom caráter e sempre amigo de seus amigos. Suas características de velocidade e ampla visão do gol, lhe davam condições excepcionais de aproveitamento nos lances de área. Sabia se deslocar com malícia e rapidez. Foi campeão alagoano em 1959 e 1962. Campeão e artilheiro. Jogou na seleção alagoana de 1962, quando foi disputado pela última vez, o campeonato brasileiro de seleções estaduais. Quando o Capelense jogava, a torcida estava acostumada a ver uma bola chutada por Corino balançar as redes adversárias e o artilheiro interiorano sair para os abraços dos companheiros. Esta cena se repetia a cada jogo do Capelense.




                                                                 BELFORT DUARTE

Nascido em São Luiz do Maranhão no dia 27 de novembro de 1883, João Evangelista Belfort Duarte foi um dos fundadores da Associação Atlética Mackenzie College, primeiro clube verdadeiramente de brasileiros no futebol paulista.

Mudando-se para o Rio de Janeiro, introduziu no América o uniforme vermelho em 1908. No ano seguinte, numa partida contra o Botafogo, por sua iniciativa, o time do América saudou a torcida pela primeira vez e, criando um costume, hoje generalizado.

Tal era a liderança sua liderança,  que o América mudou  sua sede para o porão da casa de Belfort Duarte, em fins de 1909. Dois anos depois, foi ele quem promoveu a fusão com o Haddock Lobo, incorporando ao patrimônio americano o terreno da rua Campos Sales, onde ainda hoje é a sede social do clube.

Atleta exemplo, Belfort Duarte ajudou o América a ser campeão carioca pela primeira vez  em 1913. Sempre como capitão do time, jogou sua ultima partida no dia 11 de julho de 1915, contra o Flamengo. Mesmo sem jogar, continuou trabalhando como desportista. Foi ele quem oficializou as regras do futebol no Brasil. Foi ele quem promoveu a primeira visita de um time estrangeiro ao país. Foi ele quem abriu as portas do América ao atleta negro.

E mais teria feito se não houvesse vivido tão pouco. Quando convalescia da gripe espanhola, uma epidemia que atacou o Brasil, numa fazenda do interior fluminense, foi estranhamente assassinado no dia 27 de novembro de 1918, exatamente quando completava trinta e cinco anos de idade.

O prêmio Belfort Duarte de disciplina foi criado pelo Conselho Nacional de Desportos no dia 16 de agosto de 1945. Seu nome aparece também, no hoje, estádio Couto Pereira como homenagem do Coritiba ao América, que inaugurou o seu estádio.


DENTINHO

Dentinho foi um dos grandes artilheiros da história do CSA.
Seus gols garantiram muitas vitórias para o clube azulino e alegria para seus torcedores.
Hoje, já não se faz mais goleadores como Dentinho. Por isso, ele será sempre lembrado.



 MANECA

Maneca era um atacante de grande versatilidade. Jogava no meio campo e também se transformava em homem de área. Era um artilheiro e dos bons. Fez parte do plantel do Vasco da Gama nos anos quarenta e cinqüenta. O baiano Maneca começou sua carreira, em 1943, jogando nos juvenis do Gálicia de Salvador. Dois anos depois vestia a camisa do Bahia. Foi campeão baiano e seu sucesso foi tão grande que, logo depois, em 1946, era contratado pelo Vasco da Gama. No clube vascaino conquistou os títulos de campeão carioca nos anos de 1947. 1949. 1950 e 1952. No ano seguinte voltava a Salvador para, outra vez, defender o Esporte Clube Bahia e ser novamente campeão baiano. Em 1955 retornou ao Vasco da Gama onde permaneceu até o inicio de 1956. Depois voltou ao futebol baiano para vestir mais uma vez a camisa tricolor do Bahia. Já em fim de carreira, atuou pelo Bangú em 1957, e encerrou sua brilhante carreira de forma melancólica atuando pelo Galícia clube onde começou jogando em seus juvenis.

Durante sua carreira, defendeu a seleção carioca e foi campeão brasileiro em 1950. Também vestiu a camisa da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1950, quando foi vice-campeão. Com o corte do ponta direita Tesourinha, contundido, Maneca foi improvisado na posição onde jogou nos quatro primeiros jogos. Na partida contra a Espanha se machucou e ficou de fora da decisão contra os uruguaios.

Depois de abandonar o futebol, trabalhou como revendedor de carros. Entretanto, sua vida pessoal era cheia de problemas que lhe afetaram os nervos. As freqüentes crises nervosas o levaram ao suicídio em 1961. Manoel Marinho Alves nasceu no dia 1º de dezembro de 1926 na cidade de Salvador na Bahia. 




Dida no CSA falando ao microfone da Rádio Difusora de Alagoas em 1952.

                               CRÔNICAS

          DIDA VAI SER IMORTALIZADO   

                DANDO NOME A MUSEU

(comentário de Luiz Alves para o Jornal de Hoje Esportivo do dia 8.11.92)

  
Não é segredo para ninguém o fato de que o majestoso estádio do Trapichão, individualmente chamado de “Rei Pelé”, está sendo reformulado em todos os seus setores. Muita coisa está sendo modificada, Muita novidade irá aparecer. O estádio que já foi orgulho dos alagoanos, vai voltar aos seus melhores dias.  Uma das grandes novidades desse novo Trapichão será o  “Museu dos Esportes”, que ficará localizado à entrada do estádio, ao lado do salão de recepções do Hotel Maceió, ali sediado. Uma grande área está destinada ao Museu. Três grandes salões ficarão a disposição dos alagoanos, que poderão ver de perto fotos, fatos e histórias pertencentes ao magnifico “arquivo implacável” do jornalista esportivo Lauthenay Perdigão.

No primeiro salão, ficarão as vitrines contendo troféus, taças, medalhas e camisas dos grandes clubes brasileiros, particularmente, dos alagoanos. Além de um bom espaço reservado para contar em detalhes toda história do Trapichão, como maquete, fotografias, placas, e tudo relacionado com a vida do belo estádio. No segundo salão, o local será prioritariamente reservado para exposições periódicas, contendo grandes painéis, contando a história do futebol alagoano, sem esquecer a própria história do futebol brasileiro. Tais exposições serão renovadas de três em três meses. Finalmente, no terceiro salão, ficará a sala para projeções de vídeo, filmes, histórias, depoimentos, jogos, gols e tudo mais sobre o desporto alagoano e brasileiro. Esse salão funcionará diariamente e terá um catálogo cronológico para atender as solicitações de todos aqueles que freqüentarem as dependências do Museu.

Tudo será possível, graças ao dinamismo de três personagens que, entusiasticamente, encamparam a brilhante idéia do jornalista Lauthenay Perdigão e vão transformar um velho sonho em realidade. Edvaldo Junior, secretário de comunicações do Estado. Gilmar Camerino, superintendente da FADA e o Governador Geraldo Bulhões, que, até,  já escolheu e definiu o nome que será dado ao Museu dos Esportes do Trapichão. Será uma homenagem ao maior ídolo de todos os tempos do futebol alagoano, filho das Alagoas e um dos campeões do mundo, na Suécia em 1958: Edvaldo Alves de Santa Rosa, o DIDA, herói de alguns feitos inesquecíveis, defendendo o CSA, a seleção alagoana e brasileira, o Flamengo carioca, a Portuguesa Desportos de São Paulo e o Juniores de Barranquila, na Colômbia. Sem duvida alguma, uma das mais justas homenagens a um alagoano que brilhou intensamente no futebol brasileiro e que é considerado pelo Governador Geraldo Bulhões, o maior ídolo esportivo de Alagoas.



LUIZ BORRACHA

         O Drama do goleiro Luis Borracha


A história nos reserva muitas histórias do futebol que o torcedor não conhece. Alguns jogadores vivem, injustamente, verdadeiros dramas que ficam pelos bastidores do esporte.

 Nos anos quarenta ele foi titular do Flamengo e da Seleção Brasileira. Um dia, maldosamente, alguém o chamou de venal e jogaram Luis Borracha nas profundezas do inferno. Ele deixou o futebol, esqueceram seus dias de consagração e Luis Borracha passou por momentos difíceis em sua vida. Anos depois, reparadas as injustiças, o ex-goleiro do Flamengo voltou a Gávea como simples funcionário e só conseguiu acertar sua situação pelas mãos do velho massagista Luis Luz que o levou para o seu departamento e o ensinou a cuidar dos músculos dos jogadores com a mesma eficiência que Luz cuidava de Borracha no seu tempo de goleiro consagrado. Agora, Luis Borracha, apelido que recebeu por sua elasticidade, foi um dos massagistas do time principal do Flamengo. Não gostava muito de se exibir e preferia, até mesmo, descansar dentro do vestiário, enquanto o time estava em campo no intervalos das partidas.

(Manchete Esportiva de 1977) – atualizado.



                                                              MILTON MONGÔLO

Milton um dos mais versáteis jogadores do futebol alagoano. Sua facilidade de atuar em várias posições do ataque fizeram com que ele  sempre  fosse útil as equipes que defendeu. Mesmo moroso em algumas jogadas, Milton era muito rápido no raciocínio. Isso fazia dele um jogador inteligente. Apesar de atuar com desenvoltura em qualquer posição ele preferia mesmo era jogar de ponta direita. Corajoso, mas cuidadoso nas bolas divididas, era um profundo conhecer das malandragens do futebol. Nos anos cinqüenta, Milton fez muito sucesso jogando futebol.

Começou no Comércio onde passou pouco tempo. Depois vestiu a camisa do Barroso onde seu futebol começou a amadurecer. Mas, foi no CRB que Milton ganhou experiência, tarimba, confiança, fama e foi campeão. Jogando seu bom futebol, foi contratado pelo Santa Cruz de Recife para depois de transferir para o São Cristovão de Salvador. Quando retornou a Maceió jogou e foi campeão alagoano pelo Ferroviário. Assinou contrato com o clube de Rede Ferroviária em troca de um emprego.  No inicio dos anos sessenta ainda jogou pelo Estivadores e pelo CSA. Foi uma longa caminhada cheia de emoções e dissabores.

Milton Mongôlo também jogou pela seleção alagoana em várias oportunidades. Ele não esquece a partida contra os sergipanos pelo campeonato brasileiro de 1952. Foi um jogo de 163 minutos. Foram necessário três prorrogações para se definir o Estado que continuaria no campeonato. E ele contribuiu para a vitória dos alagoanos no tempo regulamentar por 2x1 e na prorrogação por 1x0. Outra boa lembrança de Milton aconteceu em 1951. O CSA enfrentou o Velez Sasfield da Argentina no primeiro jogo internacional realizado em Alagoas. O jogo terminou com 1x1 e,  Milton abriu a contagem cobrando um pênalti.

Muitos o acusavam de boêmio. Homem que gostava da noite com bebidas e mulheres. Milton nunca desmentiu, mas dentro do campo levava o futebol a sério. Ele viveu um dos bons momentos do futebol alagoano. Um tempo de muitos craques e pouco dinheiro. 


                                                DRAMAS DO FUTEBOL BRASILEIRO
                                                                       Batatais

O goleiro Batatais do Fluminense era um grande virtuoso e sofreu um grande drama na sua vida. Durante mais de dez anos defendeu o clube tricolor com muito amor. Ao longo dos anos aprendeu a amar o clube das Laranjeiras. A torcida também amava Batatais. Ele tinha participado da Copa do Mundo de 1938 e defendeu a seleção brasileira por vários anos. No Fluminense foi muitas vezes campeão.

Em 1940 ele era um rei sem coroa. O lugar que durante muitos anos lhe pertenceu, pertencia a Robertinho, um novo goleiro que o treinador tricolor confiava. Mas, Batatais tinha raízes  no Fluminense e não queria deixar o clube. Um dia, num treino, ele teve uma crise de tosse em pleno gramado das Laranjeiras. Voltou o rosto angustiado sobre o ombro e cuspiu uma placa de sangue muito vermelho, do tamanho de uma velha pataca. Quando acordo do pesadelo, Batatais não era mais insubstituível  e indispensável. Os anos haviam desdobrado sobre ele o peso  de sua mancha. Era um acabado, sem entusiasmo e sem flexibilidade, sem leveza e arrojo, um jogador sem trunfos que olhava a mesa e não podia jogar.

Não demorou muito, seu contrato acabou e o Fluminense o mandou embora sem uma palavra de agradecimento pelo muitos campeonatos que ele ajudou a conquistar. Batatais foi o primeiro jogador a colocar o clube na justiça. Perdeu e ficou sem rumo, sem destino certo. 


O eterno Cocorote

 Aos 36 anos de idade, Cocorote ainda tinha inscrição pelo Ferroviário para disputar o campeonato alagoano. Apesar de veterano, ele achava que ainda tinha muito que oferecer ao clube ferroviário. Dizem que quanto mais velho o goleiro se destaca mais. A experiência vivida em baixo dos três paus de uma baliza dá ao arqueiro tudo aquilo que ele gostaria de ter quando jovem. Jogando num time modesto, Cocorote estava um pouco esquecido pela imprensa que somente observa as grandes defesas dos goleiros das principais equipes da cidade. Mesmo assim, ele ia seguindo na vida e fazendo suas defesas até quando Deus quiser.
Cocorote tinha uma vida de um verdadeiro cigano. Nasceu em Sergipe, mas começou a jogar futebol nos juvenis do América de Recife. Ainda como amador foi jogar no Siqueira Campos da II Divisão de Aracajú. Seu primeiro contrato de profissional foi com o Confiança e logo se tornou bi campeão sergipano. Depois passou pelo Ipiranga de Salvador, voltou ao Confiança e jogou ainda pelo Contiguiba, Olímpico (Sergipe). CRB, ASA (Alagoas), Alecrim (Natal) e Ferroviário (Maceió).  Foram muitos clubes, muitas emoções e também algumas decepções. A maior delas foi a sua saída do CRB. Ele estava bem, mas as fofocas infernizaram sua vida no clube. Ele lutou contra tudo e contra todos. Tentaram lhe desmoralizar, mas tudo saiu bem, e ficou apenas a grande mágoa.
Um goleiro nunca sabe o que encontrar pela frente. Porisso, muitas vezes, as glórias, as alegrias nem sempre são compensadoras. A amargura e o desconsolo, muitas vezes, fazem o arqueiro se tornar um vilão. Num clássico CSA e CRB realizado no mutange, Cocorote vinha sendo a maior figura do jogo. Tomou um frango e se tornou um jogador detestado pela torcida. Um chute de Giraldo e Cocorote não podia falhar. Ninguém estava por perto. Só ele a bola. Agachou-se para agarrá-la, e em vez de garras implacáveis, a bola encontrou mãos de seda, frágeis, nervosas. A bola escorregou por entre as pernas e tomou, lentamente, o caminho das redes. Foi realmente um frango daquele tamanho. Mesmo assim, Cocorote não se abateu não se envergonhou. O frango faz parte da vida de todos os goleiros, e ele não poderia ser uma exceção.
Cocorote também viveu grandes momentos. Entre eles aquele que formou na seleção alagoana e enfrentou o Santos no jogo de inauguração do Estádio do Trapichão. Cocorote foi funcionário da Rede Ferroviária. Não gostava de assistir jogos de futebol. Ia quando era para jogar e defender os clubes que o contratavam. Hoje Cocorote é um pedaço de saudade. Já não está mais entre nós.

                                  RIVELINO

Na história do Corinthians, nenhum jogador conseguiu reunir tanta habilidade, criatividade e potência no chute. Para a Fiel torcida corinthiana, Rivelino era perfeito. O reizinho do Parque. Apesar de querido pelos fanáticos torcedores, era xingado nas derrotas e endeusado nas vitórias. Sem ganhar títulos a muitos anos, a torcida era sempre impiedosa com seus ídolos quando o time não ia bem. Em 1974, passou a pior fase de sua carreira. Foi crucificado pela torcida que lhe atribuiu a derrota contra o Palmeiras na final do campeonato paulista. No ano seguinte se transferiu para o Fluminense do Rio de Janeiro. No futebol carioca viveu grandes emoções. Foi muitas vezes campeão e formou em uma das maiores equipes da história do tricolor das Laranjeiras.

Começou a ser chamado para a seleção brasileira em 1968. Com a camisa da seleção disputou mais de cem jogos. Foi tri campeão mundial na Copa do México em 1970 e participou também da Copa de 1974 na Alemanha. Sempre foi um dos mais destacados jogadores do Brasil e um de seus grandes artilheiros. O  craque argentino Maradona, diz em alto e bom som, que Rivelino foi maior jogador de futebol que viu atuar.

Em 1978 foi contrato pelo príncipe Khaled Bin Jazid para jogar no clube El Helal do futebol árabe. Lá se tornou ídolo e ajudou a melhorar o futebol das arábias. Quando retornou ao futebol brasileiro, foi jogar na seleção brasileira de seniores.

No Corinthians, no Fluminense, no futebol árabe ou na seleção brasileira, sua imagem de grande jogador ficou para sempre na memória de todos aqueles que o viram jogar. Os lançamentos de trivela, os dribles que ele passava o pé por cima da bola para deslocar seus adversários e, sobretudo a potência de seu chute jamais serão esquecidos. Um chute de artilheiro que não precisava entrar na área.


                                                      
DJAIR LIRA RAMALHO - Chita


Craque.  O próprio vocábulo indica: Às. Notabilidade. Figura de primeira grandeza. Chita foi um craque no futebol alagoano. Pena que depois de tratar a bola com muito carinho, de fazer com ela verdadeiras cenas de arte, ele a deixasse de lado, em um canto do vestiário, e saísse d
e braços dados com a boêmia. Dentro do campo, era o dono da bola. Fora                                   
das quatro linhas, chegava a ser irresponsável. Os clubes o aturavam pelo grande futebol que jogava.

Começou jogando nos juvenis do Esporte Clube Alagoas. Depois atuou pelo CRB. CSA. Guarani e Ferroviário. Sua saída tinha sempre um motivo: a irresponsabilidade. Jovem, cheio de emoções diferentes, Chita preferia as noitadas regadas a cerveja ao clube e ao futebol. Esquecia que o tempo passava depressa e o que não foi feito hoje, não pode ser recuperado amanhã. O tempo foi passando, a idade começou a pesar em seu corpo, sua juventude foi envelhecendo e seu futebol acabando.

Os torcedores da década de sessenta lamentam a vida desregrada de Chita. Mas adoravam assistir suas maravilhosas jogadas dentro do campo. Se levasse o futebol a sério, poderia ser um craque para qualquer clube do Brasil.  Foi campeão juvenil pelo Esporte Clube Alagoas, pelo CRB e pelo CSA. Suas pernas finas, mas valentes, carregavam  um corpo arqueado que lutava o tempo todo, buscando vitórias e ajudando seu clube a ser campeão.


Na sua vida atribulada, Chita perdeu grandes oportunidades no futebol. Deixou de interessar  a grandes clubes pelos motivos que já citamos. Seu futebol encantava dirigentes, torcedores e a imprensa. Mas, Chita não soube explorar todo seu talento e foi obrigado a deixar o futebol logo cedo. Trabalhou por dois anos na Petrobrás e deixou a empresa sem mais nem menos. Era a correnteza da vida que o empurrava para as profundezas do inferno. Nas incertezas desta vida, foi pulando de emprego em emprego quase sempre mal remunerado. Chita terminou morrendo longe dos poucos amigos. Com ele morreu um dos maiores talento do futebol alagoano.



                                                           Craques da Raça – Zito

Era rigoroso e exemplar. Corria, lutava, dava o sangue por uma vitória, e exigia o mesmo até de Pelé. Foi o maior líder da história do Santos.

Pela segunda vez, Pelé invadiu a área do Juventus, teve o gol de Mão de Onça a sua disposição e errou, por enfeitar demais a jogada. Uma equipe de cinegrafistas, colocada atrás do gol de entrada da Vila Belmiro, filmava cenas do jogo para serem incluídas no filme sobre sua vida, e Pelé, seguindo orientação do diretor Fabio Cardoso, procurava aproveitar a fragilidade do adversário, para tentar marcar um gol de placa. Zito, preocupado apenas com o jogo, partiu sobre Pelé, dedo em riste:

-         Chega da palhaçada, crioulo ! Vamos jogar sério!
-         Mas, Zito, estamos ganhando de 2x0, e eu...
-         Não quero saber de quanto estamos ganhando. Trate de jogar sério e marcar quantos gols puder, completou Zito.

Obediente, Pelé esqueceu as câmaras. Aqueles gritos, Pelé sabia, eram mais do que um simples conselho. Era uma ordem que mesmo ele, o maior jogador do mundo, devia cumprir.

Zito não se contentava em ganhar o jogo. Exigia goleadas. E só admitia firulas quando o Santos levava boa vantagem no marcador e o adversário apelava para a violência. Nessas horas – conta Pepe -  Zito chegava a ser cruel. Seus gritos eram ainda mais fortes e marcados pelo desprezo.

-         Pessoal, vamos reunir os cabeçudos. Desmoraliza-los, massacra-los, ensinar que raça não se confunde com violência.

Nos seus 16 anos de Santos – 1952 a 1968 – Zito somou mais de trinta expulsões de campo. Boa parte delas, é verdade, por gritar com juízes, exigindo ou reclamando a marcação de uma falta. Ele preferia o jogo leal, na bola, tocando-a de primeira, sempre no pé do companheiro, acompanhada de um conselho ou de uma orientação. Coisas que José Eli de Miranda fazia com maestria, tornando-se, por isso, um craque da garra a conseguir somar, a fibra que caracteriza essa espécie em extinção e a habilidade artesanal, hoje também muito rara.

Zito foi um jogador extremamente profissional. Tão profissional que, ao sentir as pernas fraquejarem, recusou todos os pedidos para continuar por mais algum tempo, preferindo entregar a camisa 5 ao garoto Clodoaldo. Resolveu, então cuidar dos seus apartamentos, de sua fazenda e da pequena industria de borracha.

Anos depois de ter abandonado o futebol,  o cronista De Vaney escreveu no Jornal “Cidade de Santos” –
-         Não houve antes de Zito, não existe depois dele. Não existe agora e ninguém sabe quando aparecerá um estimulador de time, um transmissor de ânimo, um orientador tão hábil e tão enérgico, um comunicador de tão absoluto equilíbrio.

Zito faleceu neste ano de 2015.

(reportagem da revista placar).
   

                               MISSO


Misso, nos anos em que participou de nossos campeonatos, jogando pelo Guarani ou pelo CSA, quase sempre se transformava no goleador da temporada. Tinha faro de artilheiro e no pique com os zagueiros sempre levava a melhor. Fazia muitos gols e se transformou em um dos mais queridos jogadores do CSA. Ainda hoje, os torcedores se lembram com saudade dos gols de Misso. Muitos gostam de ouvir através da narração de áudio os grandes momentos dos artilheiros nas partidas decisivas. Os goleiros adversários se contentavam em apanhar a bola no fundo das redes.

Seus gols, quase sempre decisivos, eram espetaculares e ficaram para sempre nas páginas da história do futebol alagoano. Sua velocidade, seu oportunismo, sua antecipação aos zagueiros e sua facilidade de chegar ao gol adversário, eram características de Misso.

Seu grande problema estava fora dos gramados. Sua vida desregrada, seu gosto pela bebida e as noitadas, tiravam um pouco de sua condição física. Só pensava em se divertir. E o futuro ? Isso Misso não queria nem saber. Para ele o que interessava era o presente. Naquele momento ele era artilheiro e ídolo do maior torcida de Alagoas.


Quando uma séria doença chegou e começou a tomar conta do seu corpo debilitado, seus falsos amigos fugiram. Apenas a família ficou do seu lado. Misso suportou por muito tempo a doença que lhe corria por dentro. Terminou morrendo. Partir muito cedo e deixou muita saudade pela sua figura de um dos grandes goleadores da história do CSA. Misso teve uma vida de alegria, dissabores e muita dor.



                                   Biguá


Biguá e Flamengo viveram um lindo caso de amor. Moacir       Cordeiro que nasceu no dia 22 de março de 1921, chegou à Gávea em 1941 e ficou até 1953, quando uma contusão nos ligamentos do joelho encurtou sua carreira como jogador de futebol. Biguá era paranaense da cidade de Irati e começou nos juvenis do Atlético do Paraná. Depois jogou apenas no Flamengo. Para defender o seu clube, Biguá usava de uma garra incrível.  Parecia que cada jogo era o último. Lutava como um alucinado. Formou com Bria e Jayme, uma das intermediárias mais famosas do Brasil.  Como Bria era paraguaio, apenas Biguá e Jayme também defenderam a seleção carioca e brasileira. O rubro negro foi protagonista de duelos históricos. No futebol carioca, quando o Flamengo enfrentava o Vasco, o ponteiro Chico dava muito trabalho para Biguá.  Quando jogava na Seleção brasileira, o duelo era contra o argentino Loustau. Foram duelos memoráveis.

Quando chegou ao Flamengo teve que se impor diante de tantos craques que faziam parte do plantel da Gávea como Zizinho, Domingos da Guia, Jayme, Pirilo e tantos outros. Em pouco tempo ganhou a torcida do Flamengo pelo garra e simpatia. Foi tri campeão carioca em 1942/43/44 depois de uma final contra o Vasco da Gama. Também foi campeão em 1953 quando Flamengo iniciava seu segundo tri campeonato.  Jogava marcando o ponta esquerda adversário e gostava de apoiar o ataque. Nos últimos anos de sua carreira chegou a jogar como ponta direita. Se lhe faltava altura, sobrava uma elasticidade foram do comum, além de uma perfeita colocação e muita coragem na decisão das jogadas.

Biguá foi Flamengo até morrer. Como nenhum outro jogador ele encarnou a mística rubro negra. Enquanto jogou, deu-se por inteiro ao Flamengo, festejou as vitórias e chorou nas derrotas. Mais do que um torcedor, Biguá é um símbolo.

Teve seus grandes momentos na seleção carioca nos anos de 1943/44. Na seleção brasileira disputou o campeonato sul americano de 1946. Depois de uma séria contusão no joelho, Biguá se despediu do futebol e do Flamengo no dia 3 de novembro de 1953. O clube da Gávea enfrentava o Botafogo no maracanã. Biguá posou ao lado dos companheiros, descalçou as chuteiras e deu uma volta olímpica. Era o fim de uma brilhante carreira. Durante muitos anos, Biguá foi proprietário de um bar que ficava  na sede do clube no aterro do Flamengo. Biguá faleceu no dia 9 de janeiro de 1989.

                             JACOZINHO


Quando chegou a Maceió Jacozinho trouxe fama e prestigio. Em troca, recebeu um bom dinheiro para assinar contrato como CSA. Nos primeiros jogos demostrou  de que o clube azulino tinha acertado na sua contratação e a torcida sentiu que poderia reviver os grandes pontas direita da história do Centro Sportivo Alagoano. Suas arrancadas rápidas, seus dribles desconcertantes, sua habilidade no manejo da bola, suas fugas à linha de fundo, seus gols, tudo isso, fazia de Jacozinho um jogador na trilha do sucesso.

Embriagado como sucesso, Jacozinho começou a dar nomes a suas jogadas, menosprezar o adversário e jogar mais para o torcedor esquecendo que futebol é conjunto. Com isso, o futebol bonito que praticava começou a sumir. No esporte, particularmente no futebol, a humildade, a modéstia e a simplicidade são fatores preponderantes para o sucesso de qualquer atleta que tenha um pouco de habilidade com a bola. Parecia que esses adjetivos não constavam do dicionário de Jacozinho.

Para sua sorte, alguém o acordou. O tirou deste estágio de empolgação e lhe mostrou a realidade. Era preciso mais humildade, mais modéstia, mais futebol. Jacozinho tinha habilidade e sabia jogar. Começou a jogar não somente com o pés. Passou também a usar a cabeça. Logo ele começou a jogar o que sabia, respeitando o adversário e fazendo parte do conjunto do clube do mutange.


Foi campeão pelo CSA várias vezes e sentiu sua grande emoção no maracanã. O cronista Márcio Canuto, amigo de Jacozinho, forçou a barra junto com a Rede Globo e o ponteiro azulino terminou fazendo parte da festa  de Zico e seus amigos. No banco, se encantou com grandeza do maracanã e seus companheiros que eram os melhores jogadores do mundo. Entrou em campo no segundo tempo, recebeu um passe de Maradona, fez um gol de placa e saiu ovacionado pela torcida. Uma noite que Jacozinho jamais esquecerá. Ainda jogou pelo Santa Cruz de Recife para depois retornar ao CSA onde foi recebido como um rei. Hoje, Jacozinho vive em Vila Velha, interior de Santa Catarina, onde é evangélico e trabalha com uma escolinha de futebol.


                                 Marinho         

 Problemas com bebidas também colocaram o ex-craque do Bangu Marinho à beira de um precipício no qual ele despencou depois de uma tragédia. Em 1988, seu filho Marlon, de um ano, morreu afogado na piscina da casa. Marinho entrou em uma roda-viva de noitadas que o afastou de tudo que um dia havia importado para ele. “Depois da tragédia morava na minha Mercedes, o porta-malas servia de guarda-roupa, e o banho era de perfume Azzaro. Futebol já não tinha mais valor, os amigos corriam de mim, a família foi embora. Fiquei só” – diz com olhos marejados.

A virada de Marinho, há 16 anos, se deve a um desconhecido. “Um dia, sentei num boteco, às sete da manhã e comecei a chorar, desabafei com o dono. E ele me disse – Meu filho, peque seu carro e vá ver a sua mãe. Conte tudo a ela – Obedeci, nem sei bem o motivo. Minha mãe ouviu tudo calada e me pediu o telefone de Emil Pinheiro (presidente do Botafogo). Eu não ia treinar há muito tempo, mas ele me recebeu de volta. Voltei pros treinos e nunca mais sai”.

Hoje (2005), tem uma vida tranqüila ao lado da segunda mulher, Liza Minelli, e dos filhos, Laís  de Meinelli, 12 anos e Stevie Wonder, 14 anos jogando no infantil do Botafogo. “Eles têm esses nomes, mas eu, Mario José, é quem sou o artista da família. Sou um cidadão trabalhador, respeitável, mais feliz do que quando tinha dinheiro. Trabalho bebo minha cerveja, durmo e acordo cedo. Meus quatro filhos se orgulham de mim – referindo-se também aos dois do primeiro casamento, Marinho com Priscilla.

Diz que tirou o “diploma da vida” e que orienta os meninos dos juvenis do Bangu, onde trabalha a nove anos. “Digo para eles fazerem o que eu falo, nunca o que fiz. No meu trabalho tento primeiro formar o homem, para só depois treinar o jogador”.


               O ARTILHEIRO ARCANJO


Quem não se lembra de Arcanjo? Atacante que por dois anos se transformou num dos maiores ídolos da torcida azulina. Era rápido, raçudo e objetivo. Um craque que nasceu para ser “homem-gol”. Tipo do atacante que qualquer torcida gostava de ver jogar.

Começou nas equipes juvenis do Santa Cruz de Recife. Como os dirigentes pernambucanos não acreditavam no seu futebol, Arcanjo terminou sendo transferido para o Estivadores de Maceió. Jogando ao lado de Canhoteiro começou a ensaiar seus primeiros passos de artilheiro no campeonato de 1963. Suas arrancadas chamavam a atenção de todos. Seu aproveitamento dentro da área era muito bom. Uma falha da defesa, um rebote do goleiro, um descuido do zagueiro, e lá estava Arcanjo para marcar mais um gol. Em 1964, juntamente com Bibiu e Canhoteiro, se transferiu para o CSA. Seus grandes momentos foram vividos no clube do mutange, principalmente em 1965, quando foi artilheiro e campeão com a camisa azulina. A torcida estava acostumada quando Arcanjo matava a bola no peito, ajeitava na coxa e a colocava na melhor posição para o chute. A conclusão era lógica: gol do CSA.


Não demorou muito no clube do mutange, mas o pouco tempo que vestiu a camisa azulina surgiu como um verdadeiro furacão. Seu sucesso ultrapassou as fronteiras e Arcanjo se transferiu para o América de São José do Rio Preto. A partir dessa transferência ficamos sabendo que ele continua morando no interior de São Paulo. Entretanto, sua imagem, suas arrancadas e seus gols continuam bem vivos na memória dos torcedores do CSA.



                                                  GILMAR DOS SANTOS NEVES


Foi um dos maiores goleiros da história do futebol brasileiro. Certamente, o mais  laureado. Um craque em uma posição difícil e ingrata. Todos podem errar. O goleiro não. Uma grande defesa não é mais do que a obrigação do goleiro. Um frango pode ser o fim de uma carreira promissora.

Ágil, seguro e de ótima colocação, Gilmar era uma segurança para seus companheiros. A confiança em Gilmar dava tranqüilidade a sua defesa. Nasceu na cidade de  Santos no dia 22 de agosto de 1930 e  iniciou sua carreira no pequeno Jabaquara. Apesar de ser o goleiro mais vazado do paulistão de 1950, foi contratado pelo Corinthians que tinha como titular Cabeção. Permaneceu no clube corinthiano durante onze anos.  Conquistou três campeonatos paulista nos anos de 1951. 1952 e 1954. Dois Rio São Paulo nos anos de 1952 e 1954.

Em 1962 se transferiu para o Santos onde conquistou cinco títulos paulistas de 1962. 1963. 1965. 1967.1968. Quatro Taça Brasil nos anos de 1962. 1963. 1964 e 1965. Três Rio São Paulo de 1963. 1964 e 1966.  Taça Libertadores de 1962 e 63 e a Mundial de clubes nos mesmos anos de 1962. 1963. Na seleção brasileira foi convocado pela primeira vez em 1953 para substituir Castilho.  Foi bi campeão mundial de seleções em 1958 na Suécia e 1962 no Chile. Também disputou o mundial de 1966 na Inglaterra. Na seleção brasileira disputou noventa e cinco partidas oficiais, de 1953 a 1969, quando encerrou sua carreira.



                                                                       ERB

Não jogou por muito tempo do CRB, mas os poucos anos que vestiu a camisa do clube alvi rubro, o fez com muita personalidade, classe e categoria. Foi um jogador que deixou saudade não somente pelo brilhante futebol que            apresentava dentro do gramado, como também pelo seu comportamento fora das quatro linhas. Seu futebol refinado, clássico e objetivo encantada a torcida alagoana.

Erb Rocha Nascimento nasceu em janeiro de 1949 e é filho de um antigo artilheiro do CRB. Seu pai, Paraibano, foi artilheiro e campeão alagoano em 1940. Erb herdou as coisas boas do seu pai. O senso de artilheiro, o deslocamento, a luta pela posse da bola. Entretanto, tinha muito mais. Era habilidoso, com passes matemáticos e sua colocação em campo era correta e bem postada. Foi correndo atrás da bola que Erb conheceu suas primeiras emoções. Em pouco tempo tornou-se intimo da bola. Enquanto era rebelde para a maioria, ela era obediente e dócil para o craque da pajuçara.

Começou nos juvenis do CRB. Logo depois passou para os profissionais onde foi campeão em 1969. Suas grandes atuações no clube da pajuçara chamaram atenção de dirigentes do Santa Cruz de Recife. Erb foi contratado, se tornou uma de suas principais peças e terminou campeão pernambucano. Depois deu um pulo mais alto. Foi para o Palmeiras de São Paulo. Fez um bom trabalho, mas terminou se transferindo para o Guarani. No clube de Campinas conheceu uma jovem, se casou e continua morando no interior paulista. Rapaz ajuizado, quando largou a bola passou a ser empresário, dono de um Super Mercado. Ao longo de sua carreira, conheceu a fama, juntou dinheiro e não esqueceu a família e os amigos que ficaram em Maceió.



               FRIEDENREICHE – El TIGRE

Houve um craque do passado que pendurou as chuteiras aos 44 anos de idade. Seu nome: Friedenreich. Ele nasceu no bairro da Luz, São Paulo, no dia 18 de julho de 1892.Começou no Germânia aos 14 anos de idade. Depois passou pelo Ipiranga e quando chegou ao Paulistano já era um craque consagrado. Seu estilo de jogo era Completamente desconcertante, insinuando-se por entre a defesa contrária, como uma enguia, driblando mais com o corpo do que com os pés. Dificilmente marcava um gol com chute forte, preferindo colocar a bola longe do alcance do goleiro. Foi um dos maiores artilheiros de todos os tempos.

Naqueles tempos, a maior rivalidade em campo bandeirante, era entre Paulistano e Palestra Itália. Em dia do clássico a cidade ficava como paralisada.  Mas Friedenreich era sempre um problema para os dirigentes do Paulistano. Exigia vigilância contínua, principalmente nas vésperas dos jogos, quando se metia em boêmias de varar a noite. De uma feita, conseguiram localizar o Friedenreich em plena madrugada de domingo, depois de correr toda à noite de sábado em busca, nos clubes de dança mais conhecidos. Levaram-no diretamente para a sede, no Jardim América, para a recuperação necessária. E daí, para o campo de jogo, Nesse dia, o Palestra parecia irresistível, vencia por 1x0 e parecia não haver forças humanas que evitasse o revés do Paulistano. Foi quando um diretor, desesperado, chegou junto à cerca, chamou Friedenreich e cochichou-lhe alguma coisa. Pois aquele homem franzino, banhado de suor, que não havia até então, acertado uma jogada, transformou-se em um demônio. E foi em frente, marcou o gol de empate. E continuou no mesmo ritmo, até conquistar o tento da vitória.


  
PAULO DA ROCHA MENDES
  
Fazendo parte de uma família de desportistas, Paulo Mendes foi um verdadeiro atleta. Jogou voleibol, basquetebol, futebol e praticou o haterofilismo. Sempre com um ótimo índice de aproveitamento em todos os esportes que praticou. Com uma infância tranqüila, Paulo procurou estudar e cuidar do seu futuro. Formou-se em Direito, chegando a ser um dos mais conceituados desembargadores do Estado. Também foi treinador de voleibol do Iate num período em que o clube alvi verde tinha uma grande equipe.

Paulo Mendes começou jogando nos juvenis do CSA. Depois se transferiu para o Barroso onde jogou por pouco tempo. Azulino de coração, voltou ao CSA, onde ficou até o final de sua carreira em 1954. Era um grande zagueiro. Não gostava de violência e, desarmava os adversários na base da categoria. Paulo sempre soube a diferença entre uma entrada dura e na bola, e um pontapé desleal. Suava a camisa e lutava com todas as forças para sair de campo vitorioso.

Nem todo mundo nasceu para ser líder. São exigidas condições especiais para que se possa ascender a tal situação. Paulo possuía todas essas qualidades. Jogadores, dirigentes e torcedores, todos, tinham o maior respeito pela zagueiro azulino. Suas reivindicações em favor de seus companheiros, sempre eram bem fundamentadas e aceitas pelos dirigentes. Na seleção alagoana de 1952, sua liderança sufocou uma rebelião dos jogadores que não iam jogar contra Pernambuco. Tudo iria ser feito de maneira que na hora do jogo a coisa explodisse. Paulo soube na véspera, controlou a situação, houve o jogo e os atletas receberam parte do que desejavam.


Participou de várias seleções alagoanas e jogou na partida contra Sergipe que teve a duração de 163 minutos. Foi um jogo inesquecível para Paulo Mendes. Juntamente com Divaldo Lindoso, Bandeira e Dario, fizeram testes no São Paulo Futebol Clube. Não ficou porque não gostou do profissionalismo no futebol. Preferiu voltar a sua terra e seu CSA. Aposentado, passa a maior parte do seu tempo em casa.


                                               
                                                   TOSTÃO

A minha opinião a respeito do craque da Copa de 70 não bate com as que existem por aí. Para mim, Tostão foi o melhor jogador do Tri. Ele mesmo não cansa de dizer que os bons foram Pelé e Gérson. Será mesmo? Perguntem ao Gérson.

Voltemos à época. A Inglaterra tinha ganho a Copa de 66 e o chamado futebol-força estava na moda. Não que os ingleses, em geral, praticassem essa estranha modalidade de futebol. Apenas um - que valia por dez -, de nome Stiles, assumiu o espírito da coisa. Bateu até cansar em 66. Então, a primeira preocupação para a Copa de 70 foi com arbitragens coniventes com a violência.

A segunda preocupação, de ordem tática, era a formalização do líbero. Se os times não viessem com um líbero, vinham com uma variação, o zagueiro na sobra se movimentando dos dois lados da área e se constituindo na primeira etapa de organização dos avanços da equipe. Exemplo acabado de um magistral líbero, com certeza o mais magistral de todos: Beckenbauer. Exemplo definitivo de zagueiro na sobra, com a responsabilidade de iniciar as ações de ataque de seu time: Bobby Moore.

O Brasil teria que se defrontar, em 1970, com o futebol-força e as inovações técnicas. Felizmente, o futebol-força não apareceu. Ficou lá pela Europa. Por outro lado, o líbero (e suas variações) estava muito bem representado. Moore, Beckenbauer e Giacinto Faccheti disseram presente.
Aí é que entra o pequeno notável Tostão. Taticamente anulou a jogada dos líberos adversários. Rodou em torno deles, muitas vezes de costas para o ataque, servindo os mais perfeitos e importantes passes que o futebol brasileiro jamais sonhara. Claro que Tostão já executara, até então, magníficos passes em pitagóricas triangulações ou oferecera assistências (mil desculpas por essa infeliz palavra, mas aqui cabe) para bandejas de centro-avantes. Mas o que fica na memória é o que rola em Copa do Mundo.


O jogo era Brasil x Inglaterra, que estava tendendo mais para os britânicos. No placar, o zero a zero persistia. Bobby Moore fazia um partidaço. Mais tarde, avaliando sua atuação naquela tarde, ele diria: "The greatest match I ever played for England". Preocupado com a falta de gols, Zagallo resolve colocar Roberto no lugar de Tostão. Roberto se levantara para começar a aquecer ao lado do campo, quando Tostão invade pelo meio. Chuta. A bola bate em Moore. Tostão volta e se apossa da bola. Ball, que recuava, vai atacar Tostão por trás. O mineiro percebe a intenção do inglês e, antes que ele ficasse mais perto, dá-lhe um safanão. Assim, se livrou do primeiro. Vem Moore.

Tostão toca-lhe por entre as pernas e vai buscar a bola adiante, com o monstro sagrado da loura Albyon definitivamente batido (um milhão de desculpas, não resisti em escrever loura Albyon; sempre tive vontade de escrever isso, mas nunca a oportunidade aparecera). Uma "janelinha" de filme. Vem Wright. Tostão dá-lhe um drible simples. Nesse instante, Tostão se encontra no bico esquerdo da área, cercado por um bando de ingleses e de costas para a meta adversária. O que faz, então? O canhoto Tostão vira, de pé direito, para onde deveria estar um jogador brasileiro dentro da área. E estava. Estava Pelé que, em sua sublime leitura de jogo, anteviu o desenrolar das ações de Tostão. Pelé recebeu o passe de Tostão e, caminhando como estivesse chupando laranja, dá um toquinho para Jair. Bom, todos sabem o desfecho. Brasil 1 a 0, na mais difícil partida da Copa.

Outra. Corria um Brasil x Uruguai encrencado como sempre. O Uruguai ganhando por 1 a 0. Era jogo de quem-perde-sai. O Brasil teria que empatar ainda no primeiro tempo. Se a contagem persistisse, seria uma parada indigesta dobrar os uruguaios na etapa final. 44 minutos do primeiro tempo. Tostão se posta junto à lateral esquerda do lado do campo uruguaio. A bola cai nos seus pés. Clodoaldo avança, perseguido por um marcador. Tostão lança a bola para Clodoaldo na corrida. Na corrida e já marcado por dois. Eram três pessoas buscando uma bola, duas para defender e uma para atacar. A bola passa pelos dois que queriam defender, rentinha a seus pés. Pés que, por mais que quisessem, não tinham como impedir o rumo que a bola, perigosamente para os pés defensores, estava tomando. A bola cai no pé certo, no lugar certo, na passada certa, de Clodoaldo. Gol do Brasil. Naquele momento estava sendo realizado o passe mais perfeito da história do futebol brasileiro. O Brasil, conseguindo o empate no primeiro tempo, teve moral para virar o jogo e sair vitorioso por 3 a 1.

Tostão não ficou por aí, se bem que, depois do passe para Clodoaldo, poderia pegar o chapéu e retornar heroicamente a Belo Horizonte. Nem falei do passe para Jairzinho fazer o segundo contra o Uruguai, nem no impossível passe de calcanhar para Pelé marcar o terceiro contra a Romênia. Nem falo dos gols que marcou. Tostão foi tudo isso e mais alguma coisa na Copa de 70.




                                             

         Jogadores do futebol alagoano –

                    Biu Cabecinha


No inicio da década de cinqüenta aparecia um moreninho jogando na meia direita do CSA e que chamava a atenção dos torcedores alagoanos. Era Benedito Antônio dos Santos, o Biu Cabecinha. Jogador de muita categoria, ele formou com Dida, uma dupla infernal no campeonato de 1952. Biu começou jogando no clube azulino em 1951, estreando contra o Sergipe no dia primeiro de maio. Elegante, estilista, habilidoso, pouco chegado a trombadas, foi logo apontado com um grande jogador.

Entretanto, jogava futebol para se divertir. Sua principal preocupação era com os estudos. E foi assim que, em 1957, se formou em engenheiro agrônomo pela Escola Superior de Agricultura da Universidade de Pernambuco. Para estudar na Universidade, Biu se transferiu para o futebol pernambucano. Quando foi para o Sport jogou muito pouco. Os dirigentes rubro negros procuram impedir que ele estudassem. Biu Cabecinha conseguiu trocar o Sport pela América. Mesmo tendo mais liberdade para cursar a Faculdade, quando o futebol começou a atrapalhar os estudos, Biu preferiu ficar com os livros, deixando a bola de lado. Nesse período achou o profissionalismo muito hostil, cheio de tramas e injustiças. Depois que deixou o futebol, ele se dedicou inteiramente aos estudos. Morou em Goiânia e trabalhando na sua profissão. Faleceu muito cedo e deixou muitas saudades para os torcedores alagoanos.

Quando jogava no CSA e desfilava seu grande futebol nos campos alagoanos, Biu Cabecinha viu dois craques que ele admirava muito. Eram verdadeiros artistas da bola: Miguel Rosas e Dida. Jogando fácil, tranqüilo e com muita categoria, Biu, com seus passes matemáticos,  fez muitos jogadores do CSA virarem artilheiros.




                                                             AYMORÉMOREIRA


Aymoré Moreira nasceu em 1912, em Miracema, Rio de Janeiro. Começou como goleiro do Esporte Clube Brasil, um time amador, em 1931. Profissionalizou-se no América e foi para o Palestra Itália (atual Palmeiras). Seu último clube como jogador foi o Botafogo. Em 1948 estreou como técnico do Olaria. Passou ainda por Palmeiras, Portuguesa, Flamego, Botafogo, São Paulo, Corínthians, Bahia, Vitória, Catuense e Galícia, além de dirigir clubes de Portugal e Grécia.


Mas sua maior glória foi como técnico da seleção brasileira. Durante o Sul-Americano de 1953, o técnico Aymoré Moreira tentou inovar escalando dois times diferentes nas partidas. Acabou perdendo o torneio e brigando com todo mundo: jornalistas, dirigentes e jogadores. Mas ele aprendeu a lição e, em 1962, era de novo o técnico da Seleção. Foi bicampeão mundial, com as bênçãos de Garrincha. Olheiro de Zagalo na Copa de 1970, chegou ao requinte de desenhar num guardanapo de papel como seria a jogada do quarto gol brasileiro na final contra a Itália.

Aos 86 anos, Aymoré, um técnico dedicado e disciplinador, faleceu de insuficiência cardíaca, sem conseguir realizar o seu sonho de morrer na boca de um túnel de um campo de futebol.
 


                                             

                               CANHOTO


Para Canhoto o gol era muito importante.  Dependia dele para estar de bem com torcida e os dirigentes. E foi fazendo gols que Canhoto se tornou artilheiro e campeão. Fazia gols de todo jeito. Dentro da área, ele marcava gols de bico, de canela, de cabeça, de penalti, de falta, no peito e na raça. Muitas vitórias e muitas conquistas do CRB são contabilizadas ao goleador Osmário Jacinto da Silva.

Foi um dos poucos jogadores que vieram do interior para brilhar na Capital. Nos anos em que participou dos campeonatos alagoanos, ele sempre foi o maior artilheiro da temporada. Foi campeão pelo CRB nos anos de 1964 e 1969. Formou com Naldo. Dão. Cabo Jorge e Wailton, um ataque arrasador. Um ataque campeão de 1964.

Forte como um touro, Canhoto era um verdadeiro tanque. No pique com os zagueiros adversários sempre levava a melhor. Batia penalti e falta de fora da área com muita maestria. Seu chute forte aterrorizava os goleiros que, mesmo com barreira, sentiam dificuldades em fazer a defesa. Normalmente se contentavam em apanhar a bola no fundo de suas redes.

Depois de alguns anos jogando no CRB, Canhoto aceitou se transferir para o CSA onde continuou fazendo os gols que os azulinos precisavam. Quando passava alguns jogos sem marcar, era cobrado pela torcida que exigia e não perdoava. Canhoto se empenhava mais, corria mais, chutava mais, procurava mais o gol. Fazendo as pazes com o gol ele ficava de bem com a torcida. Mas, artilheiro é assim mesmo. Carrasco para os adversários e herói para sua torcida. Canhoto também jogou no futebol pernambucano defendendo o Sport Recife. Não demorou muito no clube rubro negro porque o sucesso dependia muito dos gols que marcava.

Depois que abandonou o futebol também enfrentou os mesmo problemas de muitos outros companheiros. Não estava preparado para deixar de correr atrás da bola. Não estudou e somente sabia jogar futebol. Com pouco estudo, não aceitou certos “empreguinhos” que lhe ofereceram. Nos bons tempos de jogador, ganhou muito dinheiro, mas jogou tudo fora. Não guardou nada. Preferiu deixar a família e se mandar para o Rio de Janeiro onde constituiu uma nova família. Teve uma banca de revista, mas sem muitas perspectivas de um futuro promissor. Neste ano de 2001, soubemos da morte de Canhoto. Morreu longe da sua verdadeira família. Sua esposa e seus filhos souberam através de correspondência.

Canhoto se apagou, mas ninguém poderá apagar da história do futebol alagoano, seus gols. Eles estarão para sempre em nosso Museu dos Esportes que fica localizado no Estádio Rei Pelé em Maceió.


                                                             
                                                                         DUDU 
                                                                           
 Cidadão pacato e conselheiro dos colegas mais jovens, em campo, Dudu tornava-se uma fera. E não errava nas divididas.

Embora a maioria dos jogadores de qualquer lugar do mundo continue a considera-la uma detestável obrigação profissional– a concentração – para Dudu que brilhou de 1964 a 1976, tinha sempre uma espécie de ritual sagrado. Ali dentro, a véspera de um amistoso ou uma decisão, ele era capaz de sublimar qualquer problema pessoal em longas reflexões sobre o futebol e, quando não pensava no jogo que o aguardava, lia seus livros sobre espiritismo. Sua preocupação se resumia a isso e torna-se inútil  convida-lo para um  carteado ou coisa parecida.

Numa manhã do outono de 1969, no entanto, um de seus hábitos imutáveis na concentração foi subitamente alterado. Contrariando as recomendações que recebera do próprio Dudu, a telefonista  do Hotel o acordou com uma ligação interurbana. De Araraquara, interior paulista, avisavam que os médicos haviam descoberto que sua mãe, viúva, sofria de câncer e teria poucos dias de vida. Dudu desligou o telefone, fez força para não chorar, mas resolveu não contar nada a ninguém – Primeiro vou jogar, depois pedirei uma folga.

E assim fez, enfrentando o Santos na tarde seguinte. Na segunda feira, seguiu para Araraquara e ficou ao lado se sua mãe até a quarta quando ela morreu. Após o enterro, resolveu os problemas da família ao lado de sua irmã e na sexta feira retornou a São Paulo indo diretamente para a concentração do Palmeiras. O técnico Filpo Nuñez mandou que ele fosse para casa. Ele estava dispensado do jogo. Dudu olhou nos olhos do técnico e disse – Desculpe, seu Filpo, mas para mim, primeiro, estão às obrigações. Se o senhor não se importar, eu quero jogar. E jogou. O adversário foi o Corinthians que perdeu de 2x0. Dudu anulou o craque corinthiano, Rivelino. Naquele domingo era dia das mães.

Antes de ingressar no Palmeiras acompanhou por três meses os jogos dos esmeraldinos. Quando começou a vestir a camisa do clube do Parque Antártica, formou com Ademir da Guia uma dupla imortal de meio campo. Em 12 temporadas, Dudu fez o contraponto para a arte mágica e vistosa de Ademir da Guia. Encarregava-se, com competência, do serviço pesado: o primeiro combate, a marcação severa e implacável, a catimba, o jogo duro, as faltas necessárias.  Com 36 anos, permanecia como titular, satisfeito por notar que tantos nomes haviam sido contratados para substituí-lo ficaram na reserva. Dudu se mantinha em forma permanente, pois não fumava, não bebia e se aplicava nos treinamentos.
 (Revista Placar)


                   
                                                                           PEU


 Ele tem uma história dentro do futebol brasileiro. Começou jogando no juvenil do CSA quando foi convocado para a seleção alagoana da categoria que disputou o campeonato brasileiro de 1979. Suas qualidades técnicas começaram a aparecer diante dos olhos da torcida, da imprensa e dos dirigentes. Sua fama atravessou fronteiras e muitos clubes começaram a se interessar por ele.

 Garoto de infância difícil dividia seu tempo entre o futebol e os estudos. Para correr atrás da bola não tinha hora nem local. Como seus irmãos, Manoelzinho, Jorginho e Chico, Peu nasceu praticamente dentro do estádio do mutange onde seu pai, seu Antonio era o zelador. Quando seu Antonio faleceu as dificuldades aumentaram. A mãe, Dona Maria, lavava roupa e vendia raspinha para manter a família como Deus queria. Manoelzinho e Jorginho ajudavam no que podiam. Foi à compreensão e a união de todos que não levou a humilde família do seu Antonio ao desespero. Depois as coisas foram melhorando. Jorginho se formou em História e sua irmã em Psicologia.

Peu logo passou a jogar no time de profissionais do CSA. Era apenas um jovem que carregava sua infância pobre e estava assustado com o presente e ansioso com o futuro. Era um futuro que dependia somente dele. Se levasse a profissão a sério, treinasse com entusiasmo, corrigisse seus defeitos, não procurasse se envolver com grupinhos de jogadores que gostam de farras e boates Peu tinha tudo para se consagrar. Seu futebol agradava. Era atrevido, valente, inteligente e logo deixou de ser uma promessa para ser uma realidade.

Suas atuações no CSA eram tão boas que o Flamengo o contratou. Peu chegou a Gávea tímido para jogar no meio de tantos craques. Seu temperamento alegre e brincalhão encantou a todos os rubros negros. Como reserva de Zico participou das maiores conquistas do clube. Campeão carioca, taça libertadores, mundial de clubes. Jogando de centro avante, no lugar de Nunes, Peu teve sua grande chance de ser titular, mas o destino não quis. Foi contra o Guarani pelo campeonato brasileiro de 1983. Jogou 38 minutos encantando a torcida e ao técnico Paulo César Carpegiani. Fez o gol da vitória depois de uma jogada maravilhosa. A contusão que sofreu neste jogo e deixou afastado por três meses.

Depois que saiu do Flamengo jogou no Botafogo de Ribeirão Preto, Santa Cruz de Recife, Atlético Paranaense e voltou ao CSA. Nos três últimos clubes conquistou os títulos de campeão estadual, aumentando sua coleção de conquistas. Foi uma caminhada dura, difícil e cheia de contratempos mas Peu conseguiu fazer grandes amizades que perduram até hoje.

Quando deixou de correr atrás da bola, Peu passou a ter outras atividades dentro do futebol. Um pouco de empresário, um pouco de técnico sempre com jogadores e times modestos do Nordeste. Peu poderia estar em uma situação bem melhor. Entretanto, em determinados momentos de sua carreira ele não pensou que jogador de futebol tem vida curta, não é eterno.



                                                                      DINO SANI  


Foi no São Paulo que Dino começou a mostrar para todos o que era capaz. Tinha começado nos juvenis do Palmeiras. Não se sabe porquê – eu, pelo menos, não sei –, o pessoal do Parque Antártica o deixou sair. Foi parar no Comercial. Logo estava no São Paulo.
Poucos jogadores tiveram tanta intimidade com a bola. Com quem podemos comparar o seu estilo hoje em dia? Vários nomes atuais passam pela minha cabeça: não vejo nenhum. Vou encontrar no passado: Zizinho, com quem Dino jogou no Tricolor e foi campeão paulista.

A bola humilhada, custava a deixar seus pés. Mesmo que ela não chegasse de frente, Dino encontrava um jeito de ir buscá-la, com o lado externo do pé, mostrando a infiel onde era o seu lugar. Esse fascínio lúdico tornava-se um espetáculo particular. Nenhum assistente queria que ela largasse o pé do amo. Havia o temor de ela ser maltratada adiante. Que ficasse ali os noventa minutos.
Essa dependência da bola em relação a Dino custou-lhe o lugar de titular da Seleção, em plena Copa da Suécia. Os outros também queriam brincar com o redondo artefato. Zito, que tinha um jeito mais eficiente e de quem a bola não era escrava, tomou-lhe o lugar.

Ora, o que diferencia o futebol dos demais esportes é o fascínio pelo domínio da bola. Pode-se argumentar que no basquete também há o domínio da bola. Mas é um domínio com as mãos. Qualquer um, desde pequeno, pode dominar a bola com as mãos. Isso se aprende. Quero ver com os pés, com o lado dos pés. E não estou falando de circo ou de exibidores de controle, que se apresentam no intervalo dos jogos. Esses estão sozinhos com a bola. Só podem perdê-la para eles mesmos. Com Dino era diferente. Todos queriam tomá-la. E Dino não deixava. Escondia o brinquedo dos adversários e, dizem as más línguas, dos companheiros também.
O grande craque exibiu seu talento na Argentina, com a camisa do Boca, e na Itália, formando no campeoníssimo Milan. Voltou ao Brasil, fazendo companhia a outro jovem mestre, Rivelino. O Corinthians passou a ser o melhor time do Brasil. Mesmo não abocanhando títulos, o time era tão bom, que o apelido Timão se firmou nessa época. Enganam-se aqueles que pensam que Timão tem a ver com o escudo do time. Mera coincidência. Virou Timão porque tinha Dino Sani e seu explosivo escudeiro Rivelino.



                     NIVALDO YANG TAY


Começou jogando nos juvenis do CSA em 1939. Ficou até 1941, e no ano seguinte se transferiu para o Andarai que logo depois fez uma fusão com o Oceano,  e surgiu o América. Talvez tenha sido, no clube americano, a melhor fase de Nivaldo no futebol.  Jogava tranqüilo, mostrava categoria, tinha senso de colocação, era técnico e eficiente. Em 1946 foi convocado pela primeira vez para a seleção alagoana que participou do campeonato brasileiro. Quando o América acabou com seu departamento de futebol, Nivaldo voltou ao CSA onde sempre foi muito bem recebido pela torcida azulina. Em 1952 também foi convocado para a seleção alagoana. Uma contusão no joelho o obrigou a parar com o futebol.


Nivaldo era um jogador que usava mais a cabeça do que os pés. Inteligente, sóbrio, tranqüilo, sabia tirar partido do seu futebol técnico para se destacar entre seus companheiros. Atuava como zagueiro, corria pouco mas se colocava muito bem. Foi campeão alagoano pelo CSA nos anos de 1941, 1949, 1952 e 1955.  Sempre trabalhando no clube do mutange, ele foi durante algumas vezes treinador da equipe ou até mesmo, fazendo parte da comissão técnica. A torcida azulina do passado continuam com saudade do bom futebol de Nivaldo. Suas jogadas, seu trabalho, seu bom caráter, seu exemplo com atleta e como homem, tudo fica guardado no baú de recordações da torcida. 



                                                                Ranulfo do América

Ranulfo foi um dos mais brilhantes jogadores do América vice-campeão carioca de 1950. Jogando pela meia esquerda, era o termômetro dos americanos.  Pelas brilhantes atuações no campeonato, Ranulfo terminou sendo convocado para a seleção carioca que disputou o campeonato brasileiro de seleções. E Ranulfo foi titular com jogando com Telê. Didi. Ademir e Nivio. Ranulfo Pereira Machado nasceu na Bahia, onde começou jogando pelo Ipiranga. Em 1949 foi contratado pelo América do Rio onde formou com Natalino. Maneco. Dimas e Jorginho, o ataque que levou o América ao vice-campeonato carioca. Na decisão, perdeu para o Vasco da Gama, base da seleção brasileira, por 2x1.

Jogando um belo futebol, começou a ser procurado pela torcida feminina. E Ranulfo conheceu uma mocinha, filha de um grandola que podia levar alguém para a cadeia. O jogador do América fez bobagem, passou dos limites, foi denunciado e preso. Foi um crime de sedução que acabou com sua carreira. Os pais da garota exigiram uma reparação. Ranulfo não tinha certeza de que o filho era seu. A garota era daquelas que saia com todo mundo. O craque resolveu se casar com outra mulher. A mulher que ele gostava. E aconteceu a vingança dos pais da garota levada. Veio o processo que começou a mexer com Ranulfo. Sem ambiente no Rio de Janeiro, foi para a Portuguesa de Desportos onde passou apenas três  meses. Também passou pelo São Paulo e depois se transferiu para o Noroeste de Bauru no interior paulista. Nesse período que estava ausente do Rio de Janeiro, o processo correu a revelia e Ranulfo terminou sendo condenado pela justiça carioca. Ele confiou nos dirigentes do América que prometeram acompanham o processo e defender seu ex-atleta. Os diretores não cumpriram o prometido e Ranulfo se ferrou. Foi preso e ficou no Sanatório Penal de Bangú.


Cumprindo sua pena, Ranulfo via o tempo demorar a passar. Parecia um pesadelo. Seu bom comportamento fez muitos amigos na penitenciária. Jogava bola, organizava partidas, esperava o tempo de quatro anos passar mais depressa. Um erro com uma pessoa errada fez o futebol carioca perder um grande jogador de futebol.



                          
                                                                     SANTA RITA

CARLOS SANTA RITA foi um jogador que amava seu clube acima de tudo. Um amor de verdade. Um craque que suava a camisa dentro de campo. Um torcedor que vibrava com as vitórias e chorava as derrotas. Mesmo na sua época de jogador amador, existiam poucos como ele. Seu amor pelo CRB era contagiante.

Lançado por Zequito Porto, Santa Rita foi durante muitos anos, titular na ponta esquerda do CRB. Foi na pajuçara que viveu seus grandes momentos, duas grandes emoções. Marcou muitos gols históricos e conquistou títulos inesquecíveis. Sempre vestiu a camisa alvi rubra do CRB. Defendeu seu clube por sete anos e sempre manteve sua regularidade. Jogador disciplinado, acatava as ordens e os conselhos do seu treinador. Formou com Dario uma das maiores alas esquerda da história do CRB. Dentro do campo, dois grandes jogadores. Fora dos gramados, dois grandes amigos.


Foi convocado várias vezes para a seleção alagoana. Santa Rita chutava  muito forte e, as vezes, cobrava penaltis e faltas “de letra”. Sua carreira foi encerrado prematuramente. No jogo contra o Olaria do Rio de Janeiro, na pajuçara, em 1949, assinalou o único gol da partidas aos três minutos de jogo. Durante a partida, o ponteiro carioca acertou seu joelho. Como a medicina esportiva ainda engatinhava, Santa Rita não fez operação e teve que conviver com os meniscos estourados para o resto da vida. Através de depoimento, as imagens de Carlos Santa Rita fazem parte dos arquivos implacáveis do Museu dos Esportes.


                                                                   BERNARDO

Ele chegou a ser um dos mais destacados jogadores do futebol alagoano nos anos sessenta. Começando nos juvenis do Esporte Clube Alagoas, Bernardo surgia como uma das grandes revelações da categoria. Logo se transferiu para o CRB onde passou a ser melhor observado  pelos dirigentes, pela torcida e pela imprensa. Seu talento era indiscutível. Apesar de magro, seu futebol era clássico e elegante. Pontificava no meio campo do CRB como um verdadeiro “príncipe”.  Assim era chamado pela imprensa alagoana. Bernardo também jogou no CSA e encerrou sua carreira no Guarani do Poço. Foi dentro das quatro linhas do gramado que ele viveu os melhores momentos de sua vida.

Infelizmente a vida não é como desejamos. E a vida de Bernardo fora do campo não foi um mar de rosas. Teve problemas que, até certo ponto, chegaram a afetar sua carreira como atleta. Trabalhou no Banco Nacional e lá tentava conciliar a vida de atleta e bancário. O tempo passou. Sua fase de jogador idolatrado pelos dirigentes e torcedores ficou para trás. Como a grande maioria dos atletas profissionais, ele não estava preparado para a dura vida fora das quatro linhas do gramado. O atleta, o craque, o campeão, tem sempre as portas abertas pelos amigos e pelos fãs. Quando isso acaba, o homem simples e desempregado sente as portas se fecharem e os amigos desaparecerem.

Saindo do Banco Nacional, Bernardo passou por dificuldades financeiras. Tentou algum trabalho, mas nunca conseguiu se estabilizar. Como aposentado, nem se fala. Se como atleta ganhava o suficiente para ter uma vida da classe media razoável, como homem aposentado começou a sofrer. Nesses momentos somente aparecem coisas ruins. Muitas vezes lamentávamos o estado de Bernardo, o Príncipe do Futebol Alagoano, quando entrava no Banco do Nordeste para receber o miguado salário de aposentado. Sem rumo certo, preferiu o caminho da bebida, onde ele achava que por alí estava a única porta aberta.  E vinha a lembrança do atleta magro, desfilando nos gramados com classe  e elegância. Quando voltávamos à realidade, víamos um personagem desfigurado, corpo mais magro, rosto seco, olhos tristes e pernas trêmulas. Era um sofrimento que não demorou a ter o seu final. Em 1995, Bernardo não resistiu e faleceu comendo o pão que o diabo amassou. Morreu longe de todos. Apenas, alguns amigos e familiares o acompanharam em sua última morada.

Bernardo é mais um exemplo para os jovens de hoje. Futebol é passageiro. Estudem. Procure uma profissão paralela a do futebol. Se preparem para enfrentar a realidade da dura vida fora das quatro linhas.




                                                                    SÓCRATES

Sócrates Brasileiro de Souza Vieira de Oliveira, esse é o nome do grande jogador do futebol brasileiro.  Nasceu no dia 19 de fevereiro de 1954 na cidade de Belém, no Pará. Começou jogando futebol em 1973 pelo Botafogo de Ribeirão Preto onde ficou até 1978. Depois se transferiu para o Corinthians, jogou ainda na Fiorentina da Itália, no Flamengo e no Santos, onde encerrou sua carreira.

Era um atacante de incrível frieza em suas jogadas. Tinha uma grande visão de jogo, muita habilidade e categoria.  Tudo isso somado ao fato de que estudava medicina justificava que fosse chamado pela imprensa brasileira, de Doutor. Nunca foi um atleta e nem tinha compleição física para isso. Entretanto, foi sem duvida um dos mais habilidosos jogadores do futebol brasileiro dos anos oitenta. Formou com Cerezo, Falcão e Zico um meio campo da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1982. Graças a esse meio campo, nossa seleção foi considerada, mesmo perdendo, a melhor da Copa.

Sua jogada característica era o toque de calcanhar.  Foi o grande  ídolo do Corinthians nos anos oitenta e líder da chamada “Democracia Corinthiana”.  Foi campeão paulista pelo Corinthians nos anos de 1979, 1982 e 1983. E campeão carioca pelo Flamengo em 1986. Como os melhores jogadores do Brasil de sua época, Sócrates também jogou no futebol  italiano. Vestiu a camisa da Fiorentina, mas não conseguiu muito sucesso, exatamente pela sua pouca afeição à vida de atleta. Era mais um artista, que jogava futebol por puro deleite.

Foi convocado para a seleção brasileira pela primeira vez em 1979 e fez sua estréia na goleada contra o Paraguai por 6x0. Pela seleção jogou 63 vezes e marcou 25 gols. Se o grego foi sábio na filosofia, o nosso Sócrates foi, sem duvida, um sábio no futebol. Hoje, Sócrates já não vive entre nós.

                                                   

                                                         JOSÉ AUGUSTO XAVIER                                                                                                      
Xavier foi um dos atacantes que deixou seu nome marcado na história do futebol penedense. Começou jogando pelo Santa Cruz e depois se transferiu para o Penedense. Suas atuações chamaram atenção dos dirigentes do Esporte Clube Bahia que o contrataram.  Com uma torcida exigente, os tricolores não tiveram  paciência com Xavier que demorou pouco no clube da Boa Terra. Ele preferiu voltar para Penedo.
Em 1965 veio para Maceió defender o CRB. Sua transferência do Penedense para o CRB aconteceu um caso interessante. Quando ele chegou a Maceió, dirigentes do CSA estavam lhe esperando e o convenceram a mudar de rumo. Xavier foi para o Mutange e ainda disputou uma partida com a camisa azulina. Diretores do CRB protestaram e terminou Xavier seguindo a estrada que o levou para a Pajuçara. Quando terminou seu compromisso com o CRB, Xavier voltou para o seu Penedense onde encerrou sua carreira  cheia  de gols e muitas emoções.

Xavier era um verdadeiro artilheiro. Sabia como se colocar dentro da área e aproveitar as bolas que sobravam a sua frente para mandá-la para as redes adversárias. Tipo do centro avante da sua época. Fazia da sua raça, seu entusiasmo, seu amor pelo futebol, sua grande arma. Depois que abandonou o futebol, continuou morando em Penedo e vivendo uma vida simples, como sempre, e junto a seus familiares e amigos.

Entre as grandes alegrias que viveu, jogando futebol, Xavier não esquece a homenagem que recebeu no projeto Cantinho da Saudade no Museu dos Esportes.
Seus familiares e amigos o acompanharam na vinda a Maceió para ser homenageado e lotaram o mini auditório do Museu. Junto com Xavier, o Flexa Negra, outro penedense também foi homenageado, Zito Sarmento.  

 
 


 
 

                                           Manoel Anselmo da Silva - Maneco (America)

Manoel Anselmo da Silva jogou durante treze anos no America Futebol Clube do Rio de Janeiro. Maneco era conhecido como Saci do Irajá, apelido que carregou durante toda carreira como jogador de futebol. Era uma homenagem da imprensa carioca as diabruras e os dribles desconcertantes que ele exibia em campo vestindo sempre a camisa rubra do seu America.

Jogou somente no America. Começou aos quinze anos e parou aos vinte e oito. Defendeu também, a seleção carioca e a seleção brasileira em 1947. Ganhou fama e dinheiro formando na célebre linha do America chamada de “tico tico no fubá” integrada por China. Maneco. Cesar. Lima e Jorginho. Embora fosse de baixa estatura, poucos adversários conseguiam marcá-lo com eficiência. Suas fintas espetaculares e seus dribles rápidos levavam a defesa adversária ao desespero.

Quando ainda jogava futebol, Maneco comprou uma casa na rua da Prosperidade, numero 95, no Rio de Janeiro. Compra feita a prestação. Era um presente de Maneco para seus pais.  Com o passar dos anos o dinheiro foi acabando e as prestações foram ficando atrasadas. Quando começou a pensar no futuro, Maneco já devia um dinheirão. Apareceu, então, uma ação de reintegração de posse, impetrada pelo proprietário do imóvel., que corria na décima sétima Vara Cível. Atrás dela veio a ordem de despejo. Desesperado, Maneco arranjou veneno, misturou com uma cachaça forte, trancou-se no banheiro e se suicidou. Quando a irmã e os dois oficiais de justiça arrombaram a porta do banheiro, o Saci do Irajá estava morto. Ele não suportou a vergonha de perder a casa. A angústia do débito terminara.
                                                                                                         

                                         
    As amarguras de um craque –  Anibal Pires


O zagueiro Pires jogou em quase todos os clubes alagoanos. Foi dopado. Passou privações. E do futebol levou apenas os fatos tristes que viveu, um amargor que o acompanha todas as horas.

Foram tantas as cicatrizes que Pires não consegue esconder os ferimentos. Ele gostaria de escrever uma tese para descobrir ou explicar porque perdeu tantas batalhas. Cansado da guerra no futebol, nos últimos anos de sua carreira ele não alimentava sonhos e, simplesmente brigava pela sua sobrevivência.

Pires passou a odiar as coisas do futebol. E sua primeira decepção veio aos 20 anos quando foi dispensado da Portuguesa de Desportos assim que ultrapassou a idade para a categoria juvenil.  Ele odeia ainda mais porque foi no futebol, no qual confiava como meio de vida, que o levou a não ter opções de escolha. Ele jogava por uma questão de sobrevivência. Sua esposa, a assistente social Maria Augusta Tavares Pires, passou muito tempo como a chefe da família.  Ela arcou com todas as despesas e deu moral para Pires para continuar lutando e voltar aos estudos. E ele terminou o curso de Psicologia.

Apenas não foi obrigado a se dopar no juvenil da Portuguesa, no CSA e no CRB. Nos demais clubes foi obrigado a tomar bolinha embora não precisasse. E ai começou toda a revolta do zagueiro que bebeu toda a taça de amargura de que o futebol é pródigo para aqueles que sonham com um mundo feito de aplausos, grandes vitórias e muito dinheiro, alegria reservada a uns poucos.

Em  1975, foi obrigado a pedir rescisão de contrato com o Canavieiro de Capela porque não suportava  o que via – O técnico Zé Cláudio, certo dia surrou o jogador Mauricio, que chegou embriagado à concentração. As surras passaram a ser uma constante para todos aqueles que desobedecessem as ordens do Zé Cláudio.

Quando foi dispensado pela Portuguesa veio tentar a sorte em Alagoas. Antes, passou por Sergipe e não conseguiu acertar com Confiança e Sergipe. Pagavam apenas o salário e ainda queria ficar com seu passe. Chegou ao ASA de Arapiraca em 1970 e foi vice campeão alagoano.  O time logo se desfez e Pires assinou com o São Domingos, onde permaneceu até 1974 vivendo bons e maus momentos. No clube tricolor perdeu um carro por falta de pagamento. O clube atrasou os salários e ele não teve como pagar a concessionária. 

Nesse mesmo ano foi para o CSA onde disputou o campeonato brasileiro. Quando pensou que estava tranqüilo, o clube começou a passar por dificuldades e Pires fez parte da lista de dispensados. No clube azulino conheceu o pior de todos os dirigentes do futebol: Dr. Haroldo Dionísio. Prometia aos jogadores o paraíso e o mandava para o inferno. Para não ficar parado foi para o Canavieiro  e não demorou pelas atitudes do Zé Cláudio. No ano de 1976 encontrou um bom dirigente: Fernando Gomes no CRB. E assinou seu melhor contrato. Luvas de 40 mil cruzeiros e 5 mil mensais. O que ganhou com o futebol ? Juntando todo tostão que ganhou, comprou dois terrenos e um carro.

E a experiência que ganhou no futebol? Em todo clube pequeno por onde passou havia doping. Dos dirigentes apenas uma boa experiência. Dos colegas, uma opinião neutra. Pena que os jogadores deixem os dirigentes fazerem o que bem entendem.  Pires sempre foi um leão dentro do campo. Nos treinamentos era o primeiro a chegar e o último a sair. Conquistou apenas dois títulos de campeão pelo CRB. Nem mesmo esses títulos serviram para diminuir a amargura que Pires acumulou no futebol. É grande a responsabilidade que o jogador carrega. A torcida e os dirigentes querem vitórias e títulos. Ninguém quer saber dos problemas que os jogadores, muitas vezes, é obrigado a levar para dentro do campo.



                                                          Caetano da Silva - Veludo 

Para muitos, ele foi o maior goleiro do futebol brasileiro de todos os tempos. Um goleiro que, mesmo reserva no Fluminense, era o titular da seleção brasileira.

Muitas vezes, a glória e a fama chegam rápido e de repente. E muitas vezes, também, vão aos poucos cedendo lugar ao esquecimento, até o ostracismo. No futebol isso é muito freqüente. As multidões consagram, mas também, rapidamente esquecem seus ídolos. Poucos, bem poucos mesmo, viram a glória desaparecer tão depressa quanto chegou, sem que eles entendessem o porque. Entre estes, talvez o que mais sofreu foi o goleiro Veludo.

Ele conheceu dias difíceis. Preto, pobre, muito cedo pegou no trabalho pesado. Seu corpo forte, suas mãos grandes foram o passaporte que abriu o caminho para o cais do porto. Carregava e descarregava navios. Ali, nas peladas com seus amigos portuários, o profissionalismo foi buscá-lo através do ex arbitro Armando Marques. Foi ele quem primeiro enxergou as qualidade de um grande goleiro. Do Harmonia, pequeno clube de várzea, para o Fluminense. No clube tricolor encontrou duas grandes dificuldades: a tradição dos grandes goleiros que o clube fazia questão de manter e a figura de Castilho, goleiro titular e considerado o melhor do Brasil. Nada disso amedrontou o novato Veludo. Na primeira chance, entrou no time e mostrou que seu futebol não era tão pobre quanto ele. Quando não jogava, a torcida gritava seu nome. Era a primeira vez que em um clube brasileiro, seus goleiros, titular e reserva estavam na seleção. O Fluminense podia continuar orgulhos com sua tradição de grandes goleiros.

Nas eliminatórias para o mundial de 1954, Veludo jogou todas as partidas com Castilho no banco. Sua estrela brilhou tanto que foi contratado pelo Nacional de Montevidéu onde se consagrou como o maior goleiro da história do clube uruguaio em todos os tempos. Mesmo consagrado e ídolo, Veludo continuava o mesmo dos tempos da estiva.Gastava tudo que ganhava e ainda freqüentava os bares do cais do porto, onde bebia e pagava cachaça para os antigos colegas. Seu corpo começou a baquear, as acusações de irresponsável e boêmio começaram a surgir no seu caminho. Numa tarde de sol, em dezembro de 1955, Veludo começou a trilhar a longa e penosa caminhada da volta. O Flamengo venceu o Fluminense por 6x1, e os foram considerados defensáveis. O goleiro desceu as escadas para os vestiários chorando as lágrimas com gosto amargo. A acusação de venal estava em todas as bocas e nunca mais a torcida tricolor gritaria seu nome.

A descida começou. Canto do Rio, Santos, Atlético Mineiro, Madureira e pequenos clubes do interior de São Paulo e Minas. Nesse marcha era parada obrigatória em todos os bares de todas as cidades, de todas vielas, onde ninguém mais se lembrava da existência de um homem chamado Veludo, e que um dia foi considerado o melhor goleiro do Brasil. Veio a doença, o fígado destruído, o pâncreas atacado, e mais do que nunca, a necessidade  de parar de brincar com as bolas bonitas, de couro cheiroso, atrás das quais ele voara até a fama. Foi internado num hospital por conta da FUGAP, que por ironia do destino era seu amigo Castilho. O tempo passou, e o negro robusto, de um metro e oitenta, peito largo,  e ombros fortes, estava reduzido a um velho de 48 quilos e muitos cabelos brancos. Um dia a morte veio buscá-lo.Encontrou um preto esquelético, de rosto seco e olhos tristes, de mãos magras e calosas, de dedos trêmulos e medrosos. Não havia mais o Veludo, de riso fácil e mãos ágeis. Havia apenas o Caetano da Silva, um homem que vivia do passado.
 

Orlando José de Oliveira - Orlandinho
Orlandinho Brilhou no Clube de Regatas Brasil nos primeiros anos da decada de setenta.
Nasceu em Ribeirão Preto interior de São Paulo. Começou nos juvenis do Comercial onde assinou primeiro contrato de profissional e foi emprestado ao Orlândia para o jovem amadurecer. Quando retornou ao Comercial foi contratado pelo Santos. Ficou na Vila Belmiro durante dois anos. Com dezenova anos não rendeu o que se esperava dele e se transferiu para o Vitória de Salvador. No clube baiano se deu muito bem até o treinador Ricardo Magalhães chegar. Foi barrado e emprestado ao CRB onde passou os melhores anos de sua vida. Jogando seu melhor futebol foi campeão alagoano e sempre aparecendo com uma das grandes figuras do clube da pajuçara até que teve uma séria contusão no joelho. Operado pelo Dr. Luis Toledo teve uma recuperação lenta. Na hora de renovar seu contrato não houve acordo financeiro. Orlandinho começou jogar em clubes como São Domingos e Ferroviário sempre atrapalhado pelo joelho que inchava quando jogava noventa minutos. Sempre foi um profissional correto e cumpridor de seus deveres. Com isso conseguiu um emprego no Estado onde se aposentou.



GARRINCHA


Manoel Francisco dos Santos, o Garrincha, nasceu em Pau Grande, distrito de Magé-RJ (28/10/1933), e morreu no Rio de Janeiro (20/1/1983), vítima de alcoolismo.

Foi um driblador fantástico e irreverente, de arrancadas irresistíveis e cruzamentos perfeitos. É considerado o melhor ponta-direita que o mundo já viu. Jogou no Botafogo, Corinthians, Flamengo e Olaria.

Pela Seleção, participou de três Copas (1958, 1962 e 1966) e conquistou o bi mundial 1958 e 1962). Disputou sessenta partidas e marcou dezessete gols.





Na Suécia, em 1958, destruiu o propalado futebol científico da União Soviética em apenas três minutos de dribles. No Chile, em 1962, com Pelé contundido, Garrincha assumiu o trono e fez de tudo: gols de falta, de perna esquerda, de cabeça. A Seleção nunca perdeu um jogo em que estivessem em campo Garrincha e Pelé.


Parte do poema de AffonsoRomano de Sant’Anna.

Garrincha é ave
certa de seu voo
Garrincha é a seta
Certa de seu alvo
Garrincha é o homem
Certo de sua meta.

Tendo as pernas curvas
e uma candura esquiva
no teu silêncio puro
a tua alma asinha
sabe sofrer na neve
o frio da andorinha.


Acebilio
Foi o maior craque da história do ASA de Arapiraca.
Jogava o fino da bola. Era um jogador extraordinário no meio campo. Comandava seu time com muita habilidade e competência. Nunca quis sair de Arapiraca onde além de jogador do ASA era também professor do Colégio Bom Conselho. Era querido por todos em Arapiraca. Durante muitos anos vestiu a camisa alvinegra nos bons e maus momentos vividos pelo clube. Acebilio foi homenageado no projeto do Museu dos Esportes Cantinho da Saudade. Ainda hoje ele lembrado com muita saudade por todos que o conheceram.



Telê Santana da Silva

O magro Telê Santana, um gigante de 57 kg, lutava até o fim de um jogo perdido. Era o Fio de Esperança da torcida do Fluminense.
E ele sempre dizia:
-          O Fluminense é bom demais. Ainda vou jogar lá um dia, se |Deus quiser, custe o que custar.
Passou pouco tempo e a doce ambição da juventude se tornou realidade. A partir de 1949, ele teria treze longos anos para cumpri-lo, com dedicação, esforço e o devotamente de um  legítimo craque da raça.

Quem diria ? Com 1,71 m de altura e pesando inacreditável 57 kg, Telê chegasse a ser um dos maiores ídolos do Fluminense. A primeira vista sem maior força física, jamais de contundia e, valente, chocava-se com adversários grandalhões, sem contudo, lhe permitir que encostassem em seu corpo. E como fazia isso ?  Trocando a força física pela astúcia. Assim, ao invés de tentar o drible, preferia dar velocidade à bola com toques, correndo para recebe-la mais adiante, já desmarcado.

Não queria que o chamasse de craque, inclusive porque sabia que não era. Exigia somente um reconhecimento de ser um jogador útil a equipe.  Afinal não se considerava um mero profissional e sim um verdadeiro torcedor em campo. Evitava fazer exigências ao renovar contrato e sentia-se recompensado unicamente por vestir a camisa tricolor do Fluminense. Morava no distante subúrbio da Penha e ia treinar de lotação.

Como centro avante estreou no juvenil do Fluminense em 1949. marcando cinco gols. Promovido a profissional, o treinador Zezé Moreira, que pretendia armar o time num esquema mais defensivo, para jogar a base de contra-ataques, resolveu improvisa-lo numa função nova: a de ponta direita recuado. Capaz de atacar e combater os adversários no meio campo. Telê sempre foi grato a Zezé Moreira, pois acha que essa oportunidade lhe abriu caminho para uma demorada carreira no futebol. E Zezé, igualmente, acha que somente um jogador do tipo que considera em extinção, igual a Telê, com seu senso de responsabilidade e seu desprendimento, conseguiria desempenhar tão múltiplas e complexas tarefas numa partida.

  
Clóvis José da Silva
Nunca foi um craque na acepção da palavra, mas seu entusiasmo, sua dedicação, sua disciplina e seus gols faziam dele um ídolo da torcida do Centro Sportivo Alagoano. Admirado pelos próprios adversários, o atacante azulino deixou bem marcada sua passagem pelo nosso futebol. Começou jogando no Alexandria , depois passou pelo Auto Esporte, Moto Clube, América de Recife, Esporte Clube Bahia, CSA e encerrou sua carreira no Ferroviário. Tem mágoa dos dirigentes do CSA. Depois de passar quase dez anos vestindo a camisa azulina gostaria de fazer sua despedida do futebol no clube que aprender a gostar. Não deixaram e ele se despediu no Ferroviário. Em 1963, o programa da Rádio Gazeta de Alagoas, O Esporte em Grande Estilo promoveu um concurso: Qual o craque absoluto do futebol alagoano? O vencedor foi Clóvis com 2.312 votos. Ele também defendeu a seleção alagoana durante alguns anos. Hoje, Clóvis vive com problemas nos olhos e longe da torcida que tanto encantou com seus gols.


Mario Jorge Lobo Zagalo.
Apesar de não ser uma unanimidade, Zagalo foi um dos mais importantes jogadores de futebol no Brasil, principalmente nas Copas do Mundo de 1958 e 1962. Era um verdadeiro forminguinha nas equipes que defendeu. Ele começou no juvenil do América do Rio de Janeiro. Depois foi para o Flamengo onde ficou até depois da Copa do Mundo de 1958. Não houve acordo financeira para sua renovação e Zagalo foi para o Botafogo onde encerrou sua carreira como jogador e começou a caminhada como treinador. Como jogador foi campeão pelo Flamengo em 1953/54/55.e pelo Botafogo nos anos de 1961/62. Na seleção brasileira foi campeão mundial em 1958 e 1962. Com técnico foi campeão pelo Botafogo em 1967/68. Pelo Flamengo em 1971. Pelo Fluminense em 1972. Na Arábia saudita em 1979 e na seleção brasileira em 1970 e como supervisor em 1994. É um dos desportistas mais laureados no futebol brasileiro.


Walfredo Bandeira de Melo - Bandeira
Foi um dos maiores goleiros da história do futebol alagoano. Começou no juvenil do América do Jorge Assunção e Eduardo Montenegro. Com menos de vinte anos já brilhava no Alexandria campeão alagoano de 1947. Foi a figura central de todo campeonato. Se transferiu para o CRB onde conquistou o bi campeonato de 1950/51. No ano seguinte, defendeu a seleção alagoana e foi contratado pelo Esporte lube Bahia que possuia o "Esquadrão de Aço" e também foi campeão bahiano. Retornou ao futebol alagoano
para defender o CSA e ser tri campeão nos anos de 1956/57/58. Nos anos de 1958 e 1959 defendeu a seleção alagoana em amistosos e campeonatos brasileiros. No final de carreira jogou pelo Esporte Clube Alagoas e Ouricuri. Sua carreira como jogador de futebol foi brilhante. Pena que poucos conhecem sua hitória.

                                                               Valdir Pereira - Didi
Didi é o craque da "folha seca". Um dos craques inesqueciveis do futebol brasileiro. Começou no Madureira e logo que mostrou ser dono de um futebol genial se transferiu para o Fluminense onde foi campeão carioca em 1951 e tamém campeão da II Copa Rio, um torneio internacional que foi disputado no Brasil por dois anos. Teve uma saida polêmica para o Botafogo onde se consagrou definitivamente e também conquistou seus titulos de campeão. Na seleção brasileira foi campeão panamericano em 1952 e bi campeão mundial nos anos de 1958 e 1962. Quando parou de jogar foi ser treinador. Além de alguns clubes brasileiros, Didi foi técnico da seleção peruana que participou da Copa do Mundo de 1970. Didi foi o craque da Copa do Mundo de 1958 na Suécia.


João Edson de Barros - Joãozinho Paulista.
Foi um dos maiores artilheiros do Clube de Regatas Brasil. Paulista de Piracicaba, chegou a Maceió para jogar e brilhar no clube de Pajuçara. Foi campeão várias vezes com a camisa alvi rubra. Começou no CRB em 1976. Também jogou pelo Internacional, Atlético Mineiro e Goias. Retornou ao clube alagoano em 1982. Sempre se destacou como grande artilheiro e ídolo da torcida. Ainda hoje os torcedores do CRB sentem saudade do seu grande goleador.

                                                                     Nilton dos Santos
Foi considerado a Enciclopédia do Futebol Brasileiro. Um dos maiores jogadores do futebol mundial. Um craque nota mil. Um jogador raro que  jogou futebol por quase duas decadas e sempre no Botafogo. Outras camisas que vestiu somente da seleção carioca e brasileirsa. Foi campeão carioca em 1948 e 1957. Campeão brasileiro pelos cariocas. Campeão mundial duas vezes, um craque simples e que comentava que a bola era a sua vida. Lançou seu livro - Minha Bola, Minha Vida - no nosso Museu dos Esportes. Nilton santos é um desses craques dificeis de se esquecer.


                                                                     Paulo Patriota
                Foi um dos mais destacados jogadores do nosso futebol nos anos cincoenta e sessenta.
Jogou no CRB e no CSA além de defender a seleção alagoano durante alguns anos. Era um  meio campista de futebol clássico e muito objetivo. Também era um lider e respeitado pelos dirigentes dos clubes por onde passou e também pelos companheiros. Paulo também jogou no Palmeiras onde não teve opoertunidade porque chegou no Parque Antartica na época da Academia do Palmeiras onde o time possuia os maiores craques do Brasil. Hoje aposentado, fica em casa sem pensar muito no futebol.


Dario Marsiglia
No final dos anos quarenta e inicio dos anos cincoenta Dario era o craque do Clube de Regatas Brasil.
Era o Pingo de Ouro, o mais festejado pela torcida alvi rubra. Jogava na meia esquerda com um futebol cadenciado, criativo e muito eficiente. Jogou sempre com a camisa do seu querido CRB. Foi bi campeão alagoano nos anos de 1950 e 1951. Também jogou na seleção alagoana. Era lider do grupo e chegou a ser eleito vereador por Maceió. Ainda hoje os mais antigos lembram com saudade das jogadas de Dario nos gramados do Mutange e Pajuçara.

Osmar Fortes Barcelos (Tesourinha).
Ele era o craque do futebol gaucho nos anos quarenta e cincoenta. Campeão muitas vezes pelo Internacional e chegou a ser convocadopela seleção brasileira em 1944 pelo primeira vez. Em 1949 se transferiu para o Vasco da Gama onde também conquistou o titulo de campeão carioca. Foi campeão brasileiro pela seleção carioca e campeão sul americano pela seleção brasileira. Em 1950 foi convocado para a seleção brasileira que disputaria a Copa do Mundo. Nos treinamentos se contundiu e ficou fora da Copa. Foi um perda irreparável para a seleção. A contusão lhe atrapalhou para o final de sua carreira. Seu fim no futebol foi no Grêmio de Porto Alegre, o primeiro negro da vestir a camisa gremista.

Tadeu da Costa Lima
Um pernambucano que venceu no futebol alagoano e se tornou um dos grandes idolos das torcidas dos dois maiores clubes da cidade. Tadeu chegou em 1968 para jogar no CSA. Aqui ganhou titulos, fez sólidas amizades, se formou em educação fisica, casou e não mais saiu de Maceió. Foi o craque da disciplina dentro e fora do campo. Ganhou o Prêmio Belfort Duarte. Tadeu nunca foi expulso de campo. Também jogou no CRB. Depois de abandonar os gramados foi ser treinador. Treinou os principaisx clubes do futebol alagoano. Mas preferiu deixar tudo e cuidar da sua vida como profresor de educação fisica.

                                                                  Moacir Barbosa
Um goleiro quase perfeito. Um dos maiores de todos os tempos. Um paulista que ao se transferir para o Vasco da Gama em 1945 ganhou quase todos os titulos que um jogador poderia ganhar. No Vasco foi campeão muitas veses. Campeão sulamericano pelo Brasil. Campeão brasileiro pelos caiocas. Campeão de muitos torneios internacionais. Jogou futebol por mais de vinte anos. Quando os uruguaios venceram os brasileiros e conquistaram o titulo de 1950, Barbosa foi condenado por um crine que não cometeu. O crime de ter perdido a Copa do Mundo. Durante mais de quarenta anos continuou injustiçado e morreu sem o perdão da torcida. Mesmo depois de ter perdido a Copa foi campeão carioca duas vezes pelo Vasco e voltou a seleçção brasileira mais de uma vez. Jogou no Santa Cruz de Recife e Campo Grande e encerrou sua carreira no Vasco.


                                                           José Luiz Rodrigues de Lima
No futebol alagoano foi um dos grandes zagueiros da história do Clube de Regatas Brasil. Começou no juvenil do Deodoro da Praça Deodoro que tinha como treinador Eduardo Montenegro. No começou nos anos sessenta vestiu a camisa do CSA. Jogou na seleção alagoana de 1962 e em 1964 estava jogando pelo CRB onde foi campeão. Era um zagueiro duro, viril, sem ser violento. Suas atuações eram tão boas que foi contratado pelo Náutico do Recife. Foi campeão pernambucano e um dos destaques da equipe timbú. Além de profissional do Náutico trabalhava no Banco Nacional.

                                                           Hilderaldo Luis Belini

Morreu um campeão mundial. Bellini, que foi capitão do título da Copa do Mundo de 1958 da Seleção Brasileira e atuou por Vasco, São Paulo e Atlético-PR. Aos 83 anos, o ex-atleta estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital de São Paulo, com um quadro de parada cardíaca e apneia. Faleceu esta semana.

Bellini sofria há mais de 10 anos com o Mal de Alzheimer. No mês passado, após ficar hospitalizado por 60 dias, ele passou a receber acompanhamento médico em casa. O quadro da doença piorou graduativamente e, há cerca de três anos, o ex-zagueiro perdeu a fala.

O ex-atleta iniciou sua carreira no pequeno Itapirense, de Itapira (SP), sua terra natal, e se tornou famoso no Vasco, onde chegou em 1952 e jogou até 1961. Ele conquistou 10 títulos pelo Cruz-Maltino, entre eles três estaduais e um Rio-São Paulo. Bellini jogou por cinco anos no São Paulo, mas não conquistou nenhum título.

Pela Seleção Brasileira, além da Copa do Mundo de 1958, ele conquistou também a Copa de 1962 e duas edições da Copa Roca. Sua foto levantando a Taça Jules Rimet com as mãos sobre a cabeça é uma das marcas do futebol brasileiro, e passou a ser repetida por todo capitão ao levantar a taça. O gesto virou estátua na entrada do Maracanã, que recebe muitas visitas de turistas.

Marivaldo Paranhos Prado
Continua sendo um dos mais queridos jogadores do CSA em todos os tempos. Zagueiro que começou no mutange em 1965 e foi campeão juvenil, se tornou um grande zagueiro que no time principal também conquistou alguns títulos participando da campanha do tetra nos últimos três títulos de 1966.67.68. Se transferiu para o São Paulo e no Morumbi ficou por cinco anos. Ainda jogou no Santa Cruz de Recife e voltou a Maceió para encerrar sua carreira no CSA. Encerrando sua carreira como atleta tentou a de treinador no próprio clube azulino mas não deu certo.

Danilo Alvin
Durante muitos anos foi um jogador de destaque no famoso esquadrão do Vasco da Gama e seleção brasileira entre os anos de 1947 a 1952. Danilo, o Principe do Futebol. Aquele que jogava do fino da bola. Clássico, inteligente e elegante nas suas jogadores ele dominava o meio campo da sua equipe. Na Copa do Mundo de 1950, quando o Brasil peredeu o titulo de campeão do mundo, Danilo foi um dos que mais sofreu com a derrolta para os uruguaios. Saiu de campo chorando a dor de uma derrota que a seleção brasileira não merecia. Foi muitas vezes campeão carioca pelo Vasco. Campeão sul americano pela seleção brasileira.

                                                                Italo Graciano Matos
Na relação dos maiores artilheiros do Centro Sportivo Alagoano ele está entre os primeiros. Começou no CSA em 1953 e ficou até 1960 sempre como goleador da equipe em cada campeonato que disputava. Foi campeão alagoano em 1955/56/57/58, um tetra campeonato onde Italo foi um dos quatro atletas que participou de toda campanha. Ele começou no Auto Esporte onde realizou uma excelente campanha em 1952. No jogo contra o CSA o Auto Esporte venceu por 2x1 e Italo fez os dois gols. Foi o seu passaporte para vestir a camisa azulina. Defendeu a seleção alagoana por alguns anos e disputou vários campeonatos brasileiros de seleções. Ainda hoje sua figura é muito bem lembrada pela torcida azulina que tinha em Italo um verdadeiro ídolo.

                                                                 Carlos José Castilho
Foi um dos maiores goleiros da histórias do Fluminense e um ídolo de verdade. Defendeu o clube tricolor por duas décadas. Foi muitas vezes campeão carioca. Foi campeão brasileiro pela seleção carioca. E campeão Sul Americano, Pan Americano e mundial por duas vezes defendendo a seleção brasileira. Chegou a amputar um dedo da mão para não prejudicar sua carreira no Fluminense. Castilho tem um busto no campo do tricolor nas Laranjeiras. Castilho já não está mais entre nós.

                                                              Cláudio Moreira Pacheco
Claudinho está na relação dos maiores jogadores do futebol alagoano. Filho do fundador do Clube de Regatas Brasil iniciou próprio clube da pajuçara onde começou a mostrar todo seu grande futebol no inicio dos anos cincoenta. Foi campeão em 1950 e 1951 e logo se transferiu para o Esporte Clube Bahia onde participou do time chamado Esquadrão de Aço. Também jogou na seleção alagoana de 1952. Quando deixou o futebol foi treinar o CRB mas não deu certo porque dirigentes começaram a interferir no seu trabalho. Foi ser jogador e técnico do Capelense e conquistou o titulo de campeão alagoano em 1962. Nesse mesmo ano também treinou a seleção alagoana que participou do campeonato brasileiro. Claudinho foi o craque que muitos clubes gostariam de tê-lo em seu plantel.

                                                          Domingos Antônio da Guia
Foi o maior zagueiro da história do futebol brasileiro e ídolo de três países: Brasil. Uruguai e Argentina. Jogou no Bangu. Vasco da Gama. Flamengo. Corinthians e encerrou no Bangu.. Nacional de Montevidéu e Boca Junior da Argentina. Disputou a Copa do Mundo de 1938 e se tornou famoso pela sua domingada. O drible no adversário dentro da sua própria área. Sua tranquilidade deixava os adversários irritados. Vestiu a camisa da seleção brasileira de 1938 a 1946. Nunca mais o futebol teve um zagueiro como Domingos da Guia.

                                                     Averaldo Dantas da Silva - Silva
Foi o maior ponta esquerda do futebol alagoano. Continua sendo o maior artilheiro da história do clássico CSA.CRB. Era um ponta esquerda realmente ponta e um grande goleador. Cobrava muito bem falta de fora da area e penalidades máximas. Viveu a maior parte da sua carreira no CRB. Também defendeu o CSA, Capelense, Vasco da Gama, Sport Recife e Olaria. Grande driblador Silva se tornou um inferno para as defesas adversárias. Foi campeão pelo CRB em 1969 e 1970 e ajudou no tetra campeonato de 1976, 1977, 1978, 1979. Também foi campeão pelo CSA em 1971. Nunca mais tivemos um ponta esquerda como Silva no futebol alagoano.

Leônidas da Silva.
O Diamante Negro. O Craque da bicicleta. O Rei do futebol do passado.
Dizem que foi melhor que Pelé. Brilhou no futebol brasileiro, uruguaio e argentino. Disputou duas Copa do Mundo e foi artilheiro do mundial de 1938. É um dos cinco maiores ídolos da história do Flamengo. Quando se transferiu do clube carioca para o São Paulo foi recebido na estação de trem por mais de dez mil torcedores. Sua estréia no tricolor paulista contra o Corinthians teve um dos maiores publico da história do Pacaembu. Foi um craque excepcional.

                                                            Miguel Rocha (Rosas)
Ele foi um dos maiores zagueiros do futebol brasileiro. Sergipano de nascimento e alagoano de coração jogou no CRB, e somente no CRB, por quase vinte anos. É juntamente com Cláudio Régis, os únicos atletas que são beneméritos do clube da Pajuçara. Tinha futebol para jogar em qualquer clube do Brasil. Nunca quis sair de Maceió. Convites não faltaram para sua transferência. Simples, modesto e amigos de seus amigos não se considerava um craque. Dizia que era um jogador de bola.
Mas todos aqueles que o viram jogar o apontam com o maior craque do nosso futebol em todos os tempos. Quando deixou de jogar continuou servindo ao clube do seu coração como funcionário em sua sede social. Hoje é um pedaço de saudade na história do futebol alagoano.


                                  Ademir da Guia - Um atleta que tem dois nomes de craques.
Ademir, o grande artilheiro do futebol brasileiro. Domingos da Guia, o maior zagueiro da história do futebol. O craque que emocionou as torcidas do Brasil, Uruguai e Argentina com suas domingadas.
Ademir da Guia que começou no Bangu se consagrou no Palmeiras participando na famosa Acadêmia do Palmeiras. Jogador de passadas largas e lentas e dono de um futebol maravilhoso. Calmo e tranquilo se tornou um dos maiores ídolos da história do Palmeiras. Um craque nota mil.

José Soareste Zeferino do Carmo - Soareste.
Continua sendo um dos grandes ídolos da torcida do Centro Sportivo Alagoano. Jogava no meio campo com muita categoria. Era tranquilo com a bola nos pés e muito criativo. Começou nas divisões de base do CSA e sempre defendeu o clube do mutange. Foi campeão pelo clube azulino nos anos de 1971, 1974 e 1975. Também defendeu a seleção alagoana. 

                                                          Julio Botelho - Julinho
Julinho começou na Portuguesa de Desportos quando formou em um dos ataque mais conceituados do futebol paulista: Julinho. Renato. Nininho. Pinga e Simão. Brilhou e foi campeão paulista no Palmeiras. Marcou seu nome no futebol italiano jogando pela Fiorentina onde também conquistou o titulo de campeão. Disputou a Copa do Mundo de 1954. E foi titular na seleção brasileira mesmo na época em que nós tinhamos um tal de Garrincha. Julinmho foi realmante um jogador maravilhoso.

                                                      José Marques da Silva - Zé Preta.
Tem seu nome entre os craques ídolos da torcida do Centro Sportivo Alagoano. Não foi somente um atleta do clube. Continua sendo um torcedor azulino e sempre pronto a ajudar o clube do seu coração. Zé Preta começou nas divisões de base do CSA e estréiou no time principal conquistando o titulo do alagoano de 1971. Ainda foi campeão nos anos de 1974 e 1975. Foi um zagueiro com muitas qualidades que atravessou fronteiras. Se transferiu para o Atlético Mineiro e também defendeu o Vitória de Salvador. Era um zagueiro vigoroso e que não sabia perder.

Pelé - Edson Arantes do Nascimento
Foi o maior jogador do futebol do mundo e reconhecido por todos com o Rei Pelé.
Não se tem mais adjetivos para falar sobre o futebol do Pelé. Campeão do mundo por três vezes. Conquistou com a camisa do Santos todos os titulos possiveis na história de um craque de bola. Marcou mais de mil gols. Viveu praticamente toda sua vida no Santos. No final de carreira se transferiu para o Cosmos dos Estados Unidos.


Roberto Gonçalves Menezes.
Era o craque do futebol alagoano no inicio dos ano setenta. Jogador elegante, jogando de cabeça erguida, tomava conta do meio campo dos clubes que defendeu. Foi campeão pelo CRB onde começou em seus juvenis. Jogava futebol e cursava engenharia. Em 1973 só não ganhou a Bola de Ouro da Revista Placar porque o CRB não se classicou para as semi finais do campeonato brasileiro. No ano seguinte se transferiu para o Vitória de Salvador assinando um contrato de dois com o mais alto salário do clube. Quando sentiu que estava sendo boicotado pelos companheiros pediu para voltar ao futebol alagoano. O CRB não se interessou na sua volta e o CSA conseguiu Roberto Meneszes por emprestimo de um ano, 1975, quando foi mais uma ves campeão alagoano. Quando encerrou seu contrato com o CSA encerrou sua carreira para cuidar da profissão de engenheiro. 


Heleno de Freitas
Foi um dos mais elegantes jogadores do futebol brasileiro. Centro avante do Botafogo e da seleção brasileira era tido como o craque galã. Tinha um futebol maravilhoso e um gênio horrivel. Brigava com todo mundo. Vez por outra era expulso e todos aceitam ele no time porque era realmente um craque. Era advogado mas preferia jogar futebol e o Botafogo era sua grande paixão. Nunca foi campeão no clube do coração. Em 1948 os dirigentes do clube da Estrela Solitária esgotaram a paciência e venderam Heleno para o Boca Juniors da Argentina. Seu gênio não permitiu que ele ficasse muito tempo. Voltou ao Brasil para jogar e ser campeão carioca pelo Vasco da Gama. Brigou com o treinador Flávio Costa e deixou o Vasco. Era doente. Tinha sifilis na cabeça. Terminou seus dias internado em um Sanatório na cidade de Barbacena, Minas Gerais. A doença o matou lá mesmo no Sanatório.



Carlos Cesar de Oliveira
Um goleiro que deixou sua marca no futebol alagonao. Durante muitos anos defendeu o CRB onde conquistou titulos de campeão. Por suas qualidades técnicas sua fama atravessou fronteiras e o Corinrthians resolvou contrata-lo. No começo foram momentos dificeis. Depois se transformou em um goleiro que dava confiança aos compamheiros e sua exigente torcida. Como no futebol a posição de goleiro é ingrata Cesar num domingo foi o heroi do Corinrhians ganhando todos os prêmios de
melhor jogador da partida. Quatro dias depois, um lance infeliz o transformou em vilão. Cesar ainda jogou no Flamengo do Piaui e ASA de Arapiraca.

                                                     Zizinho - Thomaz Soaresa da Silva
Já foi considerado um dos maiores jogadores do futebol mundial. Craque de verdade. Começou no Flamengo onde passou a maior parte da sua vida. Foi tri campeão nos anos quarenta. Em 1950 deixou o Flamengo foi para o Bangu e ajudou o clube a ser vice campeão carioca. Ainda jogou e foi campeão paulista pelo São paulo em 1957. Seu futebol era realmente maravilhso e reconhecido por todos. Defendeu a seleção brasileira por muitos anos e foi campeão sulamericano em 1949. Sua grande decepção foi perder a Copa do Mundo em 1950. Nesse mesmo campeonato foi considerado um dos melhores do mundo.


                                                                Antonio Carlos de Lima
Foi um craque quase perfeito. Jogava no meio campo, ajudava o centro avante ser artilheiro e também fazia muitos gols. Começou no juvenil do Esporte Clube Alagoas. Jogou no CRB, CSA, Comercial de Ribeirão Preto e Santa Cruz. No CSA foi campeão nos anos de 1957. 1958. 1965. 1966. 19967. Durante muitos anos defendeu a seleção alagoana. Seu futebol clássico e eficiente deixou muitas lembranças a todos aqueles que tiveram o prazer de vê-lo jogar.

Zico - Artur Antunes Coimbra
O maior idolo da história do Flamengo. Começou no clube da Gavea onde passou praticamente toda sua vida. Teve uma ligeira passagem pelo futebol italiano jogando pela Udinese. Disputou duas Copa do Mundo mas não conseguiu ser campeão. É o maior artilheiro da história do Flamengo.

Ademir Marques de Meneses
Um pernambucano que venceu no futebol brasileiro como um dos maiores artilheiros da história.
Começou no Sport Clube do Recife. Foi para o Vascoem 1943. Se transfieriu para o Fluminense em 1946 onde passou dois anos no tricolor. Voltou para o Vasco e lá encerrou sua carreira. Durante dez anos defendeeru a seleção brasileira onde foi campeão sulamericano em 1949 e foi artilheiro da Copa do Mundo de 1950.


                                                       Dida - Edvaldo Alves Santa Rita.
 Começou no CSA de Maceió. Jogou na seleção alagoana. Se transferiu para o Flamengo onde participou do tri campeonato carioca e foi o grande nome da decisão contra o América em 1955.
   Dida sssinalou os quatro gols da vitória do Flamengo da partida e garantiu o tri campeonato.

Participou da Copa do Mundo de 1958 na Suécia quando os brasileiros conquistaram seu            primeiro titulo de campeão mundial.